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Babenco na TV



18/08/2009 | 07:02


Todo Babenco estará a partir de hoje no Canal Brasil, que durante duas semanas, de terça a sexta, estará prestando tributo ao diretor. Todo? Na verdade, quase, pois o próprio Hector Babenco informa que, apesar de todos os esforços, não foi possível conseguir os direitos de exibição de um filme que não foi feito em sua produtora. Ironweed, adaptado do romance de William Kennedy, entrou num desses buracos negros provocados por imbróglios de herança ou massa falida. Ninguém sabe exatamente com quem estão os direitos.

Os de Brincando nos Campos do Senhor, outra adaptação - desta vez do livro de Peter Matthiessen -, foram fáceis de conseguir. "Liguei para o Saul Zaentz (produtor) e ele liberou sem cobrar nada. E ainda me mandou uma mensagem afetiva."

A programação começa amanhã com Pixote, a Lei do Mais Fraco, que será seguido pelo documentário Pixote In

Memoriam, do próprio Babenco, sobre Fernando Ramos da Silva, o garoto de Diadema que o diretor escolheu para fazer o papel e depois seguiu uma carreira no crime, que levou à sua morte aos 19 anos. Babenco foi atrás de familiares e atores daquele filme mítico e prestou tributo ao rapaz assassinado pela polícia.

Pixote é de 1980. Foi o filme que deu projeção internacional ao artista, ganhando os principais prêmios do ano nos EUA. "Só não fomos para o Oscar". Hector Babenco reafirma que se fez brasileiro por indignação, para poder expressar sua crítica à violência e à corrupção do aparelho repressivo, durante a ditadura militar, em Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia.

Pouco depois, com Pixote, a Lei do Mais Fraco, ele abriu uma vertente que prosseguiria com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Babenco é um dos mais singulares autores de cinema do Brasil. É um narrador exigente, e não raro brilhante, capaz de

operar tanto no registro do realismo como no de um cinema mais interiorizado e até metafórico.

Ele prefere O Passado e Coração Iluminado, que não foi bem de público e dividiu a crítica. Babenco foi à forra, arrebentando na bilheteria com Carandiru - O Filme.

O tributo ao diretor, no Canal Brasil, vai permitir que se vejam filmes há muito fora de circulação, como O Rei da Noite e Lúcio Flávio.

Babenco faz cinema no Brasil desde o começo dos anos 1970 - quase 40 anos, portanto. Independentemente de se gostar mais, ou menos, deste ou daquele filme, a obra é coerente e, mesmo quando faz sucesso de bilheteria, o diretor não cede à facilidade.

Um certo número de cenas que ele realizou expressam nossa identidade na tela - o tango, paradoxalmente, de O Rei da Noite; a Pietà de Pixote; aquele cão que avança pelo corredor crivado de mortos, as vítimas da chacina policial, em Carandiru - O Filme.

Mesmo quando indignado, Babenco não facilita as coisas. Mais do que chacina, que reproduz com intensidade, o tema de Carandiru talvez seja a ética dos bandidos na cadeia, talvez seja a discussão do que é, ou como é, ser bandido zé-povinho num país de tamanha impunidade.

Brincando nos Campos do Senhor é pró-índio, sem dúvida, e O Beijo da Mulher Aranha subverte o discurso político corrente do cinema latino porque o travesti que conta esse filme imaginado para um preso político é um delator.

Muita coisa é ambígua no cinema de Babenco, a profusão de travestis consagra a ambivalência e os filmes mais pessoais, os que vêm de dentro, tratam de dolorosas questões morais, debatem a criação, o amor, o desejo.

Babenco diz que a pior coisa da doença (um câncer linfático) que quase o matou era o sentimento de impotência diante da vida, que paralisava o desejo. Ele é um sobrevivente, na arte e na vida.

Fez grandes filmes, criou grandes cenas, fez ainda maiores os grandes atores. O tributo a Babenco presta-se muito bem a uma (re)descoberta.

"Há tempos havia a cobrança de que os meus filmes chegassem à televisão e o meu desejo de que isso ocorresse. O problema é que sempre me ofereciam um pagamento ridículo. Conversei com o Paulo (Mendonça, diretor-geral do canal brasileiro) e lhe disse que, por uma oferta que não fosse aviltante, poderíamos conversar", conta o diretor.

A maioria dos filmes também não havia sido lançada em DVD e o selo Europa inicia já neste mês uma coleção Babenco que vai colocar todos os filmes no mercado.



