Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 13 de Julho

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Furnas: Governo faz aposta de risco com pulverizaçao


Do Diário do Grande ABC

17/06/2000 | 14:36


O governo está fazendo uma aposta alta ao mudar o modelo de privatizaçao de Furnas, optando pela venda pulverizada. Quer alcançar ao mesmo tempo dois objetivos ambiciosos com pouco em comum: fortalecer o mercado de capitais nacional e contornar a insatisfaçao popular com o programa de privatizaçao, captada em pesquisas de opiniao. Para isso está derrubando o que eram os dois pilares do programa desde a venda da primeira estatal: usar o dinheiro para abater a dívida pública e conseguir privatizar sempre pelo maior preço.

"As circunstâncias mudam", disse o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, justificando a alteraçao de rumo. O uso do dinheiro da privatizaçao para abater a dívida pública foi questao de honra para a equipe econômica nos últimos cinco anos. Mas o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, lembrou que, nesse caso, o uso dos recursos para a transposiçao do Rio Sao Francisco resolverá problemas que poderiam emperrar a venda da Chesf. A avaliaçao de um ministro da área política, entretanto, é que a partir dessa exceçao será possível negociar a destinaçao dos recursos a cada privatizaçao.

"O objetivo da pulverizaçao é a criaçao de um capitalismo brasileiro da forma que existe em outros países, ou seja, algo diferente das empresas familiares, ou das controladas pelos fundos de pensao", afirmou o ministro-chefe da Casa Civil Pedro Parente. "A venda pulverizada de Furnas insere-se num âmbito mais amplo de açoes que tem como finalidade fortalecer o mercado de capitais", acrescentou Amadeo.

O preço que o governo vai pagar para criar essa grande empresa nacional e fortalecer o mercado de capitais é de cerca de R$ 700 milhoes. Essa é a diferença estimada entre as receitas que entrariam no caixa se o governo vendesse para um único sócio, e a venda pulverizada, menos rentável.

Parente, Amadeo e toda a área econômica do governo estao convencidos de que o fortalecimento do mercado de capitais será decisivo para garantir o crescimento econômico nos próximos anos. Eles pretendem fazer do mercado acionário uma fonte de recursos para os investimentos das empresas, como uma alternativa às verbas oficiais e aos empréstimos bancários. Amadeo reconhece que a meta é ambiciosa: tentar lançar uma nova modalidade de capitalismo no Brasil.

A venda de Furnas também atendeu a pressoes políticas que haviam sido postas em discussao pelo presidente há oito meses. Segundo Amadeo, Fernado Henrique queria aproximar a privatizaçao do cidadao comum. "Embora o programa de privatizaçao tenha funcionado, nao tivemos competência para perpassar essa idéia na sociedade", admitiu o ministro Pedro Parente.

A pulverizaçao agradou à área política, mas nao foi bem recebida pelos analistas de mercado. O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, acredita que uma empresa pública terá mais dificuldades para cortar custos e ter ganhos de eficiência. "Essa mudança susta o processo de privatizaçao e é uma forma mais ou menos eficiente de protelar a venda", diz. O ex-secretário de Política Econômica José Roberto Mendonça de Barros nao está otimista. "Acho que o programa de privatizaçao perdeu fôlego e essa mudança só reflete isso", afirmou.

O primeiro teste para o novo modelo está marcado para 2001, quando o governo pretende vender o lote inicial de açoes de Furnas. É esperar para ver se a aposta terá valido a pena.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Furnas: Governo faz aposta de risco com pulverizaçao

Do Diário do Grande ABC

17/06/2000 | 14:36


O governo está fazendo uma aposta alta ao mudar o modelo de privatizaçao de Furnas, optando pela venda pulverizada. Quer alcançar ao mesmo tempo dois objetivos ambiciosos com pouco em comum: fortalecer o mercado de capitais nacional e contornar a insatisfaçao popular com o programa de privatizaçao, captada em pesquisas de opiniao. Para isso está derrubando o que eram os dois pilares do programa desde a venda da primeira estatal: usar o dinheiro para abater a dívida pública e conseguir privatizar sempre pelo maior preço.

"As circunstâncias mudam", disse o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, justificando a alteraçao de rumo. O uso do dinheiro da privatizaçao para abater a dívida pública foi questao de honra para a equipe econômica nos últimos cinco anos. Mas o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, lembrou que, nesse caso, o uso dos recursos para a transposiçao do Rio Sao Francisco resolverá problemas que poderiam emperrar a venda da Chesf. A avaliaçao de um ministro da área política, entretanto, é que a partir dessa exceçao será possível negociar a destinaçao dos recursos a cada privatizaçao.

"O objetivo da pulverizaçao é a criaçao de um capitalismo brasileiro da forma que existe em outros países, ou seja, algo diferente das empresas familiares, ou das controladas pelos fundos de pensao", afirmou o ministro-chefe da Casa Civil Pedro Parente. "A venda pulverizada de Furnas insere-se num âmbito mais amplo de açoes que tem como finalidade fortalecer o mercado de capitais", acrescentou Amadeo.

O preço que o governo vai pagar para criar essa grande empresa nacional e fortalecer o mercado de capitais é de cerca de R$ 700 milhoes. Essa é a diferença estimada entre as receitas que entrariam no caixa se o governo vendesse para um único sócio, e a venda pulverizada, menos rentável.

Parente, Amadeo e toda a área econômica do governo estao convencidos de que o fortalecimento do mercado de capitais será decisivo para garantir o crescimento econômico nos próximos anos. Eles pretendem fazer do mercado acionário uma fonte de recursos para os investimentos das empresas, como uma alternativa às verbas oficiais e aos empréstimos bancários. Amadeo reconhece que a meta é ambiciosa: tentar lançar uma nova modalidade de capitalismo no Brasil.

A venda de Furnas também atendeu a pressoes políticas que haviam sido postas em discussao pelo presidente há oito meses. Segundo Amadeo, Fernado Henrique queria aproximar a privatizaçao do cidadao comum. "Embora o programa de privatizaçao tenha funcionado, nao tivemos competência para perpassar essa idéia na sociedade", admitiu o ministro Pedro Parente.

A pulverizaçao agradou à área política, mas nao foi bem recebida pelos analistas de mercado. O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, acredita que uma empresa pública terá mais dificuldades para cortar custos e ter ganhos de eficiência. "Essa mudança susta o processo de privatizaçao e é uma forma mais ou menos eficiente de protelar a venda", diz. O ex-secretário de Política Econômica José Roberto Mendonça de Barros nao está otimista. "Acho que o programa de privatizaçao perdeu fôlego e essa mudança só reflete isso", afirmou.

O primeiro teste para o novo modelo está marcado para 2001, quando o governo pretende vender o lote inicial de açoes de Furnas. É esperar para ver se a aposta terá valido a pena.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;