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Argentina nao adotará medidas unilaterais


Do Diário do Grande ABC

19/01/1999 | 10:50


O governo argentino nao adotará nenhum tipo de medida anticrise sem antes consultar o Brasil, seu maior sócio no Mercosul, assinalaram esta terça-feira fontes do Governo e da indústria local.

A Uniao Industrial Argentina (UIA), principal entidade empresarial do país, havia reclamado das autoridades a aplicaçao de medidas de estímulo às exportaçoes e proteçao ao setor fabril, mas nao encontrou eco até agora.

Foi o ministro da Economia, Roque Fernández, quem pôs em branco e preto a política governamental em um encontro com os líderes industriais, apavorados com a tremenda assimetria cambial que está sendo formada com o Brasil.

Fernández disse que a estratégia argentina ante a crise se baseará em privilegiar a relaçao com seu maior sócio no Mercosul e em respeitar a ortodoxia econômica do governo, inimigo das intervençoes estatais.

Daí, a Argentina deixará ao vaivém dos mercados a sorte do setor produtivo local, ameaçado por uma onda de importaçoes de produtos brasileiros, cada dia mais baratos pela livre flutuaçao do real.

O outro perfil ameaçador da desvalorizaçao brasileira é a perda de competitividade das exportaçoes argentinas, ligadas ao valor do dólar pela lei de convertibilidade, em vigor desde 1991.

Fontes da UIA revelaram que se espera uma dramática reduçao nas vendas ao mercado brasileiro de veículos automotores, produtos lácteos, frutas cítricas e combustíveis.

A indústria automobilística argentina colocava no Brasil 90% de suas exportaçoes, que se elevaram a 257 mil unidades (56% do total fabricado) em 1998.

O primeiro indício da profundidade da crise no setor de terminais de veículos foi confirmado pela Ford Argentina segunda-feira, ao acertar com o sindicato de trabalhadores a suspensao por 15 meses de cerca de 1.400 operários de sua fábrica na zona norte de Buenos Aires.

Trinta e cinco por cento do que a indústria de combustíveis produz sao dirigidos ao poderoso mercado brasileiro, mas os custos de elaboraçao em dólares lhe farao perder terreno ante a queda do real. Simultaneamente, os preços da produçao brasileira se tornaram sumamente competitivos e os maiores temores de invasao de produtos se concentram nos segmentos de petroquímica, siderurgia e têxteis.

A UIA nao conseguiu arrancar nenhuma concessao ao ministro Fernández, de quem se havia informado em princípio que viajaria ao Brasil para conversar com seu atribulado colega Pedro Malan.

Mas será o secretário da Indústria, Alieto Guadagni, que viajará ao Brasil neste próximo final de semana, para reunir-se com as autoridades comerciais brasileiras e discutir o futuro imediato do Mercosul.

Ao topar com uma muralha em sua reuniao com Fernández, a UIA buscou um caminho alternativo, ao reclamar uma reduçao dos impostos para empresários, que valeria como uma desvalorizaçao encoberta.



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Argentina nao adotará medidas unilaterais

Do Diário do Grande ABC

19/01/1999 | 10:50


O governo argentino nao adotará nenhum tipo de medida anticrise sem antes consultar o Brasil, seu maior sócio no Mercosul, assinalaram esta terça-feira fontes do Governo e da indústria local.

A Uniao Industrial Argentina (UIA), principal entidade empresarial do país, havia reclamado das autoridades a aplicaçao de medidas de estímulo às exportaçoes e proteçao ao setor fabril, mas nao encontrou eco até agora.

Foi o ministro da Economia, Roque Fernández, quem pôs em branco e preto a política governamental em um encontro com os líderes industriais, apavorados com a tremenda assimetria cambial que está sendo formada com o Brasil.

Fernández disse que a estratégia argentina ante a crise se baseará em privilegiar a relaçao com seu maior sócio no Mercosul e em respeitar a ortodoxia econômica do governo, inimigo das intervençoes estatais.

Daí, a Argentina deixará ao vaivém dos mercados a sorte do setor produtivo local, ameaçado por uma onda de importaçoes de produtos brasileiros, cada dia mais baratos pela livre flutuaçao do real.

O outro perfil ameaçador da desvalorizaçao brasileira é a perda de competitividade das exportaçoes argentinas, ligadas ao valor do dólar pela lei de convertibilidade, em vigor desde 1991.

Fontes da UIA revelaram que se espera uma dramática reduçao nas vendas ao mercado brasileiro de veículos automotores, produtos lácteos, frutas cítricas e combustíveis.

A indústria automobilística argentina colocava no Brasil 90% de suas exportaçoes, que se elevaram a 257 mil unidades (56% do total fabricado) em 1998.

O primeiro indício da profundidade da crise no setor de terminais de veículos foi confirmado pela Ford Argentina segunda-feira, ao acertar com o sindicato de trabalhadores a suspensao por 15 meses de cerca de 1.400 operários de sua fábrica na zona norte de Buenos Aires.

Trinta e cinco por cento do que a indústria de combustíveis produz sao dirigidos ao poderoso mercado brasileiro, mas os custos de elaboraçao em dólares lhe farao perder terreno ante a queda do real. Simultaneamente, os preços da produçao brasileira se tornaram sumamente competitivos e os maiores temores de invasao de produtos se concentram nos segmentos de petroquímica, siderurgia e têxteis.

A UIA nao conseguiu arrancar nenhuma concessao ao ministro Fernández, de quem se havia informado em princípio que viajaria ao Brasil para conversar com seu atribulado colega Pedro Malan.

Mas será o secretário da Indústria, Alieto Guadagni, que viajará ao Brasil neste próximo final de semana, para reunir-se com as autoridades comerciais brasileiras e discutir o futuro imediato do Mercosul.

Ao topar com uma muralha em sua reuniao com Fernández, a UIA buscou um caminho alternativo, ao reclamar uma reduçao dos impostos para empresários, que valeria como uma desvalorizaçao encoberta.

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