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Araújo diz que Brasil 'suporta' bem a pandemia apesar de colapso na saúde



05/03/2021 | 23:14


Com recorde de casos de covid-19 e hospitais entrando em colapso, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou a americanos nesta sexta-feira, 5, que o sistema de saúde brasileiro está "suportando bem" a pandemia do novo coronavírus.

Araújo diz a americanos que Brasil ''suporta'' bem a pandemia, apesar de colapso hospitalar

"O sistema de saúde está sob estresse, mas está suportando bem. Há falta de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) em alguns Estados, mas no geral o sistema está suportando bem", disse Araújo, em evento virtual promovido pelo Conselho das Américas, entidade fundada por banqueiros americanos.

A afirmação do chanceler se choca com dados de entidades federais. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ao longo de toda a pandemia nunca houve um cenário como o atual no sistema de saúde nacional, com a maioria dos Estados e o Distrito Federal na zona de "alerta crítico".

O governo federal e os Estados correm para tentar reabrir leitos de UTI e hospitais de campanha, que vinham sendo fechados desde o fim do ano passado. Governadores de 14 Estados disseram em carta que os sistemas locais de saúde operam "no limite" da capacidade e cobraram celeridade na vacinação. Há restrições de circulação e funcionamento de atividades comerciais em diversas capitais e centros urbanos.

Os números de casos e mortes por covid-19 bateram recordes nesta semana. Na quarta-feira, a quantidade de pessoas que morreram em 24 horas chegou ao pico de 1.840, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa. Ao todo, o País contabiliza mais de 260 mil mortos.

Sem citar dados que corroboram sua afirmação, Araújo disse que a alta é "aparentemente normal" após o início da vacinação e afirmou que o Brasil deve se aproximar de uma queda em até três semanas. Ele disse que a vacinação no País, cuja demora e escassez de doses causam desgastes políticos ao presidente Jair Bolsonaro, só deve ser considerada "lenta" se comparada a nações como os Estados Unidos e Israel. Ele não citou dados de doses.

"Aparentemente, é normal uma alta de casos após o início da vacinação forte e eles caem de forma abrupta. Talvez estejamos a duas ou três semanas desse ponto de queda, se você olhar a curva de outros países", disse o chanceler. "A vacinação está acelerando, gostaríamos que fosse mais rápida. Está lenta se comparada com EUA ou Israel, mas não tão lenta se comparada com a Europa. Países europeus já vacinaram 5% da população, e no Brasil vacinamos cerca de 4%, com os desafios logísticos que temos. Os números (de vacinados) vão aumentar nas próximas semanas."

O ministro disse ainda que casos de infecção por mutações do novo coronavírus também devem cair. A variante do coronavírus originada em Manaus no fim de 2020 já é predominante na Grande São Paulo, segundo estudo feito pela rede Dasa de laboratórios em parceria com cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP). Essa variante e outras duas, detectadas no Reino Unido e na África do Sul, são já predominantes no Ceará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, segundo o Observatório Covid-19 da Fiocruz.

"Essa mistura da queda de casos, inclusive da nova variante que aparentemente está seguindo essa mesma curva, vacinação e o retorno à vida normal, o crescimento econômico vai regressar, a confiança das pessoas vai voltar", disse Araújo.

O chanceler também afirmou que há "pressão popular" contra os decretos restritivos que impõem o distanciamento social, determinados pelos governadores. As manifestações contra as restrições contam com o apoio do presidente Bolsonaro, que critica governadores pelas perdas de empregos e diz que não haveria lockdown se dependesse dele. A medida é recomendada por autoridades sanitárias como forma de se evitar a propagação rápida da doença e o colapso no sistema hospitalar.

"É claro que as pessoas querem ser vacinadas, mas querem também voltar a trabalhar. Há forte pressão popular para que não haja ou para que acabem os lockdowns decretados por governadores", disse o chanceler. "O sentimento popular é que precisamos voltar ao trabalho assim que tivermos uma vacinação decente, nós temos, mas com a vacinação mostrando que diminui os casos, as coisas vão melhorar, tenho certeza, em algumas semanas."

Biden

O ministro foi convidado a falar sobre a relação e a agenda Brasil-EUA a partir deste ano, após a derrota do ex-presidente Donald Trump, político republicano que Bolsonaro apoiava. Apesar de Bolsonaro ter aventado sem provas fraude na eleição do presidente Joe Biden e criticado posições do democrata, Araújo disse que "nada mudou" para o governo brasileiro após a posse dele, em 20 de janeiro.

"Nada mudou para nós em 20 de janeiro", disse o chanceler. Para Araújo, faz todo o sentido que os países continuem a trabalhar juntos por interesses econômicos comuns, visões de mundo, valores manifestados pelos presidentes e a necessidade de lutar contra o crime organizado e contra ameaças à democracia na região e no mundo. "Vamos trabalhar juntos e estar juntos em tudo com o governo Biden, como antes. Porque é o natural a se fazer, na nossa visão."

