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2009 como a gente quiser

Feliz Ano Novo? Pode ser. O Ano Novo da Crise? Pode ser. Com raras exceções, o mundo é o que dele fizemos dele


Carlos Brickmann

31/12/2008 | 00:00


Feliz Ano Novo? Pode ser. O Ano Novo da Crise? Pode ser. Com raras exceções - fenômenos naturais destruidores, por exemplo - o mundo é o que dele fizermos. O minério de ferro pode valer menos dólares, mas continua sendo minério de ferro e virando aço; a soja pode render menos, mas continua sendo soja, continua produzindo um bom óleo vegetal, continua sendo um bom alimento.

Crise? Veja o caro leitor o que é crise: há 420 anos, o rei Felipe 2º, da Espanha e Portugal, as grandes potências da época, apoiava a poderosa minoria católica inglesa na tentativa de derrubar Elizabeth I (ou Isabel, a Rainha Virgem), anglicana. Formou uma imensa frota de guerra, a Invencível Armada, aquartelou seu Exército, o mais forte do mundo, em frente à costa britânica, pronto para invadi-la tão logo os navios ingleses fossem destruídos. Os ingleses venceram; o que restou da Invencível Armada debandou. E a Inglaterra formou o maior império do mundo, que durou mais de 300 anos. Foi sua resposta à crise.

Crise? Veja o caro leitor o que é crise: derrotado na guerra, ocupado militarmente, sem recursos naturais, o Japão buscou na educação, na inteligência e na capacidade de trabalho a resposta à crise. O ferro é brasileiro, o petróleo é árabe, a tecnologia original era americana, mas a tecnologia de hoje, a garantia de qualidade do "made in Japan", as exportações (e as divisas que rende) são japonesas.

Crise? Precisamos de um caminho, de determinação, de disposição para aproveitar oportunidades. Façamos o nosso Ano Novo do jeito que nós quisermos.

ESPIÃO PORTUGUÊS
O cargo de adido policial à Embaixada brasileira em Lisboa foi criado especialmente para acomodar o delegado Paulo Lacerda, que dirigiu a Polícia Federal e a Abin e se complicou na Operação Satiagraha, em que Daniel Dantas foi preso.

FALA-SE PORTUGUÊS
O Brasil tem usado Portugal para livrar-se de personagens indesejáveis na política interna e que não falam outras línguas. O general Carlos Alberto Fontoura, chefe do SNI, o serviço secreto da ditadura, poderia opor-se ao futuro presidente Geisel; virou embaixador em Lisboa. Mandaram para lá o deputado Paes de Andrade, do PMDB cearense - que, quando ocupou por uns dias a Presidência, lotou um Boeing oficial e foi à sua cidade, Mombaça, para se mostrar aos vizinhos.

RECORDANDO
No caso Dantas, um dos episódios mais interessantes foi a descoberta de um espião português, que tinha página e perfil no Orkut. Seu nome: Tiago Verdial.

DANTAS AL MARE
E, já que falamos em Satiagraha, uma nova história do banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity e de coisas pouco claras. O grupo de Dantas é majoritário no terminal de contêineres Santos-Brasil, no porto de Santos, SP. Lá, a Codesp, que comanda a área de portos, decidiu lançar o projeto Barnabé-Bagres, um novo porto para 50 navios. E a Santos-Brasil, gentilmente, se ofereceu para elaborar o projeto de viabilidade - embora seja uma das interessadas na área. O valor da obra é R$ 10 bilhões. No projeto, estabelece-se que quem a construir terá de pagar 2% à Santos-Brasil. Coisa pequena: R$ 200 milhões. Os concorrentes protestaram e a Codesp permitiu que outras duas empresas, a Libra e a Triunfo, também elaborem seus projetos. Mas a Santos-Brasil saiu bem à frente.

PÉS NO CHÃO
O projeto Embraport, já em obras, mais o Terminal Brasil, mais a expansão da própria Santos-Brasil (que ganhou de presente da Codesp, totalmente de graça, um terreno de 160 mil m² em área nobre - caso que é investigado pelo Ministério Público), mais a modernização do porto, abrem espaço para outro milhão de contêineres por ano. Os três milhões de hoje passam a quatro. Há espaço sobrando para mais dez anos. Novo terminal para quê? Quem vai ganhar com isso?



