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Chama expõe risco no Multishop


Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

18/02/2006 | 08:44


Depois do incêndio que destruiu parte do Multishop – centro de compras popular na avenida Robert Kennedy, em São Bernardo –, no último dia 6, lojistas e clientes levaram outro susto na quinta, quando um curto-circuito fez surgir uma labareda em fiação na área da praça de fast-food, em pleno horário de almoço. Segundo Helcio Denis, proprietário de uma cafeteria na área que se salvou do incêndio ocorrido no início do mês, ao ver a chama, ele correu para pedir ajuda ao pessoal da segurança, mas até 15 minutos depois não teria aparecido ninguém treinado para conter o fogo. Denis conta que, então, pegou um extintor, subiu em uma mesa e apagou o que seria o princípio de um novo incêndio. A administração do shopping contesta parcialmente a versão do comerciante.

“Foi só um curto-circuito, sem fogo, e não haveria qualquer risco de voltar a ocorrer incêndio porque os disjuntores foram imediatamente desligados pelo segurança na ocasião. Só surgiu um pouco de fumaça. E nossos seguranças são treinados por empresa especializada para agir nesses casos. Foi o lojista que fez escândalo por nada”, disse Milton Roberto Tomé, sem explicar, no entanto, porque ninguém agiu no local antes do comerciante. Segundo Denis, o shopping não tem Brigada de Incêndio e, por ocasião do curto-circuito, não havia ninguém apto a lidar com o problema no local.

“Eu vi uma chama nos fios do teto e o rapaz da cafeteria apagando o fogo logo depois. Só depois de certo tempo, apareceu uma pessoa de avental branco com o logotipo do shopping. Não houve pânico, mas algumas mulheres que estavam sentadas na praça de alimentação se assustaram e foram embora”, conta Milton Beanuci, vendedor que atendia clientes no local no horário do incidente, na última quinta-feira.

O dono da cafeteria tentou registrar um boletim de ocorrência no 3º DP de São Bernardo, mas não conseguiu. “Fui aconselhado pela polícia a procurar a Defesa Civil, mas, em contato com o setor, me disseram que a área nada tem a ver com o assunto e indicaram os Bombeiros. Só quero saber se realmente liberaram essa área para trabalharmos porque vejo muitos riscos”, observou Denis.

O Diário constatou em visita ao local que a área em operação – espaço que não foi atingido pelo incêndio de 12 dias atrás, o qual consumiu 31 boxes e deixou outros 32 chamuscados – não tem saídas de emergência. Já o hidratante do espaço está nos fundos de um box, em lugar extremamente apertado e de difícil acesso. Questionado, o administrador Milton Tomé não comentou esses problemas de segurança. “Os bombeiros liberaram o shopping no mesmo dia do incêndio, com aval do capitão Toller. A área atingida já está sendo reformada”, afirmou.

O capitão Toller, do 8º Grupamento de Bombeiros, em São Bernardo, não foi encontrado nesta sexta para confirmar a informação. Mas, o capitão Roberto Nauheimer, do mesmo grupamento, contesta a informação de Milton Tomé. “A nossa função é atender ao sinistro e acionar os demais órgãos. Os bombeiros não têm poder para interditar nem reabrir shopping nesses casos. E, aliás, o centro comercial deve manter o layout aprovado por ocasião da construção do prédio. Se pretendem fazer alterações de espaços e equipamentos, devem solicitar nova vistoria nossa, coisa que não foi pedida. Um engenheiro da Defesa Civil é que teria essa incumbência de liberar uma área para operação”, explica Nauheimer.

Em nota, a Prefeitura informou nesta sexta que é a Secretaria de Obras o setor responsável pela fiscalização. Entretanto, ainda de acordo com a Prefeitura, a área não foi contatada pela administração do Multishop, portanto, o espaço do shopping em funcionamento não teria sido liberado pela administração municipal. A nota da Prefeitura sugere que o setor seja acionado no Poupatempo (rua Nicolau Filizola, 100, Centro).

Novos boxes – Foram locados 16 novos espaços no Multishop após o incêndio. A seguradora do Multishop ainda está avaliando os prejuízos e o laudo do IC (Instituto de Criminalística) só deve sair no início do próximo mês. Na cafeteria de Helcio Denis, por exemplo, as paredes racharam e parte do teto desabou após o incêndio, embora a loja não esteja na área efetivamente atingida pelo fogo.

A maioria dos novos lojistas recusa-se a dar declarações. Muitos deles não acreditam que correm riscos. “Acho que aquele curto não provocaria incêndio”, disse uma lojista identificada apenas como Andrea. “Falei pessoalmente com o capitão Toller, que me disse que aquele curto poderia sim ter provocado incêndio. Como podem não perceber que estamos confinados aqui em caso de incêndio?”, questiona o comerciante Denis.

Colaborou Angela Martins.



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