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ONU assina convenção de desaparecimento de pessoas


Da AFP

04/02/2007 | 16:11


A história da pequena Matilde Lanuscou, bisneta de franceses e que tinha seis meses em 1976 quando supostamente foi levada pela ditadura argentina (1976-83), é um dos casos que marcarão, em Paris, na próxima terça-feira, a assinatura da Convenção Internacional do Desaparecimento Forçado de Pessoas, documento promovido pela França e Argentina e aprovada pelas Nações Unidas.

Trata-se de um caso simbólico, que combinou várias metodologias de terrorismo de Estado e cujos detalhes encheram de horror a sala de audiências do histórico Julgamento das Juntas, que, em 1985, condenou os chefes da ditadura.

"É a primeira vez que pedimos a intervenção da França porque David, tio de Matilde, a quem procura há anos, sabia de sua origem francesa, mas só agora encontrou a certidão de nacionalidade de seu avó", explicou à AFP o advogado da família Lanuscou, Pablo Llonto.

Por isso o caso Lanuscou não figura entre os 15 franceses vítimas da ditadura argentina, que deixou 30.000 desaparecidos.

Llonto apresentou à embaixada da França, em Buenos Aires, uma pedido de intervenção e de ajuda neste caso por ocasião da assinatura da Convenção. Matilde Lanuscou teria sido seqüestrada com seis meses na noite de 3 de setembro de 1976, na localidade de San Isidro (periferia norte) depois que a casa onde vivia sua família foi atacada por militares e policiais. Nesse episódio, seus pais, Roberto Lanuscou e Amelia Miranda, e seus irmãos Roberto, de 6 anos, e Barbarita, de 4, foram assassinados. O caso foi noticiado pelo aparelho ditatorial da época como uma operação militar anti-subersiva em que foram mortos cinco terroristas.

Mas, em 1984, já em plena democracia, foi descoberto que a família havia sido enterrada como indigentes. Mas só havia sido corpos, pois no caixão de Matilde só havia roupas de bebê e uma chupeta.

As autoridades acreditam, desde então, que Matilde foi uma das 500 crianças, filhos de desaparecidos, roubadas e apropriadas pela ditadura. Outro caso que envolve o desaparecimento de um francês durante a ditadura argentina, dessa vez um agente, pode dificultar a visita que a primeira-dama argentina, Cristina Fernández, fará à França por ocasião da assinatura da ata da Convenção. Depois de vinte anos de silêncio, o ex-capitão de fragata Alfredo Astiz ofereceu à justiça "provas técnicas" para negar sua participação nos seqüestros e desaparecimentos durante a ditadura. Em 1990, um tribunal francês o condenou à revelia à prisão perpétua pelo desaparecimento de duas freiras francesas, Leonie Duquet e Alice Domon, que foram levadas, em 1977, de uma igreja em que participavam de reuniões do grupo fundador das Mães da Praça de Maio.

Duquet e quatro mães de filhos desaparecidos foram jogadas ao mar num dos chamados "vôos da morte", mas seus restos foram devolvidos pelas marés e ficaram enterrados de forma clandestina até que legistas os identificaram em 2005. Alice Domon continua desaparecida.

O ex-repressor citou a suposta atuação de um "agente encoberto" da França, a quem identificou como Bertrand de Parseval.

"Não estranho que a França me persiga querendo me responsabilizar, jogando em mim a culpa de seus agentes encobertos", afirmou Astiz em juízo.

Parseval, um franco-argentino de 64 anos, se colocou à disposição do juiz para comparecer à embaixada argentina da Tailândia, onde reside atualmente. Ele admitiu ter pertencido à Organização do Exército Secreto (OAS), uma formação paramilitar de extrema-direita que combateu na guerra da Argélia, mas negou envolvimentos nos fatos atribuídos por Astiz.



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