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África na volta dos seminários


Ricardo Lísias
Especial para o Diário

08/08/2007 | 07:01


O novo ciclo dos Seminários Avançados sobre a Literatura Universal Contemporânea, que começa no próximo sábado (dia 11), na Casa da Palavra, em Santo André, irá tratar das literaturas africanas de língua portuguesa. Chama atenção, logo a princípio, o plural do título: por que não escrever simplesmente literatura africana?

No caso, o uso do plural serve para justificar uma multiplicidade de vozes e fatores que fazem crer que estamos diante de tradições distintas.

Além disso, o plural serve também para demarcar um dos maiores problemas teóricos quando o assunto é a literatura praticada no continente africano: a constituição das nações. São cinco os países africanos que, hoje, falam a língua portuguesa: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Todos tiveram o processo de independência concluído recentemente (há menos de quarenta anos). Antes, viviam em uma situação de colônia, cuja divisão interna reproduzia o sistema tribalista.

Sem dúvida, um dos pilares básicos da modernidade, que estamos investigando desde o primeiro ciclo de seminários, é o conceito de nação e o próprio sentimento nacionalista – origem de muitas das grandes tragédias recentes, inclusive.

Na África, o sentimento nacionalista é muito recente e subsiste mesclado à fidelidade tribal, o que traz um problema imediato: sua literatura não pode, stricto sensu, ser então enquadrada no processo de constituição da modernidade.

Quando Angola tornou-se livre e pôde constituir-se como nação, em 1975, a modernidade já estava em crise. Pode-se argumentar, nesse sentido, que os sangrentos processos de descolonização constituíram um sinal do esgotamento dos princípios modernos.

Os países africanos, sobretudo os localizados ao sul do Saara (conhecidos como “África Negra”) constituiriam, então, um lugar periférico. Talvez isso possa ser verdade para, por exemplo, o território que constitui a África do Sul.

Para os países africanos de língua portuguesa, porém, a posição de periferia da modernidade (a que seria ocupada, por exemplo, pela América Latina) não é exatamente tão segura, já que todos foram colonizados por uma nação européia, Portugal, que ocupava, ela mesma, um lugar periférico.

Ainda assim, será preciso observar diversas outras particularidades: a emergência de uma espécie de guerra-fria nesses territórios, inaugurada quando o próprio comunismo entrava na crise que o condenaria à derrocada de 1989. Sempre como pano de fundo, a estrutura tribal que complica qualquer análise.

O objetivo desse novo ciclo de seminários será o de apresentar as literaturas africanas de língua portuguesa.

Para o primeiro encontro, apresentaremos um resumo da constituição dessas cinco nações, observando pontos históricos relevantes e já contextualizando os autores que deveremos analisar.

Com uma história turbulenta e uma sociedade rica em mitos e tradições orais, a literatura praticada no continente africano começa a ocupar um espaço cada vez maior no mundo ocidental. São essas as questões que pretenderemos tratar a partir do próximo sábado.

Os Seminários Avançados sobre a Literatura Universal Contemporânea são uma iniciativa conjunta da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Santo André, da Escola Livre de Literatura, do Centro Universitário Fundação Santo André e da Casa da Palavra, com apoio do Diário.

Iniciados em agosto de 2005, já ultrapassam 4.000 participantes. Os textos de orientação, publicados no jornal impresso, permanecem disponíveis para consulta no site.

Ricardo Lísias, 31 anos, é mestre em Literatura e História pela Unicamp e doutor em Literatura Brasileira pela USP. É escritor, ensaísta e professor. Escreveu, entre outros títulos, Dos Nervos (Hedras, 2004), Duas Praças (Globo, 2005) e Anna O. e suas Histórias (Globo, 2007).

Programação

Sábado (11) - História dos países africanos de língua portuguesa, a constituição das nações;

25/8 - Literatura brasileira e a literatura portuguesa nos países africanos de língua portuguesa;

15/9 - Impacto dos processos de descolonização da África na literatura portuguesa: Esplendor de Portugal, de Antonio Lobo Antunes;

29/9 - Os flagelados do Vento Leste, de Manuel Lopes;

6/10 - Obra de Luandino Vieira;

20/10 - Obra de Mia Couto;

10/11 - Poesia de José Craveirinha e Agostinho Neto;

1/12 - A obra de Pepetela.

Serviço: Aos sábados, das 15h às 17h (palestra) e das 17h às 18h (debate). Na Casa da Palavra – Pça. do Carmo, 171, Santo André, tel.: 4992-7218. Entrada franca.

Site: www.dgabc.com.br



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