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Brasileira relata seus dias na Itália em meio à quarentena

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Luchelle Furtado
Do Rota de Férias

01/04/2020 | 12:48


Após concluir a faculdade de gastronomia, a brasileira Marianna Averaldo, de 23 anos, planejava sair do Brasil em busca de novas oportunidades. A Itália se encaixou perfeitamente em seus desejos – mesmo porque, após pesquisas, ela descobriu que teria direito à cidadania daquele país.

Quer ganhar um e-book exclusivo com dicas de viagem? Assine nossa newsletter neste link.

A partida para o Velho Continente foi realizada em 30 de dezembro de 2019. A jovem foi para Marino, cidade próxima a Roma. Até então, Marianna estudava italiano e buscava emprego. Entretanto, tudo mudou desde que o país entrou em quarentena por causa do coronavírus.

Abaixo, veja o depoimento da brasileira ao Rota de Férias.

Divulgação
Marianna Averaldo e a família com os documentos necessário para tirar a cidadania | Divulgação
Marianna Averaldo e a família com os documentos necessários para tirar a cidadania

Brasileira relata dias de quarentena na Itália

Você está sozinha na Itália?
Meu primo veio comigo. Ele trabalha com YouTube e, por isso, não mudaria muita coisa em sua rotina. Somos muito amigos e nos damos suporte, principalmente nessa fase difícil.

LEIA MAIS: TAP ANUNCIA A REDUÇÃO TEMPORÁRIA DE VOOS PARA O BRASIL
GOL CANCELA VOOS INTERNACIONAIS ATÉ 30 DE JUNHO

Quais foram as mudanças mais drásticas que ocorreram por conta da panemia?
No Brasil, não estavam dando muita importância ao coronavírus. Na Itália, por outro lado, sabíamos que a situação estava complicada no norte – já em quarentena. Por aqui, em Marino, só se viam pessoas de máscaras na estações mais movimentadas de Roma. Eu, particularmente, achava exagero.

O Estado resolveu declarar quarentena geral no país depois que a população do norte começou a migrar para o sul, justamente para fugir. Isso acabou espalhando ainda mais o vírus.

Nesse início, foi um choque. Só podia sair para fazer compras essenciais ou trabalhar em casos específicos. O restaurante que eu tinha acabado de ser admitida fechou – assim como tantos outros do país. Alguns estão sobrevivendo com delivery.

A cena que me fez cair a ficha foi entrar no supermercado, com uma fila gigante e espaçada. Havia uma moça pegando três carrinhos para tentar estocar comida. Várias prateleiras estavam vazias. Hoje, tenho de fazer compras de luva e de máscara, respeitando a distância mínima de segurança de 1,5m.

O que mais afetou a sua rotina?
A questão dos horários. Meu primo termina o trabalho pelas 2h da manhã, por conta do fuso horário do Brasil. Por isso, estamos acordando tarde e ficamos bem desregulados.

Além disso, recebi uma proposta de trabalho em Ibiza, na Espanha. Ela foi perdida por motivos óbvios.

Você está reclusa em casa ou consegue sair para fazer algumas coisas?
Ainda consigo sair para fazer compras essenciais, mas só até às 18h.

Divulgação
Marianna está na Itália desde o dia 30 de dezembro | Divulgação
Marianna está na Itália desde 2019

Chegou a faltar alguma coisa para você?
No primeiro dia de quarentena, havia quase nada no mercado. Depois disso, a reposição ficou regular. Uma coisa que falta na minha região é o serviço de delivery. Moramos em uma área que normalmente não trabalha com isso.

Como você tem se informado para saber tudo o que está acontecendo?
Pelo jornal da televisão e pelas redes da embaixada brasileira de Roma. Tem também o site do Ministério da Saúde local.

Quais são seus planos no momento?
Todos os planos do futuro tiveram que ser adiados. Como ainda estou no processo da cidadania, tenho que esperar. Não consigo voltar para o Brasil e nem mudar de cidade.

