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Crise deve conter
crescimento do Brasil


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

10/10/2011 | 07:11


O cenário de endividamento de países europeus como a Grécia, Espanha, Itália e Portugal acendeu o sinal de alerta em relação à possibilidade de mais um capítulo da crise global de crédito, que estourou no fim de 2008. Há consenso entre economistas ouvidos pelo Diário de que, se esse quadro se agravar, o Brasil não ficará imune e que uma das consequências prováveis será, pelo menos, um crescimento mais tímido da economia no ano que vem.

A questão é complexa e muitos analistas têm dificuldade de fazer previsões, em função das incertezas: se a Grécia (que é o país em pior situação, com endividamento calculado em 350 bilhões de euros ou R$ 840 bilhões) der o calote, isso pode gerar um efeito dominó, arrastando outras economias com problemas semelhantes. Por enquanto, a União Europeia tem se mobilizado para salvar esse país, com o apoio, principalmente, dos alemães, que são os principais credores.

A intenção é que não se repita o que aconteceu em 2008, quando, por problemas de inadimplência no setor imobiliário nos Estados Unidos, instituições que faziam empréstimos (por meio de hipotecas) na área quebraram, arrastando consigo grandes bancos. Segundo o delegado do Conselho Regional de Economia no Grande ABC, Leonel Tinoco, se não houver socorro aos países europeus, a situação crítica pode se espalhar, de novo, pelo setor financeiro. "Seria mais grave do que a de 2008", afirma.

Para a chefe do Centro de Economia Internacional do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas, Lia Vallas, o endividamento grego é grande e precisa ser resolvido, de alguma forma. "Ninguém imagina que os gregos vão conseguir pagar (a dívida). Ou decreta moratória ou faz renegociação, o que seria melhor", diz. E sobre a possibilidade de a crise atingir o Brasil, Lia avalia que um menor crescimento econômico do país para o ano de 2012 já é esperado. "O tamanho do respingo irá depender da proporção da crise europeia", diz.

A situação problemática envolve não apenas o mercado europeu, mas também os Estados Unidos, que estão estagnados. "Estamos falando de 30% a 35% da economia mundial, o Brasil não tem como passar imune desse processo, da mesma maneira como em 2008", explica o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial Júlio Gomes de Almeida, que projeta crescimento para o Brasil na faixa de 2,5% em 2012, por causa dessa nova maré de dificuldades. Ele acrescenta que esse nível de expansão é ruim, porque o País precisa incorporar gente no mercado de trabalho e ampliar a renda per capita, que ainda é baixa: US$ 12 mil ao ano, enquanto em países desenvolvidos gira em US$ 20 mil ao ano. Nos Estados Unidos, supera os US$ 40 mil anualmente.

 

Apesar do quadro complicado de endividamento em vários países da Europa, como a Grécia, que se decretar moratória, pode gerar problemas em grandes bancos credores - o que provocaria o encolhimento do crédito no mundo todo -, o Brasil segue com bons fundamentos econômicos, como em 2008. Como vantagens, o País tem um sistema financeiro sólido, um setor público com boas contas - o País tem US$ 350 bilhões em reservas cambiais, que são títulos mantidos no Exterior, que servem como um colchão para controle do câmbio e contra ataques especulativos - e dívida baixa da população, na comparação com outros mercados. "A relação dívida versus PIB (Produto Interno Bruto) é bastante razoável, gira em 42% do PIB", assinala o professor Manuel Enriquez Garcia, da Faculdade de Economia e Administração, da USP, e presidente da Ordem dos Economistas do Brasil.

Além disso, a estabilidade inflacionária e o ajuste das contas públicas, no ambiente de crise global, seguem atraindo investimento direto estrangeiro, assinala o coordenador do curso de Economia da Universidade Municipal de São Caetano, Francisco Funcia. Com isso, ele avalia que há espaço para a continuidade da expansão do mercado interno. Funcia acrescenta que é normal esse reflexo rápido do que ocorre lá fora. "No último quarto do século passado, o processo de globalização foi intenso, e todas as economias, em especial as que têm livre mercado, têm interconexão", observa.

 

DEVAGAR

Garcia cita que o risco de calote grego já traz incertezas, que começam a refletir no Brasil. "A crise vem devagar, como uma onda que vai crescendo", afirma. Como exemplo disso, houve a recente valorização do dólar frente ao real, que mostra a corrida dos aplicadores estrangeiros na direção de uma aplicação mais segura - apesar do ligeiro rebaixamento da classificação dos títulos públicos dos Estados Unidos, o país segue como um porto seguro. Com isso, a moeda norte-americana, que em julho chegou a R$ 1,55 foi subindo e, chegou à faixa de R$ 1,89 no início deste mês.

Pelo mesmo motivo, há a fuga de capitais de mercados emergentes, como o Brasil, o que gera um movimento de queda da Bolsa de Valores de São Paulo. É o que se verifica. Em outubro do ano passado, o Índice Bovespa (que mede a cotação das ações das princpais empresas cotadadas na Bolsa) estava em 71.560 pontos e, neste mês, chegou a 51.243. "Existe um pânico de curto prazo; quem tem dinheiro em bolsa precisa ter paciência", adverte o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.