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Babenco na TV


18/08/2009 | 07:02


Todo Babenco estará a partir de hoje no Canal Brasil, que durante duas semanas, de terça a sexta, estará prestando tributo ao diretor. Todo? Na verdade, quase, pois o próprio Hector Babenco informa que, apesar de todos os esforços, não foi possível conseguir os direitos de exibição de um filme que não foi feito em sua produtora. Ironweed, adaptado do romance de William Kennedy, entrou num desses buracos negros provocados por imbróglios de herança ou massa falida. Ninguém sabe exatamente com quem estão os direitos.

Os de Brincando nos Campos do Senhor, outra adaptação - desta vez do livro de Peter Matthiessen -, foram fáceis de conseguir. "Liguei para o Saul Zaentz (produtor) e ele liberou sem cobrar nada. E ainda me mandou uma mensagem afetiva."

A programação começa amanhã com Pixote, a Lei do Mais Fraco, que será seguido pelo documentário Pixote In

Memoriam, do próprio Babenco, sobre Fernando Ramos da Silva, o garoto de Diadema que o diretor escolheu para fazer o papel e depois seguiu uma carreira no crime, que levou à sua morte aos 19 anos. Babenco foi atrás de familiares e atores daquele filme mítico e prestou tributo ao rapaz assassinado pela polícia.

Pixote é de 1980. Foi o filme que deu projeção internacional ao artista, ganhando os principais prêmios do ano nos EUA. "Só não fomos para o Oscar". Hector Babenco reafirma que se fez brasileiro por indignação, para poder expressar sua crítica à violência e à corrupção do aparelho repressivo, durante a ditadura militar, em Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia.

Pouco depois, com Pixote, a Lei do Mais Fraco, ele abriu uma vertente que prosseguiria com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Babenco é um dos mais singulares autores de cinema do Brasil. É um narrador exigente, e não raro brilhante, capaz de

operar tanto no registro do realismo como no de um cinema mais interiorizado e até metafórico.

Ele prefere O Passado e Coração Iluminado, que não foi bem de público e dividiu a crítica. Babenco foi à forra, arrebentando na bilheteria com Carandiru - O Filme.

O tributo ao diretor, no Canal Brasil, vai permitir que se vejam filmes há muito fora de circulação, como O Rei da Noite e Lúcio Flávio.

Babenco faz cinema no Brasil desde o começo dos anos 1970 - quase 40 anos, portanto. Independentemente de se gostar mais, ou menos, deste ou daquele filme, a obra é coerente e, mesmo quando faz sucesso de bilheteria, o diretor não cede à facilidade.

Um certo número de cenas que ele realizou expressam nossa identidade na tela - o tango, paradoxalmente, de O Rei da Noite; a Pietà de Pixote; aquele cão que avança pelo corredor crivado de mortos, as vítimas da chacina policial, em Carandiru - O Filme.

Mesmo quando indignado, Babenco não facilita as coisas. Mais do que chacina, que reproduz com intensidade, o tema de Carandiru talvez seja a ética dos bandidos na cadeia, talvez seja a discussão do que é, ou como é, ser bandido zé-povinho num país de tamanha impunidade.

Brincando nos Campos do Senhor é pró-índio, sem dúvida, e O Beijo da Mulher Aranha subverte o discurso político corrente do cinema latino porque o travesti que conta esse filme imaginado para um preso político é um delator.

Muita coisa é ambígua no cinema de Babenco, a profusão de travestis consagra a ambivalência e os filmes mais pessoais, os que vêm de dentro, tratam de dolorosas questões morais, debatem a criação, o amor, o desejo.

Babenco diz que a pior coisa da doença (um câncer linfático) que quase o matou era o sentimento de impotência diante da vida, que paralisava o desejo. Ele é um sobrevivente, na arte e na vida.

Fez grandes filmes, criou grandes cenas, fez ainda maiores os grandes atores. O tributo a Babenco presta-se muito bem a uma (re)descoberta.

"Há tempos havia a cobrança de que os meus filmes chegassem à televisão e o meu desejo de que isso ocorresse. O problema é que sempre me ofereciam um pagamento ridículo. Conversei com o Paulo (Mendonça, diretor-geral do canal brasileiro) e lhe disse que, por uma oferta que não fosse aviltante, poderíamos conversar", conta o diretor.

A maioria dos filmes também não havia sido lançada em DVD e o selo Europa inicia já neste mês uma coleção Babenco que vai colocar todos os filmes no mercado.

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