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Andreense bate depressão e se destaca na prática do kung fu

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fátima dos Anjos é funcionária da CPTM e
faz parte da Seleção Brasileira da arte marcial


Felipe Simões
Do Diário do Grande ABC

26/06/2015 | 07:00


Há cinco anos, a paulistana Fátima dos Anjos, 36 anos, moradora do bairro Parque das Nações, em Santo André, passava por fase difícil. Deprimida, com pressão alta e problemas de colesterol, chegou a desmaiar na rua e esteve à beira de sofrer infarto. Neste fim de semana, ela defenderá o título de campeã paulista de kung fu, em Vinhedo, na região de Campinas, após ter conquistado a competição estadual ano passado, assim como fará no Campeonato Brasileiro, que será realizado em setembro ou outubro. Integrante da Seleção Brasileira da arte marcial, ela será uma das representantes do País no Pan-Americano de Kung Fu, em Santo André, entre 7 e 13 de julho.

Fã dos filmes com os atores Jackie Chan e Jet Li, Fátima sempre gostou da arte marcial, mas nunca a praticou. Formada em Matemática na Fundação Santo André, prestou concurso público e entrou na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), na qual hoje exerce o cargo de encarregada da Estação Prefeito Saladino, em Santo André. Casada há 11 anos com o ex-mesa-tenista Marcos Luiz dos Anjos, 47 anos, ela começou a sentir o peso das responsabilidades do trabalho e de ser mãe. “Fiquei com depressão. Cheguei a quase ter infarto. Ia ao médico e tomava muitos remédios. Cheguei a desmaiar na rua. Meu marido ficou preocupado e pensou em formas de sair desta situação”, lembra. “Na saída de uma igreja, um rapaz entregou um panfleto sobre kung fu. Fui conhecer e resolvi fazer para desestressar. A princípio foi só para lazer”, conta ela, que ainda treina na academia Peng Lai, no mesmo bairro onde mora.

Diferentemente do que se vê nos filmes, o kung fu, arte marcial que surgiu há cerca de 3.000 anos, é muito mais uma apresentação de técnicas do que conflito com um adversário. “É uma sequência de movimentos imitando não só os animais, mas a natureza. Quando você está nervoso, não tem que se chocar com o problema, tem que fazer que nem a água: contorná-lo. O kung fu é uma maneira de obter equilíbrio”, explica a paulistana, que pratica a vertente tradicional da arte marcial e treina movimentos inspirados no subestilo flor de ameixa da técnica louva-deus, ensinado há gerações por uma família de Taiwan, na China. As transições podem ou não utilizar armas – no caso de Fátima, o ítem é o leque – e serem feitas individualmente ou em grupo.

Como foi pegando gosto pela prática, Fátima participou de torneios e seletivas até chegar ao Campeonato Paulista, no qual se apresentou com outros cinco integrantes de seu grupo e venceu, assim como ocorreu no Campeonato Brasileiro. Com os resultados, ela foi convidada para testes para integrar a Seleção Brasileira – e passou.

“Para quem estava em situação difícil, quando você faz algo diferente, você se empenha. Dá satisfação sair de um ponto em que você achava sem saída e chegar lá (Seleção)”, afirma. “Eu não esperava (representar o Brasil). Meu intuito era sair da depressão. A cada hino que toca dá um arrepio. Você pensa: ‘Estou aqui, levando um pedacinho de mim, representando o Brasil’”, emociona-se ela, que defende neste fim de semana o título estadual. Depois, fará o mesmo com o Brasileiro com o objetivo de somar pontos e dar mais um passo: participar do Mundial, na China, em 2016. Mais um obstáculo a ser superado pela guerreira de Santo André.

É um orgulho porque ela chegou onde não consegui, conta marido

Marcos Luiz dos Anjos, 47 anos, não poderia estar mais orgulhoso. Ex-mesa-tenista profissional, ele jogou no time da Pirelli, em Santo André, e no Palmeiras, mas nunca obteve sucesso na carreira. Por isso, afirmou estar orgulhoso da mulher, integrante da Seleção Brasileira de Kung Fu.

“Ela chegou onde eu não consegui no esporte”, afirmou Luiz, que também divide suas experiências dos tempos de atleta com a mulher. “Como já passei por muita coisa no esporte, o que eu puder passar para ela do que vivenciei, passo. Vê-la chegar nesse ponto é uma alegria muito grande”, disse ele.



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