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Uma em cada três
crianças de Sto.André
está acima do peso

Estudo feito durante o ano de 2011 com os alunos de escolas
municipais alerta para maus hábitos desenvolvidos na infância


Angela Martins
Do Diário do Grande ABC

29/01/2012 | 07:00


Estudo realizado com alunos de cinco escolas municipais de Educação Infantil e Ensino Fundamental de Santo André, feito durante o ano de 2011, revelou que 35% dos alunos entre 6 e 10 anos estão com sobrepeso. Em média, a cada três crianças, uma não passou no teste da balança. No total, 2.571 estudantes foram avaliados, sendo que 906 deles apresentaram comprometimento pelo excesso de peso ou por apresentar evidências de obesidade moderada ou grave.

As escolas avaliadas foram Elaine Cena, Dom Jorge Marcos de Oliveira, Machado de Assis, Chico Mendes e Cora Coralina.

A partir de fevereiro, início do ano letivo, alunos de outras cinco escolas passarão por avaliação antropométrica. A intenção é de que todos os estudantes do Ensino Fundamental participem do programa.

Após a constatação comprovada, os alunos passam por atendimento médico e encaminhamento para profissionais da rede de saúde.

O levantamento indicou que 19% dos meninos e meninas apresentavam sobrepeso, enquanto 9,8% (meninas) e 9,4% (meninos) já eram considerados obesos. A obesidade grave foi constatada em 3,5% das meninas e 5,4% dos meninos.

O trabalho nas escolas municipais está sendo feito pelo Departamento de Assistência à Saúde, através do Programa de Saúde da Criança e do Adolescente, e tem como base a importância da alimentação e hábitos de vida saudáveis. "Este resultado não foi uma surpresa para nós, que já observávamos muitas crianças gordinhas nas escolas. Mas o tema é preocupante. A obesidade deve ser tratada desde a infância", explica a coordenadora do programa de Saúde da Criança e do Adolescente de Santo André, Alice Lang Simões dos Santos.

Desde 2010, o programa trabalha com monitores nas escolas para orientar os alunos sobre alimentação saudável. Paralelamente, a Secretaria de Educação, parceira no projeto, adquiriu balanças antropométricas para todas as Emeifs do município, o que auxiliou no acompanhamento do peso das crianças. O trabalho ainda inclui a merenda escolar, com a introdução de um cardápio variado incluindo hortaliças e frutas nas refeições dos alunos de toda a rede de ensino.

"Os estudantes visitam a cozinha e as nutricionistas fazem trabalho lúdico, explicando a função dos alimentos e apresentando às crianças novos sabores", continua a coordenadora.

No entanto, a reeducação alimentar não se dá facilmente. "Hoje está se perdendo o costume de comer arroz e feijão, substituídos pelo fast food alimentos ricos em sódio, gordura e açúcar", destaca Alice.

Por isso, os pais tiveram de ser incluídos no projeto, e participam de reuniões periódicas. "É preciso insistir. A colaboração da família é fundamental neste processo, que é lento. Através da criança, vamos tentar mudar os hábitos de todos na casa", conclui.

Tratamento exige esforço de toda família

A obesidade infantil no Brasil já é uma epidemia, afirma a endocrinologista e professora da PUC Maria Angela Zaccarelli Marino. De acordo com estudos realizados pela especialista, aproximadamente 34% das crianças hoje sofrem com o sobrepeso e 14% são consideradas obesas.

Estes são números preocupantes, resultado direto dos hábitos de vida modernos. Hoje as crianças não se exercitam ou andam até a escola, como antigamente. Ficam apenas em frente à televisão, comendo alimentos industrializados", critica.

A saúde sai prejudicada nesta equação de alimentação inadequada e pouco exercício físico. "Estamos observando doenças cardiovasculares, hipertensão e até mesmo diabetes tipo 2, antes doença que acometia somente adultos. Para reverter esse quadro, é preciso o comprometimento de toda a família, com reeducação alimentar e incentivo à práticas esportivas", observa.

Origem

De acordo com a psicóloga e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC, Maria Regina Domingues de Azevedo, é preciso descobrir a raiz do problema para tratar a obesidade. "Os fatores podem ser genéticos, emocionais ou resultados de maus hábitos alimentares, mas é preciso descobrir a causa antes de aplicar o tratamento", revela.

Para a especialista, reverter o quadro de excesso de peso é tarefa complicada e envolve toda a família, além de uma equipe multidisciplinar. "Médicos, nutricionistas, psicólogos e preparadores físicos devem trabalhar em conjunto. O apoio e envolvimento dos membros da família é fundamental para o sucesso. No final, todos saem ganhando com uma vida mais saudável".

