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A mãe do Miguelzinho

Já parou para pensar como os vídeos viralizados estão mais presentes em nossas vidas


Carlos Ferrari

19/07/2014 | 07:00


Já parou para pensar como os vídeos viralizados estão, a cada dia, mais presentes em nossas vidas? Ontem, caminhando na feira, me deparei com dois amigos em uma barraca de frutas rindo demais, graças a um filminho que os dois compartilhavam em um mesmo smartphone. Muitos destes conteúdos são produzidos e pensados para explodir, outros tantos simplesmente caem na rede e, como se fosse mágica, entram na vida de milhares ou até milhões de pessoas.

Foi assim que acabei conhecendo e me emocionando com o vídeo feito pela mãe do Miguel. No quintal de casa, ela brincou de Glauber Rocha enquanto dava um show de carinho, educação e respeito para com o seu filho, um garoto cego que, acredito, deve ter uns 3 anos.

Por mais que eu tente descrever, fica difícil traduzir a beleza da cena que se desenrola diante da câmera na mão, daquela mãe com grandes ideias e sentimentos na cabeça e no coração. O quintal com terreno acidentado é dividido por duas casas, e, entre elas, existem alguns degraus a serem vencidos para chegar de um ponto a outro. Diante disso, Josiane pede ao garotinho que vá até a casa da avó para buscar uma panela. O menino fica com medo, dá uma travadinha, mas vai. Ele explora o ambiente, se solta aos poucos e a cada passo, ouve da mãe “vai em frente, você pode, você é guerreiro”.

Adorei o vídeo por vários motivos. O primeiro foi em virtude do impacto emocional, visto que lembrei de minha mãe, há pouco mais de três décadas fazendo algo muito parecido, porém, naqueles dias ainda bem longe do Youtube e das tantas outras possibilidades tecnológicas que em breve Miguel vai desfrutar.

De maneira simples, porém profunda, as cenas captadas e vivenciadas pelo garoto, sua mãe e avó, também nos ensinam muito. Aprendemos, ou melhor, relembramos a importância vital de se acreditar e fazer acreditar. O medo enquanto realidade concreta, palpável e necessária também aparece de forma bem impactante. O menino enfrenta, supera e vai em frente.

Criar um filho é exercitar o amor a cada segundo e, por conta disso, buscamos, via de regra, sempre fazer coisas boas para que a cria possa estar em constante estado de felicidade. Ao propor ao garoto que fosse até a casa de sua avó para buscar uma panela, dona Josiane acaba fazendo exatamente o contrário, ou seja, cria uma situação de desconforto momentâneo para que o menino tenha, no futuro, uma vida bem mais qualificada.

Assistindo ao vídeo me perguntei o quanto os pais têm criado situações desafiadoras para que seus filhos pudessem experimentar o sabor de poder superá-las.

Votando ao assunto conteúdos viralizados, podemos constatar que não é só porcaria que acaba ganhando corpo na net. Plagiando nosso ex Professor Tibúrcio e atual apresentador do CQC, Marcelo Tas, “em tempos de infindáveis ferramentas multimídia e grande conectividade, cada um pode ser o Roberto Marinho de si mesmo.”

Recomendo que vocês assistam ao vídeo que aparece no Youtube com o título ‘Indo na casa da vovó! Miguel’. Segue aqui o link: http://youtu.be/2O_gwl6fzSE .

Aproveite a oportunidade para explorar mais o Youtube. Visite, por exemplo, o canal Sentidos, caso ainda não conheça, lhe afirmo que vai se surpreender com tanta coisa bacana relacionada às pessoas com deficiência.

Feito isso, pense que você também pode produzir e compartilhar conteúdos e ideias inovadoras e importantes para a vida de outras pessoas.

Bons clicks!

Carlos Ferrari é presidente da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência), faz parte da diretoria executiva da ONCB (Organização Nacional de Cegos do Brasil) e é atual integrante do CNS (Conselho Nacional de Saúde). 



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A mãe do Miguelzinho

Já parou para pensar como os vídeos viralizados estão mais presentes em nossas vidas

Carlos Ferrari

19/07/2014 | 07:00


Já parou para pensar como os vídeos viralizados estão, a cada dia, mais presentes em nossas vidas? Ontem, caminhando na feira, me deparei com dois amigos em uma barraca de frutas rindo demais, graças a um filminho que os dois compartilhavam em um mesmo smartphone. Muitos destes conteúdos são produzidos e pensados para explodir, outros tantos simplesmente caem na rede e, como se fosse mágica, entram na vida de milhares ou até milhões de pessoas.

Foi assim que acabei conhecendo e me emocionando com o vídeo feito pela mãe do Miguel. No quintal de casa, ela brincou de Glauber Rocha enquanto dava um show de carinho, educação e respeito para com o seu filho, um garoto cego que, acredito, deve ter uns 3 anos.

Por mais que eu tente descrever, fica difícil traduzir a beleza da cena que se desenrola diante da câmera na mão, daquela mãe com grandes ideias e sentimentos na cabeça e no coração. O quintal com terreno acidentado é dividido por duas casas, e, entre elas, existem alguns degraus a serem vencidos para chegar de um ponto a outro. Diante disso, Josiane pede ao garotinho que vá até a casa da avó para buscar uma panela. O menino fica com medo, dá uma travadinha, mas vai. Ele explora o ambiente, se solta aos poucos e a cada passo, ouve da mãe “vai em frente, você pode, você é guerreiro”.

Adorei o vídeo por vários motivos. O primeiro foi em virtude do impacto emocional, visto que lembrei de minha mãe, há pouco mais de três décadas fazendo algo muito parecido, porém, naqueles dias ainda bem longe do Youtube e das tantas outras possibilidades tecnológicas que em breve Miguel vai desfrutar.

De maneira simples, porém profunda, as cenas captadas e vivenciadas pelo garoto, sua mãe e avó, também nos ensinam muito. Aprendemos, ou melhor, relembramos a importância vital de se acreditar e fazer acreditar. O medo enquanto realidade concreta, palpável e necessária também aparece de forma bem impactante. O menino enfrenta, supera e vai em frente.

Criar um filho é exercitar o amor a cada segundo e, por conta disso, buscamos, via de regra, sempre fazer coisas boas para que a cria possa estar em constante estado de felicidade. Ao propor ao garoto que fosse até a casa de sua avó para buscar uma panela, dona Josiane acaba fazendo exatamente o contrário, ou seja, cria uma situação de desconforto momentâneo para que o menino tenha, no futuro, uma vida bem mais qualificada.

Assistindo ao vídeo me perguntei o quanto os pais têm criado situações desafiadoras para que seus filhos pudessem experimentar o sabor de poder superá-las.

Votando ao assunto conteúdos viralizados, podemos constatar que não é só porcaria que acaba ganhando corpo na net. Plagiando nosso ex Professor Tibúrcio e atual apresentador do CQC, Marcelo Tas, “em tempos de infindáveis ferramentas multimídia e grande conectividade, cada um pode ser o Roberto Marinho de si mesmo.”

Recomendo que vocês assistam ao vídeo que aparece no Youtube com o título ‘Indo na casa da vovó! Miguel’. Segue aqui o link: http://youtu.be/2O_gwl6fzSE .

Aproveite a oportunidade para explorar mais o Youtube. Visite, por exemplo, o canal Sentidos, caso ainda não conheça, lhe afirmo que vai se surpreender com tanta coisa bacana relacionada às pessoas com deficiência.

Feito isso, pense que você também pode produzir e compartilhar conteúdos e ideias inovadoras e importantes para a vida de outras pessoas.

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