O ministro disse que o governo brasileiro tem expectativa de que Bolsonaro e Biden mantenham uma reunião bilateral, num encontro que ainda não tem data para ocorrer. "Temos esperança. Eles têm as mesmas iniciais, J.B. e J.B. A relação pode ser muito boa no nível presidencial e é importante que seja assim. Temos a mesma abordagem para o que é fundamental. Isso ficou claro na carta que o presidente Bolsonaro mandou ao presidente Biden, e na carta que Biden mandou a Bolsonaro nesta semana. Os pilares desse prédio estão lá: democracia, prosperidade e valores são os mesmos. Só vejo uma boa perspectiva na interação pessoal."

O chanceler afirmou que os dois presidentes são pragmáticos e têm "coragem política" de tomar decisões difíceis, além de "apoio popular". Ele citou o recorde de votos recebidos por Biden e Bolsonaro nas respectivas eleições como outra "coincidência" entre eles, embora o brasileiro tenha contestado a vitória do americano, em apoio a alegações de fraude do "amigo" Trump.

Araújo disse que a pauta climática, que opõe os presidentes e causou divergências públicas e bate-boca na campanha eleitoral dos EUA, não é mais um obstáculo no caminho e já começou a ser trabalhada. Ele citou como exemplo a reunião virtual realizada com o enviado especial de Biden para mudanças climáticas, John Kerry, no mês passado. Os países discutem o Acordo de Paris, a ser implementado na Cúpula do Clima (COP-26), e a participação brasileira na Cúpula da Terra, em abril, convocada por Biden. O Brasil cobra mais financiamento por parte de países ricos.

"Estaremos absolutamente juntos no clima", afirmou o ministro. "As conversas que eu e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tivemos com Kerry e os trabalhos técnicos posteriores em andamento mostram que podemos trabalhar como parceiros-chave para uma COP 26 de sucesso e a implementação completa de instrumentos de acordos climáticos. Não há diferenças filosóficas, há diferenças de abordagens sobre como fazer as coisas, mas no geral há disposição para cooperação em relação ao desmatamento, disposição de investimento significativo em desenvolvimento sustentável na Amazônia, por exemplo. Algo que era tratado talvez como impedimento à continuidade de uma aliança está totalmente fora do caminho, estamos trabalhando juntos nessa área. Estamos convergindo, talvez com instrumentos diferentes."



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Araújo diz que Brasil 'suporta' bem a pandemia apesar de colapso na saúde


05/03/2021 | 23:14


Com recorde de casos de covid-19 e hospitais entrando em colapso, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou a americanos nesta sexta-feira, 5, que o sistema de saúde brasileiro está "suportando bem" a pandemia do novo coronavírus.

Araújo diz a americanos que Brasil ''suporta'' bem a pandemia, apesar de colapso hospitalar

"O sistema de saúde está sob estresse, mas está suportando bem. Há falta de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) em alguns Estados, mas no geral o sistema está suportando bem", disse Araújo, em evento virtual promovido pelo Conselho das Américas, entidade fundada por banqueiros americanos.

A afirmação do chanceler se choca com dados de entidades federais. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ao longo de toda a pandemia nunca houve um cenário como o atual no sistema de saúde nacional, com a maioria dos Estados e o Distrito Federal na zona de "alerta crítico".

O governo federal e os Estados correm para tentar reabrir leitos de UTI e hospitais de campanha, que vinham sendo fechados desde o fim do ano passado. Governadores de 14 Estados disseram em carta que os sistemas locais de saúde operam "no limite" da capacidade e cobraram celeridade na vacinação. Há restrições de circulação e funcionamento de atividades comerciais em diversas capitais e centros urbanos.

Os números de casos e mortes por covid-19 bateram recordes nesta semana. Na quarta-feira, a quantidade de pessoas que morreram em 24 horas chegou ao pico de 1.840, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa. Ao todo, o País contabiliza mais de 260 mil mortos.

Sem citar dados que corroboram sua afirmação, Araújo disse que a alta é "aparentemente normal" após o início da vacinação e afirmou que o Brasil deve se aproximar de uma queda em até três semanas. Ele disse que a vacinação no País, cuja demora e escassez de doses causam desgastes políticos ao presidente Jair Bolsonaro, só deve ser considerada "lenta" se comparada a nações como os Estados Unidos e Israel. Ele não citou dados de doses.

"Aparentemente, é normal uma alta de casos após o início da vacinação forte e eles caem de forma abrupta. Talvez estejamos a duas ou três semanas desse ponto de queda, se você olhar a curva de outros países", disse o chanceler. "A vacinação está acelerando, gostaríamos que fosse mais rápida. Está lenta se comparada com EUA ou Israel, mas não tão lenta se comparada com a Europa. Países europeus já vacinaram 5% da população, e no Brasil vacinamos cerca de 4%, com os desafios logísticos que temos. Os números (de vacinados) vão aumentar nas próximas semanas."