 



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Uma em cada três
crianças de Sto.André
está acima do peso

Estudo feito durante o ano de 2011 com os alunos de escolas
municipais alerta para maus hábitos desenvolvidos na infância

Angela Martins
Do Diário do Grande ABC

29/01/2012 | 07:00


Estudo realizado com alunos de cinco escolas municipais de Educação Infantil e Ensino Fundamental de Santo André, feito durante o ano de 2011, revelou que 35% dos alunos entre 6 e 10 anos estão com sobrepeso. Em média, a cada três crianças, uma não passou no teste da balança. No total, 2.571 estudantes foram avaliados, sendo que 906 deles apresentaram comprometimento pelo excesso de peso ou por apresentar evidências de obesidade moderada ou grave.

As escolas avaliadas foram Elaine Cena, Dom Jorge Marcos de Oliveira, Machado de Assis, Chico Mendes e Cora Coralina.

A partir de fevereiro, início do ano letivo, alunos de outras cinco escolas passarão por avaliação antropométrica. A intenção é de que todos os estudantes do Ensino Fundamental participem do programa.

Após a constatação comprovada, os alunos passam por atendimento médico e encaminhamento para profissionais da rede de saúde.

O levantamento indicou que 19% dos meninos e meninas apresentavam sobrepeso, enquanto 9,8% (meninas) e 9,4% (meninos) já eram considerados obesos. A obesidade grave foi constatada em 3,5% das meninas e 5,4% dos meninos.

O trabalho nas escolas municipais está sendo feito pelo Departamento de Assistência à Saúde, através do Programa de Saúde da Criança e do Adolescente, e tem como base a importância da alimentação e hábitos de vida saudáveis. "Este resultado não foi uma surpresa para nós, que já observávamos muitas crianças gordinhas nas escolas. Mas o tema é preocupante. A obesidade deve ser tratada desde a infância", explica a coordenadora do programa de Saúde da Criança e do Adolescente de Santo André, Alice Lang Simões dos Santos.

Desde 2010, o programa trabalha com monitores nas escolas para orientar os alunos sobre alimentação saudável. Paralelamente, a Secretaria de Educação, parceira no projeto, adquiriu balanças antropométricas para todas as Emeifs do município, o que auxiliou no acompanhamento do peso das crianças. O trabalho ainda inclui a merenda escolar, com a introdução de um cardápio variado incluindo hortaliças e frutas nas refeições dos alunos de toda a rede de ensino.

"Os estudantes visitam a cozinha e as nutricionistas fazem trabalho lúdico, explicando a função dos alimentos e apresentando às crianças novos sabores", continua a coordenadora.

No entanto, a reeducação alimentar não se dá facilmente. "Hoje está se perdendo o costume de comer arroz e feijão, substituídos pelo fast food alimentos ricos em sódio, gordura e açúcar", destaca Alice.

Por isso, os pais tiveram de ser incluídos no projeto, e participam de reuniões periódicas. "É preciso insistir. A colaboração da família é fundamental neste processo, que é lento. Através da criança, vamos tentar mudar os hábitos de todos na casa", conclui.

Tratamento exige esforço de toda família

A obesidade infantil no Brasil já é uma epidemia, afirma a endocrinologista e professora da PUC Maria Angela Zaccarelli Marino. De acordo com estudos realizados pela especialista, aproximadamente 34% das crianças hoje sofrem com o sobrepeso e 14% são consideradas obesas.

Estes são números preocupantes, resultado direto dos hábitos de vida modernos. Hoje as crianças não se exercitam ou andam até a escola, como antigamente. Ficam apenas em frente à televisão, comendo alimentos industrializados", critica.

A saúde sai prejudicada nesta equação de alimentação inadequada e pouco exercício físico. "Estamos observando doenças cardiovasculares, hipertensão e até mesmo diabetes tipo 2, antes doença que acometia somente adultos. Para reverter esse quadro, é preciso o comprometimento de toda a família, com reeducação alimentar e incentivo à práticas esportivas", observa.

Origem

De acordo com a psicóloga e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC, Maria Regina Domingues de Azevedo, é preciso descobrir a raiz do problema para tratar a obesidade. "Os fatores podem ser genéticos, emocionais ou resultados de maus hábitos alimentares, mas é preciso descobrir a causa antes de aplicar o tratamento", revela.

Para a especialista, reverter o quadro de excesso de peso é tarefa complicada e envolve toda a família, além de uma equipe multidisciplinar. "Médicos, nutricionistas, psicólogos e preparadores físicos devem trabalhar em conjunto. O apoio e envolvimento dos membros da família é fundamental para o sucesso. No final, todos saem ganhando com uma vida mais saudável".

 

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