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Dedicação aos cancerosos há 40 anos


Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

22/02/2011 | 07:15


Desde abril de 1971, a equipe da Rede Feminina de Combate ao Câncer de São Caetano trabalha com uma mesma missão: ajudar as vítimas carentes da doença com todo e qualquer tipo de assistência. Médica, alimentar, psicológica, o que for possível. Os donativos são recebidos diariamente pela equipe que hoje atua com 110 voluntários. "Sempre tem espaço para mais alguém", disse a presidente Lúcia de Oliveira Leite. Por mês, são realizados pelo menos 100 atendimentos na sede própria da rede, no bairro Santo Antônio.

Há 30 anos na instituição e há quase um na presidência, Lúcia afirma que os casos mais comuns são os de mulheres com câncer de mama. No entanto, ela elogia o benefício da conscientização popular. "A doença está se proliferando, mas hoje as pessoas estão mais esclarecidas e a imprensa também ajuda a divulgar o problema", comentou.

Um dos principais trabalhos realizados por um grupo de voluntárias funciona desde 2002 no Hospital Heliópolis, em São Paulo, sob a coordenação de Lair Jung Dias, que atua no setor de cabeça e pescoço e colabora com a Rede há 20 anos. O preparo das voluntárias torna-se indispensável aos doentes que aguardam ansiosos para passar pela consulta. "Enquanto eles esperam para fazer quimioterapia, elas oferecem atenção, distraem os pacientes, e assim eles relaxam. O objetivo é dar atendimento mais humanizado e carinhoso, já que a maioria dos pacientes dessa seção é considerada terminal", explicou Lúcia, que perdeu o marido também vítima de câncer. O desenvolvimento das atividades ocorre das 7h30 às 13h, todas as terças-feiras.

Além da atenção doada aos pacientes no hospital, aqueles que procuram a rede também podem ser assistidos por duas psicólogas voluntárias que atendem na região. As consultas também são disponibilizadas para os familiares dos doentes. "Eles são os que mais precisam", observou uma das voluntárias, Ângela Fiorotti.

Entre as metas mais difíceis de alcançar na rotina dos envolvidos com a causa é a aquisição de remédios. Os pacientes cadastrados na rede geralmente precisam de medicações de alto custo, o que mobiliza o grupo de voluntários em campanhas que arrecadam fundos. "Não é fácil nossa vida. No ano passado demos um remédio de R$ 14,6 mil a um paciente. Fazemos constantemente chás, bazares, almoços e jantares para arrecadarmos dinheiro e comprarmos as medicações. São caríssimas." O grupo de artesãs, de 35 pessoas, também contribui para a arrecadação de verba para o funcionamento da rede. Os produtos são vendidos em salões de beleza da região e outros locais.

CARÊNCIAS
A rede recebe qualquer tipo de doação. Comida, leite, roupas, colchão, remédio, produtos de higiene pessoal, cadeira de rodas, peruca. Tudo é bem-vindo. Lucia destaca a importância do complemento alimentar para a recuperação de doentes em fase de tratamento. Uma lata do produto, que é misturado com leite, chega a custar quase R$ 30.

Para efetuar o cadastro na rede e contar com a ajuda da equipe é preciso levar o laudo médico ou a biópsia, além do comprovante de renda pessoal e familiar, de residência e documentos de identificação.

Cantinho da Beleza recupera a dignidade dos pacientes

A fim de resgatar a identifidade e propor momentos alegres aos doentes, a rede é responsável por um trabalho coordenado por duas assistentes sociais, Maria das Dores Viana e Elizabeth Félix Freitas. Elas têm a missão de repaginar o visual dos doentes, mesmo que eles estejam com os dias contados. O espaço chama-se Cantinho da Beleza e funciona no Hospital Heliópolis desde 2005.

"É um lindo trabalho. São verdadeiros anjos. Fazem a barba, cortam o cabelo e arrumam o paciente. Às vezes ele morre logo em seguida. Elas dão dignidade aos doentes", comentou a presidente.

Os pacientes que não podem se locomover até o local são atendidos no próprio leito, acompanhados por uma enfermeira. O salão de beleza oferece atendimento gratuito de cabeleireiro, esteticista e maquiador aos pacientes internados.

Outros hospitais parceiros da iniciativa são a Maternidade Escola Vila Nova Cachoeirinha, Hospital São Paulo, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e o Hospital Albert Einstein. São atendidos mulheres e homens em tratamento oncológico e outras patologias. O objetivo é complementar o trabalho dos profissionais da área de Saúde, minimizar o sofrimento e melhorar a autoestima do doente. Os atendimentos são realizados às segundas e quartas- feiras, das 7h30 às 13h30.



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