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Capitalização tem o menor rendimento entre produtos

Especialistas alertam que modalidade não é investimento


Erica Martin
Do Diário do Grande ABC

15/04/2012 | 07:00


Concorrer a prêmios é o fator lúdico que incentiva a compra dos títulos de capitalização. O produto, que possibilita ao consumidor guardar dinheiro e ainda ter a chance de ganhar uma bolada, se for sorteado, pode se transformar no vilão das finanças pessoais daqueles que desconhecem seu funcionamento.

Segundo dados da FenaCap (Federação Nacional de Capitalização), o faturamento do setor, no Estado de São Paulo, foi de R$ 902, 2 milhões em fevereiro. Desse total, R$ 57,5 milhões (6,4%) foram destinados aos prêmios e R$ 623,9 milhões (69%) foi o montante resgatado pelos consumidores. É fato que nem todo o dinheiro volta para os clientes. "O produto tem esse nome porque capitaliza (remunera) a instituição que o emite e não necessariamente quem compra o título", explicou o consultor financeiro Mário Calil.

O dinheiro aplicado é dividido em três partes. Quando o título é de pagamento mensal, a partir do quarto mês de vigência, 70% do montante tem de ser destinado para a formação do capital que será resgatado pelo cliente; 15%, no máximo, para bancar os prêmios do sorteio e outra parte para cobrir os custos do banco com a administração do produto, o que também inclui o lucro. Entretanto, esse percentual varia conforme a instituição.

Portanto, mesmo que o rendimento prometido seja igual ao da poupança, o retorno para o consumidor não será o mesmo, já que nem toda a quantia paga tem incidência de juros. Além disso, os regulamentos dos próprios bancos esclarecem que o cliente só terá de volta o valor que desembolsou caso o resgate do dinheiro aconteça na data de vencimento do título, que geralmente é de 60 meses.

Há diversos exemplos. No banco que oferece um título com vigência de 30 meses, o cliente receberá 80% do valor pago, corrigido pela Taxa Referencial (valor usado para o cálculo de rendimentos como o da poupança), só se esperar o prazo final. Em outro, só a pessoa que ficar com o título por 60 meses ou mais poderá reembolsar o valor integral. Caso a grana seja sacada após um ano de pagamento, a quantia devolvida será de R$ 402, ou seja, 67%, do valor total acumulado de R$ 600.

O professor de Finanças Mário Amigo, que ministra aulas na Fipecafi, Fipe, FIA e Saint Paul Escola de Negócios, lembra que qualquer investimento deve oferecer, no mínimo, a inflação do período (que em 2011 foi de 6,5%). Portanto, a capitalização sequer é considerada uma modalidade para acúmulo de recursos. "Sem a correção da inflação, o mesmo montante de hoje comprará bem menos no futuro." Amigo fez um cálculo para mostrar a desvantagem do produto. Quem paga R$ 50 mensais por um título terá ao fim de cinco anos R$ 3.000 (o mesmo valor desembolsado). Por outro lado, quem depositar o dinheiro na poupança, terá R$ 3.559.

CENÁRIO - Segundo a Fenacap, 40 milhões de brasileiros têm algum dinheiro em títulos. Para efeito de comparação, dados da BM&F Bovespa mostram que há apenas 596 mil investidores na Bolsa, quantia sete vezes menor. Na opinião de Calil, os clientes que buscam os títulos para guardar o dinheiro são mal instruídos pelos funcionários do banco. "As instituições não escondem como funcionam os títulos, mas quando alguém procura por investimentos, o gerente fala de todas as aplicações e diz que também há o título de capitalização, que além de guardar o dinheiro, o cliente poderá concorrer a prêmios. Isso é um equívoco", ressalta.

 

Programar aplicação é opção para quem quer poupar

 

Os consumidores que optam pela capitalização consideram a modalidade um caminho prático para guardar dinheiro. Além de o custo ser baixo - o valor médio que se paga por um título por mês é de R$ 26 -, fica mais fácil criar o hábito de poupar. É o caso do comerciante Everaldo de Oliveira, de 54 anos, que não tem mais título de capitalização, já que o montante foi usado para quitar uma dívida com o banco.

"Se fosse para guardar R$ 100 todo mês na poupança, eu não conseguiria, mas com o título é como se eu tivesse uma prestação. Sou obrigado a pagar por mês", justificou Oliveira. Ele ainda contou que não comprou mais títulos porque do salário mensal não sobra nada para guardar.

Mas o consultor Mauro Calil explica que para os indisciplinados o enlace pode ser facilmente resolvido com os investimentos programados. O cliente autoriza o banco a transferir uma quantia da conta-corrente para um produto financeiro. Um exemplo é a poupança. A Caixa Econômica Federal não exige limite mínimo para começar.

CRESCIMENTO - De acordo com o presidente da Fenacap, Marco Barros, a ascensão da classe C está contribuindo para o avanço do setor de capitalização, que em 2011 faturou R$ 14,1 bilhões em 2011, aumento de 19,6% em relação a 2010. O objetivo é que o mercado dobre de tamanho em quatro anos.

"Primeiro essas pessoas pensam no consumo, que é maior por conta do aumento da renda. Depois elas começam a enxergar a necessidade de proteger seu avanço econômico com um produto financeiro", pontuou o executivo.



