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Pq.dos Pássaros mantém tradição do caldo de cana

Há 23 anos, bebida vendida nas feiras livres tem sido o carro-chefe da família do comerciante Paulo Gabana

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC
24/10/2015 | 07:00
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Bebida que marcou a história da escravidão no País, o caldo de cana tem endereço certo no Parque dos Pássaros, em São Bernardo. É na esquina das avenidas José Odorizzi e das Andorinhas que apaixonados pela iguaria encontram “a melhor garapa do mundo”, segundo o comerciante Paulo Gabana, 52 anos.

Há 23 anos, o Caldão do Paulão, nome dado por Gabana ao seu comércio, é ponto obrigatório de parada daqueles que passam pelo Parque dos Pássaros. De acordo com o comerciante, boa parte dos clientes é de funcionários de empresas vizinhas, como a montadora Scania. Apesar disso, Gabana revela que a outra parcela corresponde a amantes do caldo feito por ele. “Todo mundo que prova afirma que é o melhor, sem contar que aqui sempre acolhemos com simpatia.”

Segundo o comerciante, autoridades como o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), já passaram pelo local e provaram da iguaria.

Natural de Catanduva, interior de São Paulo, onde morava numa fazenda de cana-de-açúcar, Gabana se mudou com a família para São Bernardo aos 3 anos. Segundo ele, percorreu caminho parecido ao de muitos trabalhadores que chegaram na capital dos metalúrgicos. “Trabalhei durante três anos na Mercedes Benz, mas acabei pedindo as contas em 1989. Depois disso consertei carros, mas também parei.”

Para ele, quando tudo parecia perdido “Deus tocou seu coração” e lhe abriu uma oportunidade que o trouxe de volta às suas origens. “Nunca quis trabalhar com caldo de cana. Tinha vergonha, mas algo iluminou meu caminho.”

Foi a partir daí que ele fez da garapa um grande negócio de família. “Hoje muitos parentes trabalham aqui comigo. Minha mulher ajuda com seus salgados, que viraram acompanhamento para a garapa.”

Para Gabana, o trabalho com o caldo de cana possibilitou a abertura de diversas portas em sua vida. “Através desse trabalho consegui montar minha casa e oferecer o estudo do meu filho. Minha intenção é trazer o comércio para dentro de minha residência futuramente.”

Atualmente, a cana-de-açúcar responsável pela bebida no Caldão do Paulãovem de Cajuru, interior de São Paulo.

Amante de carros antigos preserva relíquias

Amor à primeira vista. É dessa forma que o colecionador Ezio Caetano, 59 anos, define seu sentimento por carros antigos. Em sua casa, localizada no Parque dos Pássaros, em São Bernardo, aproximadamente 20 relíquias ocupam o espaço da garagem, cada uma delas com uma história particular.

De acordo com Caetano, a paixão surgiu quando ele era ainda jovem. “Tinha 20 anos quando estava com um amigo no Centro de São Caetano e vi um T Bucket 1923. Foi uma coisa única. Desde então, criei um vínculo.”

Seu primeiro carro foi adquirido ainda jovem, um Ford 29 Phaeton. A partir daí sua paixão por carros aumentou. “Veículos antigos têm história por trás de cada um. Hoje as montadoras pensam só no comércio, não tem mais o glamour de antes. Antigamente se pensava no detalhe de cada peça, no desenho, tudo tinha um fundamento.”

O amor de Caetano por carros antigos é tão grande que um de seus veículos teve de ser montado do zero após o colecionador não encontrar ninguém que vendesse a relíquia. Trata-se do Ford 32 Roadster Hot Rod. “Tentei comprar, mas não tive sucesso. Foi aí que adquiri as peças e a fibra dos Estados Unidos e o Costalonga (empresa conhecida pela construção de hot rods no País) montou ele perfeitamente.”

Um dos momentos marcantes do colecionador está registrado em foto. “Levei em um dos meus carros o candidato a presidente da República em 1989 Ulysses Guimarães.”

Desde 1978, Caetano compartilha a paixão por veículos antigos com sua mulher, Iracema Elias Moraes Caetano de Barros, 55. “Somos apaixonados por carros”, relata a companheira do colecionador.

Entre as relíquias que Caetano preserva em sua garagem estão um Fusca 1950 alemão, Chevy 33 – esse comprado do ex-piloto Sérgio Marques, Willys 41, dentre outros.

Bairro é conhecido pela tranquilidade de suas ruas

Bairro de alto padrão em São Bernardo, o Parque dos Pássaros exala tranquilidade por suas esquinas. Apesar de ter espalhadas por seu espaço territorial 11 praças, ver moradores pelas vias é algo raro.

Pessoas que passam pelo local afirmam que a população dali evita se expor muito. Aliás, ao lado da associação do bairro, empresa de vigilância garante a segurança dos moradores do Parque dos Pássaros. Quem visita a região pode notar a presença dos guardas por todas as ruas e inclusive ser acompanhado por eles.

Sem comércio, o único atrativo que fica para quem passa pelo bairro é a arquitetura arrojada de suas residências, cada uma com desenho único.

A Praça dos Coleirinhas, na Rua das Corruíras, é o maior espaço verde do Parque dos Pássaros – são 23,6 mil m². Nela há pessoas que aproveitam o arborizado local para fazer atividades físicas, brincar com as crianças ou simplesmente descansar e contemplar o verde. 




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