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PLR: a luta e a mobilização


Cícero Martinha

26/02/2011 | 07:14


Março vem aí. Para muitos é Carnaval. Para os metalúrgicos de Santo André e Mauá é o momento de começarmos a fechar os acordos de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). E enquanto a gente esquenta a nossa máquina de mobilização para transferir mais renda para os nossos bolsos é hora de recordar as lutas que anteciparam a conquista da PLR. Os patrões sempre foram contra a PLR. Até hoje tem empresário atrasado que ainda é contra a PLR, mas quando começamos a luta na década de 1970 e 1980, nos mobilizávamos para busca do 14º salário ou das férias em dobro.

O bicho pegava. Os militares estavam a postos, cumprindo ordens dos patrões. Mas nós, metalúrgicos, avançamos e, em 1985, conseguimos o abono emergencial. Aproveitamos os primeiros sinais de abertura política e transferimos renda para os bolsos dos metalúrgicos da região.

Em 1986, os patrões com medo de o abono virar lei, endureceram. Jogaram pesado contra o sindicato. Nós também não demos moleza. Mantivemos greve de 57 dias na Philips, na Ibrape e na Constanta. Sem, contudo, conseguir o abono que precisávamos. Porque, como todos nós sabemos, quando a gente corre atrás da grana não é por boniteza, mas por precisão. É dinheiro que completa o aluguel, ajuda a reforçar a comida, melhora as roupas da família, ajuda no lazer e diversão.

Em 1986, o abono voltou. Com luta e mobilização. E se repetiu em 1987. Quando chegou em 1988, com a Constituinte, nos mobilizamos para confirmar o abono na reformulação da CLT, mas só conseguimos que as férias tivessem acréssimo de um terço. Foi avanço que comprova nossa tese: só a luta e a mobilização fazem as leis existirem, fazem as leis que existem serem respeitadas.

Em 1990, medida provisória do presidente Itamar Franco instalou a Participação nos Lucros e Resultados. Muitos patrões espernearam. Mas aos poucos entendem que onde tem PLR tem menos absenteísmo, que a produtividade e a qualidade aumentam.

Mas temos que nos manter atentos e vigilantes. Ainda existe muito atraso patronal. Por isso, vamos fazer valer cada vez mais a comissão da PLR que elegemos em cada fábrica, vamos nos manter mobilizados e vigilantes. Defendendo e ampliando a PLR, para repetir em 2011 a transferência de R$ 40 milhões que conseguimos para os bolsos dos metalúrgicos.

 

Cícero Martinha é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá.



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PLR: a luta e a mobilização

Cícero Martinha

26/02/2011 | 07:14


Março vem aí. Para muitos é Carnaval. Para os metalúrgicos de Santo André e Mauá é o momento de começarmos a fechar os acordos de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). E enquanto a gente esquenta a nossa máquina de mobilização para transferir mais renda para os nossos bolsos é hora de recordar as lutas que anteciparam a conquista da PLR. Os patrões sempre foram contra a PLR. Até hoje tem empresário atrasado que ainda é contra a PLR, mas quando começamos a luta na década de 1970 e 1980, nos mobilizávamos para busca do 14º salário ou das férias em dobro.

O bicho pegava. Os militares estavam a postos, cumprindo ordens dos patrões. Mas nós, metalúrgicos, avançamos e, em 1985, conseguimos o abono emergencial. Aproveitamos os primeiros sinais de abertura política e transferimos renda para os bolsos dos metalúrgicos da região.

Em 1986, os patrões com medo de o abono virar lei, endureceram. Jogaram pesado contra o sindicato. Nós também não demos moleza. Mantivemos greve de 57 dias na Philips, na Ibrape e na Constanta. Sem, contudo, conseguir o abono que precisávamos. Porque, como todos nós sabemos, quando a gente corre atrás da grana não é por boniteza, mas por precisão. É dinheiro que completa o aluguel, ajuda a reforçar a comida, melhora as roupas da família, ajuda no lazer e diversão.

Em 1986, o abono voltou. Com luta e mobilização. E se repetiu em 1987. Quando chegou em 1988, com a Constituinte, nos mobilizamos para confirmar o abono na reformulação da CLT, mas só conseguimos que as férias tivessem acréssimo de um terço. Foi avanço que comprova nossa tese: só a luta e a mobilização fazem as leis existirem, fazem as leis que existem serem respeitadas.

Em 1990, medida provisória do presidente Itamar Franco instalou a Participação nos Lucros e Resultados. Muitos patrões espernearam. Mas aos poucos entendem que onde tem PLR tem menos absenteísmo, que a produtividade e a qualidade aumentam.

Mas temos que nos manter atentos e vigilantes. Ainda existe muito atraso patronal. Por isso, vamos fazer valer cada vez mais a comissão da PLR que elegemos em cada fábrica, vamos nos manter mobilizados e vigilantes. Defendendo e ampliando a PLR, para repetir em 2011 a transferência de R$ 40 milhões que conseguimos para os bolsos dos metalúrgicos.

 

Cícero Martinha é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá.

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