Pretende voltar ao Brasil proximamente?
Não pretendo voltar. Apesar de tudo, a cidadania ainda pode me trazer boas oportunidades em outros lugares. Minha profissão não é muito valorizada no Brasil – e está entre os setores que terá a maior taxa de desemprego daqui para a frente.

Com essa quarentena, você teve gastos maiores?
A conta de gás veio super cara nos primeiros três meses. Agora, já começou a esquentar pouco por aqui e consigo economizar com a calefação.

Divulgação
A brasileira é formada em gastronomia pelo Senac Campos do Jordão | Divulgação
A brasileira é formada em gastronomia pelo Senac Campos do Jordão

Como sua família tem lidado com isso?
Meus pais estavam nos Estados Unidos no início da minha quarentena. Por isso, ainda não estavam totalmente informados e preocupados com a minha situação. O problema foi que o euro disparou. Tive que esperar eles voltarem de viagem para me ajudar com mais dinheiro, já que não estou trabalhando.

O que faz em seu tempo livre?
Tento ter pensamentos positivos, estudar italiano, limpar a casa e cozinhar.

Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
A noção de união dos italianos tem nos dando muita força. As crianças fizeram cartazes em frente de suas casas, com desenhos de arco-íris e a frase “Tutto andrà bene”, que significa que tudo ficará bem.

Todo dia, às 18h, meu vizinho faz uma apresentação no karaokê. É lindo. Ele e os pais cantam músicas italianas. Toda a vizinhança fica na janela, batemos palmas e até pedimos canções para os próximos dias.

O Brasil teve seu tempo de “vantagem”. Mas o Estado não soube ser responsável e aproveitar isso. Me sinto muito triste e preocupada com a minha família e meus amigos pela negligência de alguns brasileiros e, principalmente, do presidente.

Fiquem em casa, se cuidem e cuidem de quem querem bem. É o momento crucial de se unir e fazer de tudo para que a gente consiga passar por esse período sem maiores perdas. É uma situação muito difícil, que pode gerar crises de ansiedade e pânico generalizado.

Imagens da Itália

Para você conhecer mais sobre as belezas italianas, o Rota de Férias separou fotografias de lugares históricos do país, em cidades como Roma, Florença e Milão. Confira:



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Brasileira relata seus dias na Itália em meio à quarentena

Luchelle Furtado
Do Rota de Férias

01/04/2020 | 12:48


Após concluir a faculdade de gastronomia, a brasileira Marianna Averaldo, de 23 anos, planejava sair do Brasil em busca de novas oportunidades. A Itália se encaixou perfeitamente em seus desejos – mesmo porque, após pesquisas, ela descobriu que teria direito à cidadania daquele país.

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A partida para o Velho Continente foi realizada em 30 de dezembro de 2019. A jovem foi para Marino, cidade próxima a Roma. Até então, Marianna estudava italiano e buscava emprego. Entretanto, tudo mudou desde que o país entrou em quarentena por causa do coronavírus.

Abaixo, veja o depoimento da brasileira ao Rota de Férias.

Divulgação
Marianna Averaldo e a família com os documentos necessário para tirar a cidadania | Divulgação
Marianna Averaldo e a família com os documentos necessários para tirar a cidadania

Brasileira relata dias de quarentena na Itália

Você está sozinha na Itália?
Meu primo veio comigo. Ele trabalha com YouTube e, por isso, não mudaria muita coisa em sua rotina. Somos muito amigos e nos damos suporte, principalmente nessa fase difícil.

LEIA MAIS: TAP ANUNCIA A REDUÇÃO TEMPORÁRIA DE VOOS PARA O BRASIL
GOL CANCELA VOOS INTERNACIONAIS ATÉ 30 DE JUNHO

Quais foram as mudanças mais drásticas que ocorreram por conta da panemia?
No Brasil, não estavam dando muita importância ao coronavírus. Na Itália, por outro lado, sabíamos que a situação estava complicada no norte – já em quarentena. Por aqui, em Marino, só se viam pessoas de máscaras na estações mais movimentadas de Roma. Eu, particularmente, achava exagero.

O Estado resolveu declarar quarentena geral no país depois que a população do norte começou a migrar para o sul, justamente para fugir. Isso acabou espalhando ainda mais o vírus.

