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ONG acolhe crianças de rua há 27 anos


Deborah Moreira
Do Diário do Grande ABC

05/04/2011 | 07:10


Onde e a quem podem recorrer meninos e meninas que moram nas ruas? Em Santo André eles têm o Jeda (Juventude Esperança do Amanhã), que há 27 anos acolhe crianças em situação de rua ou de risco social, cujas famílias estejam desestruturadas.

Lá, elas fazem atividades educativas e de lazer, como informática, música, capoeira, artesanato e jogos e brincadeiras em uma brinquedoteca montada no segundo andar do prédio de três andares.

No terceiro andar funciona o refeitório, onde as crianças almoçam e tomam lanche. Depois, todos se revezam para manter o local limpo. Na hora de escovar os dentes, cuidado e organização. Todas as escovas possuem nome e lugar reservado no armário coletivo.

Para frequentar o local, que também oferece atendimento médico e psicológico, é preciso estar regularmente matriculado na escola. A maior parte chega lá a partir do projeto Andrezinho Cidadão, da Prefeitura de Santo André, cerca de 140 crianças. Outras 40 foram à entidade de maneira espontânea.

No pátio há duas quadras esportivas, playground e espaço para um bazar sempre lotado, de segunda a sexta-feira, por quem quer unir economia e solidariedade. Também há espaço para reciclagem de materiais doados por empresas, que são separados e vendidos. A iniciativa privada também ajuda com doações de alimentos, entregues diariamente às crianças. Outra fonte importante de renda são as contribuições feitas por telefone, por quem recebe a ligação de uma das três meninas do telemarketing ativo da entidade. Uma parte, R$ 20 mil, é recebida do município.

"O grosso sai de nosso trabalho com telemarketing e venda de produtos. Mas há dois anos estamos atuando no vermelho. Precisamos de mais doações para manter o atendimento", revela irmã Ana Alzira Fogaça, diretora presidente do Jeda desde quando irmã Indiana Marques Carraro morreu, aos 69 anos, em junho de 2009.

Atualmente, a receita da entidade, de R$ 65 mil, não cobre as despesas de R$ 75 mil mensais.

HISTÓRIA
A entidade surgiu dentro do Instituto Coração de Jesus, em Santo André, em 1984. Uma de suas fundadoras foi a irmã Indiana Marques Carraro.

 

Maioria é encaminhada pelo município

W.O.S. tem somente 14 anos, mas já viveu muitas situações de gente grande. Aos 13, assaltou à mão armada e foi detido com outros dois "moleques", no Centro de São Bernardo. Ele é uma das 140 crianças e adolescentes encaminhados pelo Programa Andrezinho Cidadão, do município.

"Também quero ter roupas boas, tênis caro e dinheiro pra sair para a balada", disse o menino. Ele contou que já cumpriu 32 dias de medida socioeducativa na Fundação Casa, em Franco da Rocha. Depois, pegou liberdade assistida. Atualmente, tem ido à escola pela manhã e ao Jeda à tarde, onde chegou encaminhado pela assistência social da Prefeitura. Uma das exigências da medida é chegar cedo em casa. "Tenho que chegar às 20h. É ruim porque quero ir no funk com os amigos", disse o garoto que, apesar de mostrar que gosta do local, não dá sinais de querer mudar de vida.

A trajetória do menino pode ser explicada pelos exemplos que tem em casa. Dois de seus quatro irmãos foram mortos por causa de envolvimento com drogas. Outro, de 15, está usando. Já W. nega usar drogas. "Só fumei maconha, mas já parei", garantiu. Com relação ao futuro, ele é incerto: "Não sei o que vai ser. Só o destino quem sabe", completou.

"É uma família que precisa de muito suporte. Ele e a mãe, que perdeu dois filhos, fazem terapia. É um caso que preocupa muito a gente", explicou a educadora Silvia Regina Medeiros de Oliveira, 33, que há cerca de 1 ano está no Jeda.

Já a menina K.R.S.L., 17, chegou de maneira espontânea. Pouco antes da mãe morrer, foi levada por ela para a instituição. Ex-moradora da favela Tamarutaca, para onde não quer voltar, frequenta o lugar das 13h às 16h há cerca de um ano. Soube por amigas e ficou bastante interessada.

Em outubro de 2010, a mãe morreu de tuberculose, aos 40 anos. Desde então, mora em um abrigo juntamente com outros dois irmãos, L., 14, e M.L,, 13. A menina, que ainda brinca de boneca, tem um sonho: conseguir um trabalho, vender a casa de três cômodos que tem na favela e comprar uma nova para a família se reunir novamente. "Se tiver oportunidade, quero ser assistente social para ajudar outras pessoas que estiverem na mesma situação que estou", disse.



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