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Dado Villa-Lobos: recomeço no seu ritmo


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

09/12/2005 | 08:37


Poucos artistas no Brasil ocupam uma posição tão confortável quanto a do ex-guitarrista do Legião Urbana, Dado Villa-Lobos. Quando tinha 17 anos, o músico foi convidado a integrar o grupo que se tornou um dos maiores ícones do rock brasileiro. Alheio às pressões do mercado fonográfico, e respeitando seu próprio ritmo, ele encara, dez anos depois do término da banda, o desafio de lançar o primeiro disco solo, MTV Apresenta: Dado Villa-Lobos/Jardim de Cactus Ao Vivo (EMI, R$ 30 em média).

O álbum, composto por 14 faixas, sinaliza um recomeço para o músico. Não só pelo fato de que é sua estréia como cantor, mas porque a indústria do entretenimento mudou bastante nos últimos anos e ele ainda não sabe que tipo de público seu trabalho irá atingir. “Naquela época (anos 80), havia uma necessidade de se expor um tipo de atitude nos meios de comunicação, que estavam abertos para isso. Aquela geração tinha, finalmente, uma voz, depois de 20 anos de ditadura. Hoje, as coisas se estabeleceram em um outro plano, não tem muita música na televisão. Quero me adaptar a isso da melhor forma possível”, afirma o guitarrista, com o mesmo jeito calmo, quase zen, que fez ele ser considerado como o “diplomata” do Legião.

Repleto de convidados especiais, entre eles os músicos do Paralamas do Sucesso, Dinho Ouro-Preto, Humberto Effe (ex-Picassos Falsos), Fausto Fawcett, Tony Platão e Paula Toller, o álbum apresenta um leque de timbres e ritmos muito mais abrangente que o produzido pela lendária banda brasiliense. Pouco familiarizado com o universo das letras de música, Dado ocupou-se somente das melodias, algumas compostas ainda nos tempos de sua primeira banda, caso de Como te Gusta?.

Entre os destaques do álbum, Faveloura & Lov (parceria com Fawcett) e Jardim de Cactus e Dias (ambas em parceria com Paula Toller). Esta última é uma balada que aborda o cotidiano com boas doses de lirismo e melancolia. “Não sei se é do vinho ou da vida que me sinto assim/ Outra madrugada perdida/ Esperando você, esperando por mim”, diz um  trecho da canção. Dado também fez uma versão, cantada por Dinho, de uma das bandas mais influentes dos anos 70, o The Clash, relembrado em Guns of Brixton.

Sem nostalgia – O passado também é relembrado em Conexão Amazônica, sucesso que o Legião gravou em Que País É Este? (1987). Mas nada de nostalgia. “Falar de Legião é requentar a história”, diz o músico. O álbum conta ainda com outras participações ilustres. Chico Buarque declama um poema de Ivo Barroso na faixa Natureza, e o filho do guitarrista, Nicolau, 17 anos, toca guitarra em Como te Gusta?

Ainda inseguro como cantor, Dado pode decepcionar os que estão acostumados com o vozeirão de Renato, já que, em alguns momentos, “derrapa” nos vocais. Mas nada que comprometa o resultado final. Obviamente, não tem o mesmo brilhantismo de seu antigo parceiro, mas conseguiu reunir um time competente em torno de um projeto que representa o início de uma longa caminhada.



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Dado Villa-Lobos: recomeço no seu ritmo

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

09/12/2005 | 08:37


Poucos artistas no Brasil ocupam uma posição tão confortável quanto a do ex-guitarrista do Legião Urbana, Dado Villa-Lobos. Quando tinha 17 anos, o músico foi convidado a integrar o grupo que se tornou um dos maiores ícones do rock brasileiro. Alheio às pressões do mercado fonográfico, e respeitando seu próprio ritmo, ele encara, dez anos depois do término da banda, o desafio de lançar o primeiro disco solo, MTV Apresenta: Dado Villa-Lobos/Jardim de Cactus Ao Vivo (EMI, R$ 30 em média).

O álbum, composto por 14 faixas, sinaliza um recomeço para o músico. Não só pelo fato de que é sua estréia como cantor, mas porque a indústria do entretenimento mudou bastante nos últimos anos e ele ainda não sabe que tipo de público seu trabalho irá atingir. “Naquela época (anos 80), havia uma necessidade de se expor um tipo de atitude nos meios de comunicação, que estavam abertos para isso. Aquela geração tinha, finalmente, uma voz, depois de 20 anos de ditadura. Hoje, as coisas se estabeleceram em um outro plano, não tem muita música na televisão. Quero me adaptar a isso da melhor forma possível”, afirma o guitarrista, com o mesmo jeito calmo, quase zen, que fez ele ser considerado como o “diplomata” do Legião.

Repleto de convidados especiais, entre eles os músicos do Paralamas do Sucesso, Dinho Ouro-Preto, Humberto Effe (ex-Picassos Falsos), Fausto Fawcett, Tony Platão e Paula Toller, o álbum apresenta um leque de timbres e ritmos muito mais abrangente que o produzido pela lendária banda brasiliense. Pouco familiarizado com o universo das letras de música, Dado ocupou-se somente das melodias, algumas compostas ainda nos tempos de sua primeira banda, caso de Como te Gusta?.

Entre os destaques do álbum, Faveloura & Lov (parceria com Fawcett) e Jardim de Cactus e Dias (ambas em parceria com Paula Toller). Esta última é uma balada que aborda o cotidiano com boas doses de lirismo e melancolia. “Não sei se é do vinho ou da vida que me sinto assim/ Outra madrugada perdida/ Esperando você, esperando por mim”, diz um  trecho da canção. Dado também fez uma versão, cantada por Dinho, de uma das bandas mais influentes dos anos 70, o The Clash, relembrado em Guns of Brixton.

Sem nostalgia – O passado também é relembrado em Conexão Amazônica, sucesso que o Legião gravou em Que País É Este? (1987). Mas nada de nostalgia. “Falar de Legião é requentar a história”, diz o músico. O álbum conta ainda com outras participações ilustres. Chico Buarque declama um poema de Ivo Barroso na faixa Natureza, e o filho do guitarrista, Nicolau, 17 anos, toca guitarra em Como te Gusta?

Ainda inseguro como cantor, Dado pode decepcionar os que estão acostumados com o vozeirão de Renato, já que, em alguns momentos, “derrapa” nos vocais. Mas nada que comprometa o resultado final. Obviamente, não tem o mesmo brilhantismo de seu antigo parceiro, mas conseguiu reunir um time competente em torno de um projeto que representa o início de uma longa caminhada.

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