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Declaraçoes de Summers caem como bomba na Rússia


Do Diário do Grande ABC

02/09/1999 | 15:03


As declaraçoes do secretário norte-americano do Tesouro, Larry Summers, caíram como bomba na Rússia, onde todos os jornais nacionais denunciaram em primeira página uma suposta tentativa de isolar a Rússia no cenário internacional.

Uma nova ``cortina de ferro'', o retorno ``à guerra fria'', a vontade de deixar abandonada a economia russa: as primeiras páginas dos principais jornais nao poupam adjetivos em suas críticas à administraçao norte-americana.

A origem do escândalo está na dura reaçao de Summers à suposta evasao de fundos russos: Washington se oporá à entrega de novos empréstimos do FMI à Rússia enquanto nao se esclarecer o destino dos créditos já concedidos, declarou o secretário à imprensa.

``As declaraçoes de Summers podem ser compreendidas como uma insistente vontade da administraçao americana de enviar à Rússia seus inspetores financeiros, como enviam seus inspetores de desarmamento ao Iraque'', afirma o jornal financeiro Kommersant, que se indaga quem pode se interessar pela difusao deste escândalo.

``Imperceptivelmente, as nuvens se acumulam no horizonte russo. Por razoes desconhecidas, o Ocidente tem saudade da guerra fria e da cortina de ferro'', destaca o Izvestia, acrescentando que a explicaçao que liga a multiplicaçao de acusaçoes contra Moscou ``às eleiçoes nos Estados Unidos'' nao parece ``muito convincente''.

As declaraçoes do secretário do tesouro ``correm o risco de ser o primeiro passo rumo ao isolamento da Rússia'', frisa o jornal.

Se quiser verificar de novo os gastos feitos a partir de todos os créditos do FMI (como sugeriu Summers) ``isso exigirá meses (...), e a Rússia deverá reembolsar os empréstimos (precedentes) do FMI rasgando seu próprio bolso'', diz o jornal.

Rússia contava com um próximo crédito de 640 milhoes do FMI para amortizar os empréstimos anteriores que recebeu.

Ao mesmo tempo, uma vez esvaziado o orçamento mensal, será preciso encontrar as receitas necessárias para enfrentar as exigências do FMI, e assim a situaçao da economia se deteriorará, e durante esse tempo ``tudo o que vier da Rússia será contemplado com suspeita'', acrescenta o Izvestia.

``O macartismo continua vivo'' e se a expressao ``a ameaça soviética desapareceu no Ocidente'', o foi em benefício da ``máfia russa'', comenta um editorial do Kommersant.



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Declaraçoes de Summers caem como bomba na Rússia

Do Diário do Grande ABC

02/09/1999 | 15:03


As declaraçoes do secretário norte-americano do Tesouro, Larry Summers, caíram como bomba na Rússia, onde todos os jornais nacionais denunciaram em primeira página uma suposta tentativa de isolar a Rússia no cenário internacional.

Uma nova ``cortina de ferro'', o retorno ``à guerra fria'', a vontade de deixar abandonada a economia russa: as primeiras páginas dos principais jornais nao poupam adjetivos em suas críticas à administraçao norte-americana.

A origem do escândalo está na dura reaçao de Summers à suposta evasao de fundos russos: Washington se oporá à entrega de novos empréstimos do FMI à Rússia enquanto nao se esclarecer o destino dos créditos já concedidos, declarou o secretário à imprensa.

``As declaraçoes de Summers podem ser compreendidas como uma insistente vontade da administraçao americana de enviar à Rússia seus inspetores financeiros, como enviam seus inspetores de desarmamento ao Iraque'', afirma o jornal financeiro Kommersant, que se indaga quem pode se interessar pela difusao deste escândalo.

``Imperceptivelmente, as nuvens se acumulam no horizonte russo. Por razoes desconhecidas, o Ocidente tem saudade da guerra fria e da cortina de ferro'', destaca o Izvestia, acrescentando que a explicaçao que liga a multiplicaçao de acusaçoes contra Moscou ``às eleiçoes nos Estados Unidos'' nao parece ``muito convincente''.

As declaraçoes do secretário do tesouro ``correm o risco de ser o primeiro passo rumo ao isolamento da Rússia'', frisa o jornal.

Se quiser verificar de novo os gastos feitos a partir de todos os créditos do FMI (como sugeriu Summers) ``isso exigirá meses (...), e a Rússia deverá reembolsar os empréstimos (precedentes) do FMI rasgando seu próprio bolso'', diz o jornal.

Rússia contava com um próximo crédito de 640 milhoes do FMI para amortizar os empréstimos anteriores que recebeu.

Ao mesmo tempo, uma vez esvaziado o orçamento mensal, será preciso encontrar as receitas necessárias para enfrentar as exigências do FMI, e assim a situaçao da economia se deteriorará, e durante esse tempo ``tudo o que vier da Rússia será contemplado com suspeita'', acrescenta o Izvestia.

``O macartismo continua vivo'' e se a expressao ``a ameaça soviética desapareceu no Ocidente'', o foi em benefício da ``máfia russa'', comenta um editorial do Kommersant.

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