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PF investiga ligação de empresária de Sto. André com 'Máfia Chinesa'


André Henriques
Luciana Sereno
Do Diário do Grande ABC

02/08/2005 | 08:14


Trinta agentes da Polícia Federal passaram a segunda-feira vasculhando imóveis do Centro de Santo André e da capital em busca de provas que incriminem a empresária Yan Fuan por contrabando e suposta lavagem de dinheiro. Os policiais vistoriaram cinco estabelecimentos, sendo dois na capital e três no Grande ABC, munidos de mandados de segurança. Encontraram documentos que comprovam que a empresária movimenta dinheiro ilícito, resultado de atividades irregulares praticadas na rua 25 de Março, na região central de São Paulo. A empresária foi encontrada no Centro de Santo André, mas não foi presa porque não houve flagrante. Ela é apontada pela Polícia Federal como peça-chave da Máfia Chinesa.

A PF não deu detalhes sobre a operação desta segunda-feira, mas confirmou que equipes à paisana fizeram as revistas durante todo o dia. A versão oficial da investigação deve ser divulgada nesta terça-feira. Uma fonte ligada à PF, que acompanhou toda a ação, informou todos os detalhes à reportagem.

Segundo a fonte, Yan envia dinheiro ilícito para contas estrangeiras. Seus clientes seriam comerciantes da rua 25 de Março. A Polícia Federal ainda não sabe a quantidade de clientes que procuram Yan para esquentar o dinheiro ilícito. Diariamente, com a ajuda de outra chinesa moradora de Santo André, Yan recolheria o dinheiro da venda clandestina em moeda nacional e estrangeira, além de grande volume em cheques, nas lojas da 25 de Março. "O valor em real e os cheques vêm para Santo André. A moeda estrangeira (maioria em dólar) fica em um apartamento onde mora um funcionário dela, no bairro da Liberdade, em São Paulo", conta a fonte.

Por dia, Yan arrecadaria mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro e outros R$ 400 mil em cheques. "Os cheques são todos emitidos por pequenos comerciantes de fora do Estado, que provavelmente fazem compras na 25 de Março para revender em suas cidades."

Law King Chong – A fonte conta ainda que Yan já trabalhou com Law King Chong, preso em julho do ano passado por envolvimento com pirataria e contrabando na região da rua 25 de Março. Chong é dono do Shopping 25 de Março e é considerado o maior contrabandista do país. Ele foi solto no início do ano, após conseguir habeas-corpus. De acordo com investigadores da polícia, teria sido o próprio Law quem teria armado a prisão de Yan em 1997, no Paraná.

"Ela estava conseguindo muitos contatos e Law teve receio de que ela invadisse a área de atuação dele. Hoje, cada um tem o seu grupo de clientes e mantêm certa rixa." Na época, a empresária foi solta por falta de provas que comprovassem seu envolvimento com o contrabando e a lavagem de dinheiro.

Yan começou a vida como proprietária de uma pastelaria em Santo André e hoje é proprietária do restaurante chinês Palácio Tai Chi, na rua Artur de Queirós, e da agência de turismo de mesmo nome, que funcionava em uma saleta na rua Senador Flaquer, ambos no Centro da cidade. Segundo policiais, os dois comércios funcionam como fachada para esconder o suposto esquema.

Na busca desta segunda, além do restaurante e da agência de turismo, os investigadores também teriam revistado dois endereços em São Paulo atrás de dólares. "No apartamento do funcionário da chinesa encontramos dois fundos falsos vazios no chão. O dinheiro já havia saído de lá", disse um policial. Os agentes estiveram na casa da suposta braço-direito da empresária, na rua Tatuí, próximo ao restaurante, em Santo André. Lá moram a amiga de Yan que faria o recolhimento do dinheiro na 25 de Março e sua filha, que, segundo um policial, faz a movimentação do dinheiro lavado creditado em conta na China.

A empresária foi localizada pelos agentes federais na agência de turismo em Santo André, e tentou fugir quando os policiais a abordaram. No entanto, não foi detida porque não houve flagrante.

O Diário tentou contato com a empresária nos telefones de sua casa e do restaurante, mas não encontrou ninguém. Os estabelecimentos administrados por Yan foram fechados após a passagem dos policiais. Na casa da rua Tatuí, a reportagem também não conseguiu falar com as moradoras.

Doleiros – Yan trabalharia com uma rede de doleiros. O dólar recolhido nas lojas de seus clientes da 25 de Março seriam entregues a eles, que se responsabilizariam por fazer o transporte seguro para um banco na China. "Esse grupo é o mais perigoso porque eles conseguem sair com o grande volume de moeda do Brasil e depositar em um banco chinês sem deixar rastro ou levantar suspeita", afirmou a fonte.

Os agentes não descartam o envolvimento de policiais no suposto esquema. "Temos informações de que o transporte do dinheiro de Santo André para os doleiros é feito por policiais militares que fariam bico e transportariam o dinheiro em carro blindado. Também sabemos que há delegados atualmente aposentados que facilitam o esquema para Yan. A informação ainda sob investigação é que sua advogada seja uma ex-delegada de polícia."

Na China, o dinheiro seria depositado em um único banco, em uma conta corrente aberta em nome de um sobrinho da empresária de Santo André. "Ele é laranja. Não vê nem movimenta o dinheiro. Depois que o dinheiro entra na conta, é transferido para as contas fantasmas dos comerciantes da 25 de Março. A transação é feita daqui de Santo André pela filha da braço-direito de Yan." A polícia acredita que a parceria já existe há cinco anos.

As investigações levam a crer que além da venda de contrabando, Yan tenha ligação com tráfico de entorpecentes e de pessoas. Yan traria chineses para trabalhar nas lojas da 25 de Março. "Ela oferece a oportunidade de um bom emprego e bom salário, eles vêm para cá e depois de pouco tempo acabam escravizados. Trabalham em troca de comida, apenas", completa a fonte.



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