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2009 como a gente quiser

Feliz Ano Novo? Pode ser. O Ano Novo da Crise? Pode ser. Com raras exceções, o mundo é o que dele fizemos dele

Carlos Brickmann

31/12/2008 | 00:00


Feliz Ano Novo? Pode ser. O Ano Novo da Crise? Pode ser. Com raras exceções - fenômenos naturais destruidores, por exemplo - o mundo é o que dele fizermos. O minério de ferro pode valer menos dólares, mas continua sendo minério de ferro e virando aço; a soja pode render menos, mas continua sendo soja, continua produzindo um bom óleo vegetal, continua sendo um bom alimento.

Crise? Veja o caro leitor o que é crise: há 420 anos, o rei Felipe 2º, da Espanha e Portugal, as grandes potências da época, apoiava a poderosa minoria católica inglesa na tentativa de derrubar Elizabeth I (ou Isabel, a Rainha Virgem), anglicana. Formou uma imensa frota de guerra, a Invencível Armada, aquartelou seu Exército, o mais forte do mundo, em frente à costa britânica, pronto para invadi-la tão logo os navios ingleses fossem destruídos. Os ingleses venceram; o que restou da Invencível Armada debandou. E a Inglaterra formou o maior império do mundo, que durou mais de 300 anos. Foi sua resposta à crise.

Crise? Veja o caro leitor o que é crise: derrotado na guerra, ocupado militarmente, sem recursos naturais, o Japão buscou na educação, na inteligência e na capacidade de trabalho a resposta à crise. O ferro é brasileiro, o petróleo é árabe, a tecnologia original era americana, mas a tecnologia de hoje, a garantia de qualidade do "made in Japan", as exportações (e as divisas que rende) são japonesas.

Crise? Precisamos de um caminho, de determinação, de disposição para aproveitar oportunidades. Façamos o nosso Ano Novo do jeito que nós quisermos.

ESPIÃO PORTUGUÊS
O cargo de adido policial à Embaixada brasileira em Lisboa foi criado especialmente para acomodar o delegado Paulo Lacerda, que dirigiu a Polícia Federal e a Abin e se complicou na Operação Satiagraha, em que Daniel Dantas foi preso.

FALA-SE PORTUGUÊS
O Brasil tem usado Portugal para livrar-se de personagens indesejáveis na política interna e que não falam outras línguas. O general Carlos Alberto Fontoura, chefe do SNI, o serviço secreto da ditadura, poderia opor-se ao futuro presidente Geisel; virou embaixador em Lisboa. Mandaram para lá o deputado Paes de Andrade, do PMDB cearense - que, quando ocupou por uns dias a Presidência, lotou um Boeing oficial e foi à sua cidade, Mombaça, para se mostrar aos vizinhos.

RECORDANDO
No caso Dantas, um dos episódios mais interessantes foi a descoberta de um espião português, que tinha página e perfil no Orkut. Seu nome: Tiago Verdial.

DANTAS AL MARE
E, já que falamos em Satiagraha, uma nova história do banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity e de coisas pouco claras. O grupo de Dantas é majoritário no terminal de contêineres Santos-Brasil, no porto de Santos, SP. Lá, a Codesp, que comanda a área de portos, decidiu lançar o projeto Barnabé-Bagres, um novo porto para 50 navios. E a Santos-Brasil, gentilmente, se ofereceu para elaborar o projeto de viabilidade - embora seja uma das interessadas na área. O valor da obra é R$ 10 bilhões. No projeto, estabelece-se que quem a construir terá de pagar 2% à Santos-Brasil. Coisa pequena: R$ 200 milhões. Os concorrentes protestaram e a Codesp permitiu que outras duas empresas, a Libra e a Triunfo, também elaborem seus projetos. Mas a Santos-Brasil saiu bem à frente.

PÉS NO CHÃO
O projeto Embraport, já em obras, mais o Terminal Brasil, mais a expansão da própria Santos-Brasil (que ganhou de presente da Codesp, totalmente de graça, um terreno de 160 mil m² em área nobre - caso que é investigado pelo Ministério Público), mais a modernização do porto, abrem espaço para outro milhão de contêineres por ano. Os três milhões de hoje passam a quatro. Há espaço sobrando para mais dez anos. Novo terminal para quê? Quem vai ganhar com isso?

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