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Especialistas dizem que aversão à polícia ajuda traficantes


Gabriel Batista e Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

31/07/2005 | 07:46


A imagem negativa da polícia nas favelas do Grande ABC contribui com o império do tráfico de drogas. A pesquisadora em serviço social da PUC-SP Luzia Lippi afirma que a figura mais temida nas favelas de Santo André é a do policial. Em segundo lugar, a do traficante. Ela acredita que assim fica fácil para esses criminosos conquistarem os moradores das favelas com cestas básicas e benfeitorias. Para o diretor-científico Guaracy Mingardi, do Ilanud (Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção de Delitos e Tratamento do Delinqüente), "a cada tapa que a polícia dá em uma favela, ganha dez inimigos".

A lacuna deixada pelo poder público nesses locais mais a aversão à polícia resultou na coroação do crime organizado como dono das favelas. A pesquisadora da PUC-SP Luzia Lippi constatou em seu estudo Personagens, Enredos e Cenas de Violência na Cidade de Santo André, publicado em 2003, que os traficantes da cidade se tornaram donos das favelas. "Durante a pesquisa, tive contato com um traficante do Jardim Santo André que descartava programas assistenciais básicos, porque dizia que leite e comida ele mesmo se encarregava de distribuir", afirma Luzia.

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Essa relação de afeto muitas vezes é decorrente da aversão que os moradores têm à polícia. "Temos que trabalhar melhor a imagem dos órgãos de Segurança Pública", acredita o pesquisador do Illanud, Guaracy Mingardi. Ele cita como exemplo negativo a chacina promovida pelo sargento da Polícia Militar, Ricardo da Silva Santos, no Jardim Portinari, em Diadema. "Quando se faz coisas assim, a molecada vai ficando resistente à polícia", afirma.

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Para Mingardi, se a postura da polícia não mudar, São Paulo corre o risco de se igualar ao Rio de Janeiro na questão do domínio das favelas pelo tráfico. "Mas, por enquanto, São Paulo só precisaria de um mandato para mudar a situação. O Rio necessitaria de quatro."

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O coordenador da CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria Estadual de Segurança Pública), Túlio Kahn, afirma que o tráfico jamais substituirá o Estado. "O assistencialismo dos traficantes atende a uma escala muito limitada de pessoas. Não representa uma alternativa, jamais a ação de criminosos vai substituir o governo", diz Kahn. Ele cita pesquisa do governo do Estado em que a segunda causa de homicídios com autoria desconhecida é o tráfico de drogas. A primeira, vinganças interpessoais. "O tráfico é um regime de terror o tempo todo."

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O delegado titular do 6º DP de São Bernardo, Paul Henry Verduraz, diz que a lacuna deixada pelo poder público culmina em um esforço muito maior por parte da polícia para conter o tráfico. "Se administradores que passaram pela cidade tivessem investido mais em outras áreas, hoje não seria necessário tanto investimento na área da Segurança Pública", acredita. Agora, para ele, é necessário mais investimento na área social e manter o da Segurança Pública para reverter o espaço tomado pelos traficantes.",1]);//-->

Ela conta que verificou em seu estudo que os traficantes arranjavam ambulâncias para moradores doentes, puniam maridos que batiam nas mulheres e chegavam a pagar cursos de informática e até administração para os soldados da boca. "Existe uma relação de afeto e medo entre moradores e traficantes", diz Luzia.

Essa relação de afeto muitas vezes é decorrente da aversão que os moradores têm à polícia. "Temos que trabalhar melhor a imagem dos órgãos de Segurança Pública", acredita o pesquisador do Illanud, Guaracy Mingardi. Ele cita como exemplo negativo a chacina promovida pelo sargento da Polícia Militar, Ricardo da Silva Santos, no Jardim Portinari, em Diadema. "Quando se faz coisas assim, a molecada vai ficando resistente à polícia", afirma.

Para Mingardi, se a postura da polícia não mudar, São Paulo corre o risco de se igualar ao Rio de Janeiro na questão do domínio das favelas pelo tráfico. "Mas, por enquanto, São Paulo só precisaria de um mandato para mudar a situação. O Rio necessitaria de quatro."

O coordenador da CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria Estadual de Segurança Pública), Túlio Kahn, afirma que o tráfico jamais substituirá o Estado. "O assistencialismo dos traficantes atende a uma escala muito limitada de pessoas. Não representa uma alternativa, jamais a ação de criminosos vai substituir o governo", diz Kahn. Ele cita pesquisa do governo do Estado em que a segunda causa de homicídios com autoria desconhecida é o tráfico de drogas. A primeira, vinganças interpessoais. "O tráfico é um regime de terror o tempo todo."

O delegado titular do 6º DP de São Bernardo, Paul Henry Verduraz, diz que a lacuna deixada pelo poder público culmina em um esforço muito maior por parte da polícia para conter o tráfico. "Se administradores que passaram pela cidade tivessem investido mais em outras áreas, hoje não seria necessário tanto investimento na área da Segurança Pública", acredita. Agora, para ele, é necessário mais investimento na área social e manter o da Segurança Pública para reverter o espaço tomado pelos traficantes.

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Outro ponto importante é a irresponsabilidade pública na formação das favelas. "Se muitos administradores não deixassem que houvesse tantas invasões, não existiriam muitos dos problemas que estamos discutindo", diz Verduraz.

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Comércio da região respira história\r\n

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Danilo Angrimani<br>Do Diário do Grande ABC\r\n
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Teve uma época em que o Grande ABC cabia dentro de uma letra. A região resumia-se a São Bernardo. A indústria era incipiente. Os carros contavam-se nos dedos. O transporte coletivo fazia-se por jardineiras trepidantes e táxis com capota de lona.

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No Salão da Sociedade Italiana, a comunidade reunia-se para ouvir a banda Carlos Gomes, sob a regência do maestro Attilio Miéle. Falava-se que a construção de uma avenida (mais tarde, chamada de Faria Lima) acabaria com as enchentes na região. De vez em quando, aterrissava uma novidade inesquecível. Às vezes literalmente, como o gigantesco dirigível Graf Zeppelin, que apareceu em São Bernardo nos anos 30.

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As pessoas eram mais simples e menos exigentes. Aos domingos, a diversão era o futebol de várzea durante o dia e o cinema, à noite. Ainda não havia TV, nem computador, internet, fax, celular, câmera digital. Espaçonaves, satélites, raio laser eram reserva especial das histórias em quadrinhos. Os raros que possuíam telefone precisavam apelar para a telefonista, a encarregada de repassar as ligações.

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Nessas condições limitadas, surgiam as primeiras casas comerciais. Algumas delas existem ainda hoje, muitas nas mãos das mesmas famílias que as inauguraram há décadas.

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Esse pessoal heróico sobreviveu a planos econômicos desastrosos, a políticos de moral carcerária, ao maremoto das inflações e à turbulência governamental. É um pessoal que paga as contas e a pilha de impostos em dia; e se orgulha de não ter em seu passado um título protestado, um único cheque devolvido por falta de fundos, ainda que, hoje em dia, pouca gente dê importância a valores dessa estirpe.",1]);//-->

Outro ponto importante é a irresponsabilidade pública na formação das favelas. "Se muitos administradores não deixassem que houvesse tantas invasões, não existiriam muitos dos problemas que estamos discutindo", diz Verduraz.



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