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Bairros ficam isolados sem pontilhão


Tiago Dantas
Do Diário do Grande ABC

21/03/2010 | 07:13


A destruição de um pontilhão sobre o Córrego Tamanduateí, em Mauá, há duas semanas, deixou cerca de 3.000 moradores de dois bairros isolados. De um lado, ficou a Vila Santa Cecília, que tem empresas, padaria e acesso a Santo André. Do outro, ficou o Jardim Oratório, onde vive a maior parte dos trabalhadores do bairro vizinho e onde fica a farmácia e a avícola. A solução da comunidade seria refazer a passagem em sistema de mutirão, ontem. Porém, a empresa contratada pelos moradores para a obra não compareceu.

Durante cerca de 15 dias, o técnico em manutenção Gilmar Spíndola, 30 anos, teve que fazer uma caminhada de 20 minutos no meio de um matagal para sair da sua casa no Oratório, contornar o Córrego Tamanduateí e chegar ao trabalho, na Santa Cecília. "Quanto tinha a ponte, chegava em menos de cinco minutos", conta .

Como precisa sair de casa mais cedo e passa por área sem iluminação, o técnico tem medo de assaltos. "Quando está escuro, fica perigoso aqui. Tem uma escola perto, e as crianças também precisam fazer a volta no meio do mato ou por uma avenida que vai ser desapropriada e tem um monte de casa vazia", afirma Spíndola, referindo-se às desapropriações motivadas pela obra de prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego.

O pontilhão foi construído pela Prefeitura de Mauá há dez anos e servia de acesso aos pedestres que queriam passar da Rua São Cristóvão para a Rua Santa Anastácia. Há 15 dias, funcionários da administração municipal destruíram a construção alegando problemas na estrutura. "Em vez de fazer uma melhoria, fizeram um pioria", conta o comerciante Moacir Costa Martins, 60.

Dono de uma mercearia, Martins vende um terço dos pães que comercializava quando a ponte ainda existia. Quem também teve redução no movimento foi o ferro-velho onde trabalha o auxiliar de compra e venda Carlos Roberto, 52. "Os carroceiros preferem vender por um preço mais baixo do lado de lá do córrego para não dar a volta. O movimento caiu 50%", afirma. Para chamar a atenção dos moradores, o líder comunitário João Lopes, 42, passou no bairro com um carro de som chamando o povo para o mutirão, que não aconteceu.

Cratera em rua abriu no início do ano
Um trecho de cerca de 60 metros da Rua Porto Alegre, próximo ao cruzamento com a Rua Diamantina, no Jardim Oratório, em Mauá, sumiu após as chuvas de início do ano. Os moradores começaram a perceber que o asfalto estava cedendo em outubro, mas, apesar de avisarem a Prefeitura, nada foi feito para resolver o problema.

Além do desabamento de parte da rua, há um vazamento de água ininterrupto. "Este problema começou em outubro, também. Mas faz uns 20 dias que isso aqui virou uma cachoeira", afirma o líder comunitário João Lopes, 42 anos. "É um desperdício de água e um problema para os moradores, que estão com medo de que as casas sejam danificadas", completa.

A Defesa Civil de Mauá interditou uma casa em cada lado do cruzamento das duas ruas onde surgiu a cratera. Os donos dos imóveis, porém, não têm para onde ir e continuam vivendo nas casas condenados. "Um pessoal do Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) esteve aqui e disse que ia arrumar, mas não voltou", disse Lopes.

"Esse buraco só faz aumentar", afirma o segurança Francisco Carlos de Souza, 52. "O nosso medo é que o buraco derrube um poste e, num efeito dominó, derrube os postes da rua inteira." Morador da Rua Adamantina há 48 anos, Francisco viu seu pai ajudar a abrir a via. Procurada sexta-feira, a Prefeitura não se pronunciou sobre o reparo no buraco.



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Bairros ficam isolados sem pontilhão

Tiago Dantas
Do Diário do Grande ABC

21/03/2010 | 07:13


A destruição de um pontilhão sobre o Córrego Tamanduateí, em Mauá, há duas semanas, deixou cerca de 3.000 moradores de dois bairros isolados. De um lado, ficou a Vila Santa Cecília, que tem empresas, padaria e acesso a Santo André. Do outro, ficou o Jardim Oratório, onde vive a maior parte dos trabalhadores do bairro vizinho e onde fica a farmácia e a avícola. A solução da comunidade seria refazer a passagem em sistema de mutirão, ontem. Porém, a empresa contratada pelos moradores para a obra não compareceu.

Durante cerca de 15 dias, o técnico em manutenção Gilmar Spíndola, 30 anos, teve que fazer uma caminhada de 20 minutos no meio de um matagal para sair da sua casa no Oratório, contornar o Córrego Tamanduateí e chegar ao trabalho, na Santa Cecília. "Quanto tinha a ponte, chegava em menos de cinco minutos", conta .

Como precisa sair de casa mais cedo e passa por área sem iluminação, o técnico tem medo de assaltos. "Quando está escuro, fica perigoso aqui. Tem uma escola perto, e as crianças também precisam fazer a volta no meio do mato ou por uma avenida que vai ser desapropriada e tem um monte de casa vazia", afirma Spíndola, referindo-se às desapropriações motivadas pela obra de prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego.

O pontilhão foi construído pela Prefeitura de Mauá há dez anos e servia de acesso aos pedestres que queriam passar da Rua São Cristóvão para a Rua Santa Anastácia. Há 15 dias, funcionários da administração municipal destruíram a construção alegando problemas na estrutura. "Em vez de fazer uma melhoria, fizeram um pioria", conta o comerciante Moacir Costa Martins, 60.

Dono de uma mercearia, Martins vende um terço dos pães que comercializava quando a ponte ainda existia. Quem também teve redução no movimento foi o ferro-velho onde trabalha o auxiliar de compra e venda Carlos Roberto, 52. "Os carroceiros preferem vender por um preço mais baixo do lado de lá do córrego para não dar a volta. O movimento caiu 50%", afirma. Para chamar a atenção dos moradores, o líder comunitário João Lopes, 42, passou no bairro com um carro de som chamando o povo para o mutirão, que não aconteceu.

Cratera em rua abriu no início do ano
Um trecho de cerca de 60 metros da Rua Porto Alegre, próximo ao cruzamento com a Rua Diamantina, no Jardim Oratório, em Mauá, sumiu após as chuvas de início do ano. Os moradores começaram a perceber que o asfalto estava cedendo em outubro, mas, apesar de avisarem a Prefeitura, nada foi feito para resolver o problema.

Além do desabamento de parte da rua, há um vazamento de água ininterrupto. "Este problema começou em outubro, também. Mas faz uns 20 dias que isso aqui virou uma cachoeira", afirma o líder comunitário João Lopes, 42 anos. "É um desperdício de água e um problema para os moradores, que estão com medo de que as casas sejam danificadas", completa.

A Defesa Civil de Mauá interditou uma casa em cada lado do cruzamento das duas ruas onde surgiu a cratera. Os donos dos imóveis, porém, não têm para onde ir e continuam vivendo nas casas condenados. "Um pessoal do Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) esteve aqui e disse que ia arrumar, mas não voltou", disse Lopes.

"Esse buraco só faz aumentar", afirma o segurança Francisco Carlos de Souza, 52. "O nosso medo é que o buraco derrube um poste e, num efeito dominó, derrube os postes da rua inteira." Morador da Rua Adamantina há 48 anos, Francisco viu seu pai ajudar a abrir a via. Procurada sexta-feira, a Prefeitura não se pronunciou sobre o reparo no buraco.

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