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Capitalização tem o menor rendimento entre produtos

Especialistas alertam que modalidade não é investimento

Erica Martin
Do Diário do Grande ABC

15/04/2012 | 07:00


Concorrer a prêmios é o fator lúdico que incentiva a compra dos títulos de capitalização. O produto, que possibilita ao consumidor guardar dinheiro e ainda ter a chance de ganhar uma bolada, se for sorteado, pode se transformar no vilão das finanças pessoais daqueles que desconhecem seu funcionamento.

Segundo dados da FenaCap (Federação Nacional de Capitalização), o faturamento do setor, no Estado de São Paulo, foi de R$ 902, 2 milhões em fevereiro. Desse total, R$ 57,5 milhões (6,4%) foram destinados aos prêmios e R$ 623,9 milhões (69%) foi o montante resgatado pelos consumidores. É fato que nem todo o dinheiro volta para os clientes. "O produto tem esse nome porque capitaliza (remunera) a instituição que o emite e não necessariamente quem compra o título", explicou o consultor financeiro Mário Calil.

O dinheiro aplicado é dividido em três partes. Quando o título é de pagamento mensal, a partir do quarto mês de vigência, 70% do montante tem de ser destinado para a formação do capital que será resgatado pelo cliente; 15%, no máximo, para bancar os prêmios do sorteio e outra parte para cobrir os custos do banco com a administração do produto, o que também inclui o lucro. Entretanto, esse percentual varia conforme a instituição.

Portanto, mesmo que o rendimento prometido seja igual ao da poupança, o retorno para o consumidor não será o mesmo, já que nem toda a quantia paga tem incidência de juros. Além disso, os regulamentos dos próprios bancos esclarecem que o cliente só terá de volta o valor que desembolsou caso o resgate do dinheiro aconteça na data de vencimento do título, que geralmente é de 60 meses.

Há diversos exemplos. No banco que oferece um título com vigência de 30 meses, o cliente receberá 80% do valor pago, corrigido pela Taxa Referencial (valor usado para o cálculo de rendimentos como o da poupança), só se esperar o prazo final. Em outro, só a pessoa que ficar com o título por 60 meses ou mais poderá reembolsar o valor integral. Caso a grana seja sacada após um ano de pagamento, a quantia devolvida será de R$ 402, ou seja, 67%, do valor total acumulado de R$ 600.

O professor de Finanças Mário Amigo, que ministra aulas na Fipecafi, Fipe, FIA e Saint Paul Escola de Negócios, lembra que qualquer investimento deve oferecer, no mínimo, a inflação do período (que em 2011 foi de 6,5%). Portanto, a capitalização sequer é considerada uma modalidade para acúmulo de recursos. "Sem a correção da inflação, o mesmo montante de hoje comprará bem menos no futuro." Amigo fez um cálculo para mostrar a desvantagem do produto. Quem paga R$ 50 mensais por um título terá ao fim de cinco anos R$ 3.000 (o mesmo valor desembolsado). Por outro lado, quem depositar o dinheiro na poupança, terá R$ 3.559.

CENÁRIO - Segundo a Fenacap, 40 milhões de brasileiros têm algum dinheiro em títulos. Para efeito de comparação, dados da BM&F Bovespa mostram que há apenas 596 mil investidores na Bolsa, quantia sete vezes menor. Na opinião de Calil, os clientes que buscam os títulos para guardar o dinheiro são mal instruídos pelos funcionários do banco. "As instituições não escondem como funcionam os títulos, mas quando alguém procura por investimentos, o gerente fala de todas as aplicações e diz que também há o título de capitalização, que além de guardar o dinheiro, o cliente poderá concorrer a prêmios. Isso é um equívoco", ressalta.

 

Programar aplicação é opção para quem quer poupar

 

Os consumidores que optam pela capitalização consideram a modalidade um caminho prático para guardar dinheiro. Além de o custo ser baixo - o valor médio que se paga por um título por mês é de R$ 26 -, fica mais fácil criar o hábito de poupar. É o caso do comerciante Everaldo de Oliveira, de 54 anos, que não tem mais título de capitalização, já que o montante foi usado para quitar uma dívida com o banco.

"Se fosse para guardar R$ 100 todo mês na poupança, eu não conseguiria, mas com o título é como se eu tivesse uma prestação. Sou obrigado a pagar por mês", justificou Oliveira. Ele ainda contou que não comprou mais títulos porque do salário mensal não sobra nada para guardar.

Mas o consultor Mauro Calil explica que para os indisciplinados o enlace pode ser facilmente resolvido com os investimentos programados. O cliente autoriza o banco a transferir uma quantia da conta-corrente para um produto financeiro. Um exemplo é a poupança. A Caixa Econômica Federal não exige limite mínimo para começar.

CRESCIMENTO - De acordo com o presidente da Fenacap, Marco Barros, a ascensão da classe C está contribuindo para o avanço do setor de capitalização, que em 2011 faturou R$ 14,1 bilhões em 2011, aumento de 19,6% em relação a 2010. O objetivo é que o mercado dobre de tamanho em quatro anos.

"Primeiro essas pessoas pensam no consumo, que é maior por conta do aumento da renda. Depois elas começam a enxergar a necessidade de proteger seu avanço econômico com um produto financeiro", pontuou o executivo.

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