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Congolês luta para salvar animais em extinçao


Do Diário do Grande ABC

19/01/1999 | 14:08


Albert Prigogin, congolês 56 anos, optou por um combate diferente em seu país em guerra civil: a proteçao da natureza e das espécies animais em perigo de extinçao.

``A margem das rebelioes que se sucedem e das preocupaçoes pecuniárias de nossos políticos'', Prigogin se situa ``numa lógica de futuro: proteger o meio ambiente, patrimônio dos congoleses, para que, uma vez recuperada a paz, o turismo e a economia possam voltar a funcionar''.

Cabelo grisalho, rosto marcado pela barba, fala de seu trabalho enquanto contempla do terraço de sua residência de Goma (leste da RDC, ex-Zaire) o lago Kivu e essa natureza selvagem que tanto ama.

Filho de um judeu russo e de uma tutsi congolesa, Albert Prigogin é ao mesmo tempo ``formado em contabilidade e doutor em ciências'', diz sorrindo.

Mas, quando se trata da sobrevivência dos animais selvagens da regiao, seu rosto fica sério. ``Se as coisas continuarem assim, chegaremos a uma situaçao irreversível. Temos tido muitas perdas entre as espécies protegidas, e sua reproduçao é sumamente perturbada pelos conflitos sucessivos'', explica.

``As matanças de animais continuam apesar dos pedidos de socorro lançados à comunidade internacional. Desde 1994, se mataram 24 gorilas de montanha. Em 1988 havia ainda 25.000 hipopótamos, mas só restam 2.000. Quanto aos elefantes, restam 350 quando 12.000 em 1960'', afirma.

É para proteger essas espécies, em particular os gorilas de montanha chamados Silver Back (costas prateadas), que este empresário congolês criou em 1974 a Fundaçao pela Sobrevivênciab do Parque de Virunga (FSPV), com seus próprios fundos.

Os Silver Back vivem exclusivamente nesta regiao, nos confins da RDC, Ruanda e Uganda. Restam atualmente só 300 no parque, situado entre as fronteiras congolesa e ruandesa. Outros 320 gorilas vivem no lado ugandense.

``Nosso patrimônio de fauna está ainda mais ameaçado enquanto os guardas do parque estao desarmados desde 1996 e nao têm portanto meios para lutar contra os caçadores. Cabe assinalar que desde entao foram assassinados 40 guardas doe de Virunga'', destaca Prigogin.

``A insegurança devida às diversas rebelioes, aos refugiados e à guerra torna impossível um acompanhamento da evoluçao das diversas espécies protegidas. Nao posso ir ao parque desde abril. Está cheio de grupos que caçam para se alimentar desde que todo o gado foi dizimado, entre 1994 e 1996'', diz Albert Prigogin.

``Os caçadores furtivos comercializam a carne dos animais que caçam. Por exemplo, um hipopótamo significa 700 kg de carne vendida a três dólares o quilo, o que aqui é um valor importante'', assinala.

``Muitas espécies sao caçadas também para se vender aos traficantes o marfim dos elefantes, os caninos dos hipopótamos ou a pele dos leoes'', acrescenta.



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Congolês luta para salvar animais em extinçao

Do Diário do Grande ABC

19/01/1999 | 14:08


Albert Prigogin, congolês 56 anos, optou por um combate diferente em seu país em guerra civil: a proteçao da natureza e das espécies animais em perigo de extinçao.

``A margem das rebelioes que se sucedem e das preocupaçoes pecuniárias de nossos políticos'', Prigogin se situa ``numa lógica de futuro: proteger o meio ambiente, patrimônio dos congoleses, para que, uma vez recuperada a paz, o turismo e a economia possam voltar a funcionar''.

Cabelo grisalho, rosto marcado pela barba, fala de seu trabalho enquanto contempla do terraço de sua residência de Goma (leste da RDC, ex-Zaire) o lago Kivu e essa natureza selvagem que tanto ama.

Filho de um judeu russo e de uma tutsi congolesa, Albert Prigogin é ao mesmo tempo ``formado em contabilidade e doutor em ciências'', diz sorrindo.

Mas, quando se trata da sobrevivência dos animais selvagens da regiao, seu rosto fica sério. ``Se as coisas continuarem assim, chegaremos a uma situaçao irreversível. Temos tido muitas perdas entre as espécies protegidas, e sua reproduçao é sumamente perturbada pelos conflitos sucessivos'', explica.

``As matanças de animais continuam apesar dos pedidos de socorro lançados à comunidade internacional. Desde 1994, se mataram 24 gorilas de montanha. Em 1988 havia ainda 25.000 hipopótamos, mas só restam 2.000. Quanto aos elefantes, restam 350 quando 12.000 em 1960'', afirma.

É para proteger essas espécies, em particular os gorilas de montanha chamados Silver Back (costas prateadas), que este empresário congolês criou em 1974 a Fundaçao pela Sobrevivênciab do Parque de Virunga (FSPV), com seus próprios fundos.

Os Silver Back vivem exclusivamente nesta regiao, nos confins da RDC, Ruanda e Uganda. Restam atualmente só 300 no parque, situado entre as fronteiras congolesa e ruandesa. Outros 320 gorilas vivem no lado ugandense.

``Nosso patrimônio de fauna está ainda mais ameaçado enquanto os guardas do parque estao desarmados desde 1996 e nao têm portanto meios para lutar contra os caçadores. Cabe assinalar que desde entao foram assassinados 40 guardas doe de Virunga'', destaca Prigogin.

``A insegurança devida às diversas rebelioes, aos refugiados e à guerra torna impossível um acompanhamento da evoluçao das diversas espécies protegidas. Nao posso ir ao parque desde abril. Está cheio de grupos que caçam para se alimentar desde que todo o gado foi dizimado, entre 1994 e 1996'', diz Albert Prigogin.

``Os caçadores furtivos comercializam a carne dos animais que caçam. Por exemplo, um hipopótamo significa 700 kg de carne vendida a três dólares o quilo, o que aqui é um valor importante'', assinala.

``Muitas espécies sao caçadas também para se vender aos traficantes o marfim dos elefantes, os caninos dos hipopótamos ou a pele dos leoes'', acrescenta.

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