Nesse início, foi um choque. Só podia sair para fazer compras essenciais ou trabalhar em casos específicos. O restaurante que eu tinha acabado de ser admitida fechou – assim como tantos outros do país. Alguns estão sobrevivendo com delivery.

A cena que me fez cair a ficha foi entrar no supermercado, com uma fila gigante e espaçada. Havia uma moça pegando três carrinhos para tentar estocar comida. Várias prateleiras estavam vazias. Hoje, tenho de fazer compras de luva e de máscara, respeitando a distância mínima de segurança de 1,5m.

O que mais afetou a sua rotina?
A questão dos horários. Meu primo termina o trabalho pelas 2h da manhã, por conta do fuso horário do Brasil. Por isso, estamos acordando tarde e ficamos bem desregulados.

Além disso, recebi uma proposta de trabalho em Ibiza, na Espanha. Ela foi perdida por motivos óbvios.

Você está reclusa em casa ou consegue sair para fazer algumas coisas?
Ainda consigo sair para fazer compras essenciais, mas só até às 18h.

Divulgação
Marianna está na Itália desde o dia 30 de dezembro | Divulgação
Marianna está na Itália desde 2019

Chegou a faltar alguma coisa para você?
No primeiro dia de quarentena, havia quase nada no mercado. Depois disso, a reposição ficou regular. Uma coisa que falta na minha região é o serviço de delivery. Moramos em uma área que normalmente não trabalha com isso.

Como você tem se informado para saber tudo o que está acontecendo?
Pelo jornal da televisão e pelas redes da embaixada brasileira de Roma. Tem também o site do Ministério da Saúde local.

Quais são seus planos no momento?
Todos os planos do futuro tiveram que ser adiados. Como ainda estou no processo da cidadania, tenho que esperar. Não consigo voltar para o Brasil e nem mudar de cidade.

Pretende voltar ao Brasil proximamente?
Não pretendo voltar. Apesar de tudo, a cidadania ainda pode me trazer boas oportunidades em outros lugares. Minha profissão não é muito valorizada no Brasil – e está entre os setores que terá a maior taxa de desemprego daqui para a frente.

Com essa quarentena, você teve gastos maiores?
A conta de gás veio super cara nos primeiros três meses. Agora, já começou a esquentar pouco por aqui e consigo economizar com a calefação.

Divulgação
A brasileira é formada em gastronomia pelo Senac Campos do Jordão | Divulgação
A brasileira é formada em gastronomia pelo Senac Campos do Jordão

Como sua família tem lidado com isso?
Meus pais estavam nos Estados Unidos no início da minha quarentena. Por isso, ainda não estavam totalmente informados e preocupados com a minha situação. O problema foi que o euro disparou. Tive que esperar eles voltarem de viagem para me ajudar com mais dinheiro, já que não estou trabalhando.

O que faz em seu tempo livre?
Tento ter pensamentos positivos, estudar italiano, limpar a casa e cozinhar.

Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
A noção de união dos italianos tem nos dando muita força. As crianças fizeram cartazes em frente de suas casas, com desenhos de arco-íris e a frase “Tutto andrà bene”, que significa que tudo ficará bem.

Todo dia, às 18h, meu vizinho faz uma apresentação no karaokê. É lindo. Ele e os pais cantam músicas italianas. Toda a vizinhança fica na janela, batemos palmas e até pedimos canções para os próximos dias.

O Brasil teve seu tempo de “vantagem”. Mas o Estado não soube ser responsável e aproveitar isso. Me sinto muito triste e preocupada com a minha família e meus amigos pela negligência de alguns brasileiros e, principalmente, do presidente.

Fiquem em casa, se cuidem e cuidem de quem querem bem. É o momento crucial de se unir e fazer de tudo para que a gente consiga passar por esse período sem maiores perdas. É uma situação muito difícil, que pode gerar crises de ansiedade e pânico generalizado.

Imagens da Itália

Para você conhecer mais sobre as belezas italianas, o Rota de Férias separou fotografias de lugares históricos do país, em cidades como Roma, Florença e Milão. Confira:

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