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Pacientes reclamam de demissões de médicos no Christóvão da Gama

Arquivo pessoal  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cerca de 150 mães recrutaram 3.300 assinaturas; Grupo Leforte diz não comentar cortes individuais


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

03/10/2018 | 07:28


Pacientes do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama, de Santo André, reclamam de cerca de 100 demissões que teriam ocorrido no local após sua aquisição pelo Grupo Leforte, em junho. Em especial a de um médico, Hélio Krakauer, pediatra que atua no complexo há 26 anos e é um dos 83 acionistas.

O Diário publicou ontem matéria sobre os planos de ampliação do hospital, como a intenção de ampliar os atuais 100 leitos a 250 até 2020, e entrevistou o CEO do Leforte, Rodrigo Lopes, que afirmou não ter conhecimento de cortes nas áreas de recepção, enfermagem e copa, nem de terceirização de serviços de segurança e limpeza. “Não temos demissões previstas. Estes casos são pontuais, podem ser para readequação de quadro, por exemplo”, disse ele.

Após lerem reportagem, seis mães que integram grupo de 150 no WhatsApp procuraram o Diário para dizer que têm conhecimento de cerca de 100 dispensas, entre elas a do pediatra de seus filhos, doutor Krakauer. “Ele está no hospital há 26 anos e gerações de famílias já passaram por ele. Ele já salvou meu filho de 3 anos que, após diagnóstico errado, foi curado de dermatite. Sempre atende com muita atenção, diferentemente de muitos médicos do pronto-socorro, que mal olham na nossa cara. Se ele sair do hospital, a pediatria acaba”, desabafa a operadora de telemarketing Talita Garbuio, 34.

Há cerca de dez dias, grupo de mães, capitaneado por Jennifer Puca, 43, gestora de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente), colocou faixa (na foto) em estacionamento próximo ao hospital pedindo pela permanência do doutor Krakauer na pediatria e que pacientes assinassem abaixo-assinado na internet. A faixa foi retirada, mas documento on-line angariou mais de 3.300 assinaturas, segundo ela. “Sempre que tínhamos problemas com nossos filhos podíamos chegar no pronto-socorro e retirar senha para passar com ele, que atendia até 40 crianças por dia. Tenho filho de 5 anos que precisou ficar internado uma vez por conta de infecção no intestino, que outros médicos diziam que não era nada, mas com simples exame corretamente solicitado, o doutor identificou e o curou”, contou.

Segundo Jennifer, elas enviaram e-mails à ouvidoria e ao SAC, sem resposta. “Apesar de ele permanecer até o dia 11, nos últimos dias não pode mais atender nesse formato, só no consultório do hospital, mas nosso convênio não cobre esse atendimento”, lamentou. “Além disso, não houve ampliação da pediatria. Tiraram o PS antigo e colocaram no PS de ortopedia antigo.”

Há rumores de que Krakauer é um dos acionistas que não aceitaram vender o controle acionário para o Leforte, portanto, a demissão seria espécie de retaliação. Além disso, informações de bastidores dão que aqueles que se negavam a realizar internação, por considerá-la desnecessária, também foram demitidos.

Em relação aos cortes de outros setores, que englobariam áreas administrativas, como o RH, o motivo seria que, com a aquisição, eles ficariam duplicados, e a sede do grupo está na Capital.

Questionado, o presidente do Sindicato dos Médicos do Grande ABC, José Roberto Murisset, disse que teve conhecimento, no fim da semana passado, de 15 demissões, sendo apenas um médico com carteira assinada. “Outros dois médicos do grupo de técnicos, da parte administrativa, estão em compasso de espera, pois podem ser demitidos também. Dizem que é por conta da modernização”, contou. “Não vemos impacto tão grande. Se fossem 15 médicos, ficaríamos preocupados. Mesmo assim, vamos apurar melhor.”

O OUTRO LADO - Procurado, o Leforte afirmou que está estruturando o atendimento de pediatria para melhor atendimento dos seus pacientes. “Não faremos comentários específicos sobre profissionais de forma individualizada.” Além disso, disse desconhecer a informação relacionada às internações. Quanto às demais demissões, “o Grupo Leforte reitera que não houve cortes em massa no complexo hospitalar. O que ocorreu foi reorganização natural no processo da nova gestão”.

Em relação à transferência da pediatria para a ortopedia, o grupo assinalou que as mudanças fazem parte da readequação da estrutura do hospital, visando aprimorar o atendimento. “Entre os aprimoramentos que estão sendo implantados na área pediátrica, por exemplo, está o agendamento das consultas com hora marcada no ambulatório.”