O ministro disse ainda que casos de infecção por mutações do novo coronavírus também devem cair. A variante do coronavírus originada em Manaus no fim de 2020 já é predominante na Grande São Paulo, segundo estudo feito pela rede Dasa de laboratórios em parceria com cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP). Essa variante e outras duas, detectadas no Reino Unido e na África do Sul, são já predominantes no Ceará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, segundo o Observatório Covid-19 da Fiocruz.

"Essa mistura da queda de casos, inclusive da nova variante que aparentemente está seguindo essa mesma curva, vacinação e o retorno à vida normal, o crescimento econômico vai regressar, a confiança das pessoas vai voltar", disse Araújo.

O chanceler também afirmou que há "pressão popular" contra os decretos restritivos que impõem o distanciamento social, determinados pelos governadores. As manifestações contra as restrições contam com o apoio do presidente Bolsonaro, que critica governadores pelas perdas de empregos e diz que não haveria lockdown se dependesse dele. A medida é recomendada por autoridades sanitárias como forma de se evitar a propagação rápida da doença e o colapso no sistema hospitalar.

"É claro que as pessoas querem ser vacinadas, mas querem também voltar a trabalhar. Há forte pressão popular para que não haja ou para que acabem os lockdowns decretados por governadores", disse o chanceler. "O sentimento popular é que precisamos voltar ao trabalho assim que tivermos uma vacinação decente, nós temos, mas com a vacinação mostrando que diminui os casos, as coisas vão melhorar, tenho certeza, em algumas semanas."

Biden

O ministro foi convidado a falar sobre a relação e a agenda Brasil-EUA a partir deste ano, após a derrota do ex-presidente Donald Trump, político republicano que Bolsonaro apoiava. Apesar de Bolsonaro ter aventado sem provas fraude na eleição do presidente Joe Biden e criticado posições do democrata, Araújo disse que "nada mudou" para o governo brasileiro após a posse dele, em 20 de janeiro.

"Nada mudou para nós em 20 de janeiro", disse o chanceler. Para Araújo, faz todo o sentido que os países continuem a trabalhar juntos por interesses econômicos comuns, visões de mundo, valores manifestados pelos presidentes e a necessidade de lutar contra o crime organizado e contra ameaças à democracia na região e no mundo. "Vamos trabalhar juntos e estar juntos em tudo com o governo Biden, como antes. Porque é o natural a se fazer, na nossa visão."

O ministro disse que o governo brasileiro tem expectativa de que Bolsonaro e Biden mantenham uma reunião bilateral, num encontro que ainda não tem data para ocorrer. "Temos esperança. Eles têm as mesmas iniciais, J.B. e J.B. A relação pode ser muito boa no nível presidencial e é importante que seja assim. Temos a mesma abordagem para o que é fundamental. Isso ficou claro na carta que o presidente Bolsonaro mandou ao presidente Biden, e na carta que Biden mandou a Bolsonaro nesta semana. Os pilares desse prédio estão lá: democracia, prosperidade e valores são os mesmos. Só vejo uma boa perspectiva na interação pessoal."

O chanceler afirmou que os dois presidentes são pragmáticos e têm "coragem política" de tomar decisões difíceis, além de "apoio popular". Ele citou o recorde de votos recebidos por Biden e Bolsonaro nas respectivas eleições como outra "coincidência" entre eles, embora o brasileiro tenha contestado a vitória do americano, em apoio a alegações de fraude do "amigo" Trump.

Araújo disse que a pauta climática, que opõe os presidentes e causou divergências públicas e bate-boca na campanha eleitoral dos EUA, não é mais um obstáculo no caminho e já começou a ser trabalhada. Ele citou como exemplo a reunião virtual realizada com o enviado especial de Biden para mudanças climáticas, John Kerry, no mês passado. Os países discutem o Acordo de Paris, a ser implementado na Cúpula do Clima (COP-26), e a participação brasileira na Cúpula da Terra, em abril, convocada por Biden. O Brasil cobra mais financiamento por parte de países ricos.

"Estaremos absolutamente juntos no clima", afirmou o ministro. "As conversas que eu e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tivemos com Kerry e os trabalhos técnicos posteriores em andamento mostram que podemos trabalhar como parceiros-chave para uma COP 26 de sucesso e a implementação completa de instrumentos de acordos climáticos. Não há diferenças filosóficas, há diferenças de abordagens sobre como fazer as coisas, mas no geral há disposição para cooperação em relação ao desmatamento, disposição de investimento significativo em desenvolvimento sustentável na Amazônia, por exemplo. Algo que era tratado talvez como impedimento à continuidade de uma aliança está totalmente fora do caminho, estamos trabalhando juntos nessa área. Estamos convergindo, talvez com instrumentos diferentes."

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