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Médica de São Bernardo acusa policial militar de agressão após atendimento

Profissional diz que estava de plantão na UPA Baeta Neves, domingo, quando foi atacada


Juliana Stern
Especial para o Diário

02/08/2018 | 07:00


 Médica da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Baeta Neves, em São Benardo, acusa policial militar de tê-la agredido por volta das 23h de domingo. O agente teria ficado agressivo depois de ela dizer que não poderia entregar o laudo de uma paciente a ele. A funcionária da UPA ficou com escoriações no braço e picos de pressão de alta.

Por volta das 22h de domingo, o PM, identificado apenas como Henrique, teria ido à UPA acompanhando de uma mulher que teria sido agredida. A paciente foi encaminhada para atendimento com a médica de plantão, Edwiges Dias da Rosa, 61 anos, que pediu raio X, liberando a moça após o exame. No fim da consulta, o PM pediu à doutora o prontuário médico da paciente, sendo então informado de que não poderia fornecer. “Informei que ele só poderia levar a ficha e a data do atendimento, e que só o paciente pode retirar o laudo. É protocolo e também uma questão de sigilo médico-paciente”, explicou Edwiges. “E ele já sabia disso, porque a enfermeira que fez a triagem também tinha explicado.”

São Bernardo segue as determinações do Conselho Federal de Medicinal quanto ao sigilo profissional, e nenhum prontuário médico pode ser liberado, mesmo a autoridades policiais. O documento pode ser entregue apenas ao paciente ou responsável legal, e deve ser solicitado administrativamente, com prazo de entrega de até 72 horas.

O policial, não satisfeito com a explicação, pediu o nome e CRM da médica. “Pediu meus dados praticamente me ameaçando. Disse que poderia ir na recepção pegar, sou funcionária pública, meus dados são públicos para quem quiser ver”, disse Edwiges. 

Segundo ela, o policial foi embora em seguida, mas voltou 30 minutos depois acompanhado de mais dois agentes e do sargento Adriano da Silva Maciel. A médica, única de plantão no momento, pois o outro médico estava em hora de janta, atendia paciente de 90 anos que apresentava hemorragia digestiva e precisava de assistência imediata. 

“Eles (policiais) foram atrás dela e falaram que ela teria de ir até a delegacia com eles, no que ela respondeu que não tinha como sair naquela hora”, conta o também médico e filho da vítima Felipe Hurtado, 26. “Aí, o sargento a pegou pelo braço e a encurralou no corredor, pedindo a identificação de novo”, diz. 

A médica registrou boletim de ocorrência contra os PMs no 6º DP de São Bernardo e realizou exame de corpo delito na segunda-feira. A família pretende entrar com processo por agressão, danos morais e abuso de autoridade.

OUTRO LADO

Os policias também registraram boletim de ocorrência sobre o caso no 1º DP, acusando a médica de desobediência. O comando da PM local esclareceu que os fatos ocorreram em razão da recusa de uma funcionária da UPA em fornecer os esclarecimentos necessários sobre os exames realizados na vítima levada pelo policial, e se recusado a identificar-se, mesmo depois de receber ordem legal. Afirmaram ainda que “o uso moderado e escalonado da força se faz necessário, para garantir o cumprimento da lei”.



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Médica de São Bernardo acusa policial militar de agressão após atendimento

Profissional diz que estava de plantão na UPA Baeta Neves, domingo, quando foi atacada

Juliana Stern
Especial para o Diário

02/08/2018 | 07:00


 Médica da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Baeta Neves, em São Benardo, acusa policial militar de tê-la agredido por volta das 23h de domingo. O agente teria ficado agressivo depois de ela dizer que não poderia entregar o laudo de uma paciente a ele. A funcionária da UPA ficou com escoriações no braço e picos de pressão de alta.

Por volta das 22h de domingo, o PM, identificado apenas como Henrique, teria ido à UPA acompanhando de uma mulher que teria sido agredida. A paciente foi encaminhada para atendimento com a médica de plantão, Edwiges Dias da Rosa, 61 anos, que pediu raio X, liberando a moça após o exame. No fim da consulta, o PM pediu à doutora o prontuário médico da paciente, sendo então informado de que não poderia fornecer. “Informei que ele só poderia levar a ficha e a data do atendimento, e que só o paciente pode retirar o laudo. É protocolo e também uma questão de sigilo médico-paciente”, explicou Edwiges. “E ele já sabia disso, porque a enfermeira que fez a triagem também tinha explicado.”

São Bernardo segue as determinações do Conselho Federal de Medicinal quanto ao sigilo profissional, e nenhum prontuário médico pode ser liberado, mesmo a autoridades policiais. O documento pode ser entregue apenas ao paciente ou responsável legal, e deve ser solicitado administrativamente, com prazo de entrega de até 72 horas.

O policial, não satisfeito com a explicação, pediu o nome e CRM da médica. “Pediu meus dados praticamente me ameaçando. Disse que poderia ir na recepção pegar, sou funcionária pública, meus dados são públicos para quem quiser ver”, disse Edwiges. 

Segundo ela, o policial foi embora em seguida, mas voltou 30 minutos depois acompanhado de mais dois agentes e do sargento Adriano da Silva Maciel. A médica, única de plantão no momento, pois o outro médico estava em hora de janta, atendia paciente de 90 anos que apresentava hemorragia digestiva e precisava de assistência imediata. 

“Eles (policiais) foram atrás dela e falaram que ela teria de ir até a delegacia com eles, no que ela respondeu que não tinha como sair naquela hora”, conta o também médico e filho da vítima Felipe Hurtado, 26. “Aí, o sargento a pegou pelo braço e a encurralou no corredor, pedindo a identificação de novo”, diz. 

A médica registrou boletim de ocorrência contra os PMs no 6º DP de São Bernardo e realizou exame de corpo delito na segunda-feira. A família pretende entrar com processo por agressão, danos morais e abuso de autoridade.

OUTRO LADO

Os policias também registraram boletim de ocorrência sobre o caso no 1º DP, acusando a médica de desobediência. O comando da PM local esclareceu que os fatos ocorreram em razão da recusa de uma funcionária da UPA em fornecer os esclarecimentos necessários sobre os exames realizados na vítima levada pelo policial, e se recusado a identificar-se, mesmo depois de receber ordem legal. Afirmaram ainda que “o uso moderado e escalonado da força se faz necessário, para garantir o cumprimento da lei”.

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