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Crise deve conter
crescimento do Brasil

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

10/10/2011 | 07:11


O cenário de endividamento de países europeus como a Grécia, Espanha, Itália e Portugal acendeu o sinal de alerta em relação à possibilidade de mais um capítulo da crise global de crédito, que estourou no fim de 2008. Há consenso entre economistas ouvidos pelo Diário de que, se esse quadro se agravar, o Brasil não ficará imune e que uma das consequências prováveis será, pelo menos, um crescimento mais tímido da economia no ano que vem.

A questão é complexa e muitos analistas têm dificuldade de fazer previsões, em função das incertezas: se a Grécia (que é o país em pior situação, com endividamento calculado em 350 bilhões de euros ou R$ 840 bilhões) der o calote, isso pode gerar um efeito dominó, arrastando outras economias com problemas semelhantes. Por enquanto, a União Europeia tem se mobilizado para salvar esse país, com o apoio, principalmente, dos alemães, que são os principais credores.

A intenção é que não se repita o que aconteceu em 2008, quando, por problemas de inadimplência no setor imobiliário nos Estados Unidos, instituições que faziam empréstimos (por meio de hipotecas) na área quebraram, arrastando consigo grandes bancos. Segundo o delegado do Conselho Regional de Economia no Grande ABC, Leonel Tinoco, se não houver socorro aos países europeus, a situação crítica pode se espalhar, de novo, pelo setor financeiro. "Seria mais grave do que a de 2008", afirma.

Para a chefe do Centro de Economia Internacional do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas, Lia Vallas, o endividamento grego é grande e precisa ser resolvido, de alguma forma. "Ninguém imagina que os gregos vão conseguir pagar (a dívida). Ou decreta moratória ou faz renegociação, o que seria melhor", diz. E sobre a possibilidade de a crise atingir o Brasil, Lia avalia que um menor crescimento econômico do país para o ano de 2012 já é esperado. "O tamanho do respingo irá depender da proporção da crise europeia", diz.

A situação problemática envolve não apenas o mercado europeu, mas também os Estados Unidos, que estão estagnados. "Estamos falando de 30% a 35% da economia mundial, o Brasil não tem como passar imune desse processo, da mesma maneira como em 2008", explica o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial Júlio Gomes de Almeida, que projeta crescimento para o Brasil na faixa de 2,5% em 2012, por causa dessa nova maré de dificuldades. Ele acrescenta que esse nível de expansão é ruim, porque o País precisa incorporar gente no mercado de trabalho e ampliar a renda per capita, que ainda é baixa: US$ 12 mil ao ano, enquanto em países desenvolvidos gira em US$ 20 mil ao ano. Nos Estados Unidos, supera os US$ 40 mil anualmente.

 

Apesar do quadro complicado de endividamento em vários países da Europa, como a Grécia, que se decretar moratória, pode gerar problemas em grandes bancos credores - o que provocaria o encolhimento do crédito no mundo todo -, o Brasil segue com bons fundamentos econômicos, como em 2008. Como vantagens, o País tem um sistema financeiro sólido, um setor público com boas contas - o País tem US$ 350 bilhões em reservas cambiais, que são títulos mantidos no Exterior, que servem como um colchão para controle do câmbio e contra ataques especulativos - e dívida baixa da população, na comparação com outros mercados. "A relação dívida versus PIB (Produto Interno Bruto) é bastante razoável, gira em 42% do PIB", assinala o professor Manuel Enriquez Garcia, da Faculdade de Economia e Administração, da USP, e presidente da Ordem dos Economistas do Brasil.

Além disso, a estabilidade inflacionária e o ajuste das contas públicas, no ambiente de crise global, seguem atraindo investimento direto estrangeiro, assinala o coordenador do curso de Economia da Universidade Municipal de São Caetano, Francisco Funcia. Com isso, ele avalia que há espaço para a continuidade da expansão do mercado interno. Funcia acrescenta que é normal esse reflexo rápido do que ocorre lá fora. "No último quarto do século passado, o processo de globalização foi intenso, e todas as economias, em especial as que têm livre mercado, têm interconexão", observa.

 

DEVAGAR

Garcia cita que o risco de calote grego já traz incertezas, que começam a refletir no Brasil. "A crise vem devagar, como uma onda que vai crescendo", afirma. Como exemplo disso, houve a recente valorização do dólar frente ao real, que mostra a corrida dos aplicadores estrangeiros na direção de uma aplicação mais segura - apesar do ligeiro rebaixamento da classificação dos títulos públicos dos Estados Unidos, o país segue como um porto seguro. Com isso, a moeda norte-americana, que em julho chegou a R$ 1,55 foi subindo e, chegou à faixa de R$ 1,89 no início deste mês.

Pelo mesmo motivo, há a fuga de capitais de mercados emergentes, como o Brasil, o que gera um movimento de queda da Bolsa de Valores de São Paulo. É o que se verifica. Em outubro do ano passado, o Índice Bovespa (que mede a cotação das ações das princpais empresas cotadadas na Bolsa) estava em 71.560 pontos e, neste mês, chegou a 51.243. "Existe um pânico de curto prazo; quem tem dinheiro em bolsa precisa ter paciência", adverte o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

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