(Colaborou Flavia Kurotori)
 



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Pacientes reclamam de demissões de médicos no Christóvão da Gama

Cerca de 150 mães recrutaram 3.300 assinaturas; Grupo Leforte diz não comentar cortes individuais

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

03/10/2018 | 07:28


Pacientes do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama, de Santo André, reclamam de cerca de 100 demissões que teriam ocorrido no local após sua aquisição pelo Grupo Leforte, em junho. Em especial a de um médico, Hélio Krakauer, pediatra que atua no complexo há 26 anos e é um dos 83 acionistas.

O Diário publicou ontem matéria sobre os planos de ampliação do hospital, como a intenção de ampliar os atuais 100 leitos a 250 até 2020, e entrevistou o CEO do Leforte, Rodrigo Lopes, que afirmou não ter conhecimento de cortes nas áreas de recepção, enfermagem e copa, nem de terceirização de serviços de segurança e limpeza. “Não temos demissões previstas. Estes casos são pontuais, podem ser para readequação de quadro, por exemplo”, disse ele.

Após lerem reportagem, seis mães que integram grupo de 150 no WhatsApp procuraram o Diário para dizer que têm conhecimento de cerca de 100 dispensas, entre elas a do pediatra de seus filhos, doutor Krakauer. “Ele está no hospital há 26 anos e gerações de famílias já passaram por ele. Ele já salvou meu filho de 3 anos que, após diagnóstico errado, foi curado de dermatite. Sempre atende com muita atenção, diferentemente de muitos médicos do pronto-socorro, que mal olham na nossa cara. Se ele sair do hospital, a pediatria acaba”, desabafa a operadora de telemarketing Talita Garbuio, 34.

Há cerca de dez dias, grupo de mães, capitaneado por Jennifer Puca, 43, gestora de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente), colocou faixa (na foto) em estacionamento próximo ao hospital pedindo pela permanência do doutor Krakauer na pediatria e que pacientes assinassem abaixo-assinado na internet. A faixa foi retirada, mas documento on-line angariou mais de 3.300 assinaturas, segundo ela. “Sempre que tínhamos problemas com nossos filhos podíamos chegar no pronto-socorro e retirar senha para passar com ele, que atendia até 40 crianças por dia. Tenho filho de 5 anos que precisou ficar internado uma vez por conta de infecção no intestino, que outros médicos diziam que não era nada, mas com simples exame corretamente solicitado, o doutor identificou e o curou”, contou.

Segundo Jennifer, elas enviaram e-mails à ouvidoria e ao SAC, sem resposta. “Apesar de ele permanecer até o dia 11, nos últimos dias não pode mais atender nesse formato, só no consultório do hospital, mas nosso convênio não cobre esse atendimento”, lamentou. “Além disso, não houve ampliação da pediatria. Tiraram o PS antigo e colocaram no PS de ortopedia antigo.”

Há rumores de que Krakauer é um dos acionistas que não aceitaram vender o controle acionário para o Leforte, portanto, a demissão seria espécie de retaliação. Além disso, informações de bastidores dão que aqueles que se negavam a realizar internação, por considerá-la desnecessária, também foram demitidos.

Em relação aos cortes de outros setores, que englobariam áreas administrativas, como o RH, o motivo seria que, com a aquisição, eles ficariam duplicados, e a sede do grupo está na Capital.

Questionado, o presidente do Sindicato dos Médicos do Grande ABC, José Roberto Murisset, disse que teve conhecimento, no fim da semana passado, de 15 demissões, sendo apenas um médico com carteira assinada. “Outros dois médicos do grupo de técnicos, da parte administrativa, estão em compasso de espera, pois podem ser demitidos também. Dizem que é por conta da modernização”, contou. “Não vemos impacto tão grande. Se fossem 15 médicos, ficaríamos preocupados. Mesmo assim, vamos apurar melhor.”

O OUTRO LADO - Procurado, o Leforte afirmou que está estruturando o atendimento de pediatria para melhor atendimento dos seus pacientes. “Não faremos comentários específicos sobre profissionais de forma individualizada.” Além disso, disse desconhecer a informação relacionada às internações. Quanto às demais demissões, “o Grupo Leforte reitera que não houve cortes em massa no complexo hospitalar. O que ocorreu foi reorganização natural no processo da nova gestão”.

Em relação à transferência da pediatria para a ortopedia, o grupo assinalou que as mudanças fazem parte da readequação da estrutura do hospital, visando aprimorar o atendimento. “Entre os aprimoramentos que estão sendo implantados na área pediátrica, por exemplo, está o agendamento das consultas com hora marcada no ambulatório.”

(Colaborou Flavia Kurotori)
 

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