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Traficantes colombianos se passam por cidadaos comuns


Do Diário do Grande ABC

30/10/1999 | 12:36


Eles já nao usam grossas correntes de ouro, nem enormes anéis de diamante ou esmeraldas. Tao pouco viajam em carros luxuosos, nem andam protegidos por exércitos de pistoleiros. Agora têm aparência de banqueiros, executivos ou homens de negócio.

Este era o aspecto que tinham 29 dos novos líderes do narcotráfico quando foram apresentados na roda de presos pela polícia de Bogotá, em 13 de outubro passado, depois de serem capturados na chamada Operaçao Milênio, acusados de enviar aos mercados dos Estados Unidos e Europa até 30 toneladas de cocaína mensalmente.

''Os narcotraficantes mudaram. Agora sao mais discretos, nao fazem ostentaçao de poder e opulência e se misturam ao povo como cidadaos comuns``, disse o general Alfredo Salgado, diretor de operaçao da Polícia Nacional. ``Por isso a polícia tem que fazer outro tipo de inteligência para localizá-los``, acrescentou o general Salgado em entrevista à AP.

A mesma percepçao tem o prefeito de Medellín, Juan Gómez Martínez, um sobrevivente da luta contra o narcoterrorismo. Sua casa foi quase totalmente destruída com explosivos, em 16 de dezembro de 1996, em um atentado dos narcotraficantes do cartel de Medellín que deixou um morto e 48 feridos, inclusive um filho do prefeito.

``Os narcotraficantes de neste sábado nao fazem ostentaçao, como em anos passados. Já nao se mostram como anteriormente. Adotaram um perfil mais modesto e andam escondidos``, disse Gómez Martínez, que cumpre um segundo mandato como prefeito de Medellín, a segunda cidade da Colômbia, que foi devastada com carros-bombas por Pablo Escobar e seus terroristas do cartel de Medellín, em plena guerra contra a extradiçao no final da década de 80.

Gómez Martínez, em seu primeiro período como prefeito, afrontou a arremetida terrorista do cartel, mas crê que agora houve mudança na forma de atuaçao dos narcotraficantes. ''Tive informaçoes de que eles estariam se organizando outra vez em Medellín``, afirmou. Na Operaçao Milênio vários narcotraficantes caíram em Medellín, entre eles, Fabio Ochoa Vásquez, que foi um dos líderes do cartel de Medellín e se entregou à justiça para cumprir sentença reduzida de cinco anos.

``Eles estao escondidos e devem estar assustados com a operaçao realizada nos últimos dias. Isso dificulta a açao das autoridades, mas acredito muito na polícia e no exército``, disse o prefeito.

Há temores de que os narcotraficantes apelem outra vez para carros carregados com explosivos ou com assassinatos, já que 42 deles aguardam a hora de serem extraditados para os Estados Unidos. O presidente Andrés Pastrana prometeu enviá-los tao logo obtenha a autorizaçao da Corte Suprema de Justiça.

Segundo dados oficiais, a cada ano, saem da Colômbia mais de 500 toneladas de cocaína, das quais apenas 25% ficam em poder das autoridades, antes de serem enviadas aos Estados Unidos e Europa. No último ano foram confiscadas 44 toneladas de cocaína pura e pasta de coca e outras 131 toneladas de folha de coca, segundo estatísticas da polícia.

A produçao e exportaçao de heroína também está no auge. No último ano foram confiscadas 583 quilos de heroína e ópio e 50 toneladas de maconha. A polícia estima que conseguiu evitar a produçao de 58 toneladas de heroína nos últimos dez anos com a erradicaçao de plantaçoes e destruiçao de laboratórios clandestinos.



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