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Covid muda rotina nas funerárias

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Além de mais sepultamentos diários e caixões lacrados, medo da infecção trouxe mais rigor no uso dos EPIs pelos funcionários


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

17/06/2020 | 00:01


Do dia 15 de março – quando foram registrados os três primeiros casos de Covid-19 no Grande ABC – até ontem, morreram 5.143 pessoas na região das mais variadas causas. O número é 22,16% maior do que o registrado no mesmo período de 2019, quando foram 4.210 perdas. A pandemia está diretamente relacionada ao acréscimo, que trouxe demanda atípica para funerárias, que destacam mudança na rotina, sobretudo nos números de atendimentos, que saltaram de 1.300 para 1.700 somente no mês de maio, quando houve pelo menos 500 sepultamentos de pessoas infectadas ou com suspeitas de terem contraído o novo coronavírus, conforme explicou a Ossel, principal empresa privada que atende a região, com sede em Santo André e São Caetano.

Diretor-geral da funerária, Geraldo Diniz explicou que o primeiro caso de óbito por suspeita do novo coronavírus foi atendido pela Ossel no dia 23 de março, entretanto, até abril o aumento na demanda não chamou atenção. “Em maio, o cenário foi bem diferente. Passamos a fazer cerca de 15 atendimentos funerários por dia, quase dez a mais do que antes da pandemia”, garantiu.

Diniz destacou que até o dia 15 deste mês a Ossel realizou 56 atendimentos, entre todos os enterros. No entanto, ressalta que 50% das mortes são com atestado de óbito por suspeita ou confirmação da Covid-19. “O que nos preocupa é que agora, com a flexibilização do isolamento físico, tenhamos um boom na perda de vidas. Não receio que não consigamos atender, tampouco que não tenhamos urnas suficientes, mas lamento pelas vidas”, afirmou Diniz, pontuando que acredita que somente após o período da flexibilização será possível comparar dados.

Coordenador geral administrativo da funerária, Guilherme Maltoni destaca que em maio chamou atenção o fato de as declarações de óbito que chegam a eles vindas do hospital passarem a contar com a confirmação da doença, o que antes não acontecia com frequência. “Era mais comum chegar para nós morte por suspeita de Covid-19. Agora não, já vem confirmado mesmo”, comentou. 

Os profissionais destacaram que os cuidados com os funcionários também tiveram de ser redobrados. A exigência dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) é mais rigorosa. A empresa, até o momento, registrou um caso suspeito do novo coronavírus e acredita que as ações internas, como é o caso de um mural informativo que reforça diariamente os cuidados que os trabalhadores devem tomar, têm auxiliado na prevenção. “Também não estamos fazendo nenhum tipo de velório com casos de morte por Covid-19. As urnas são lacradas e sepultadas, se não imediatamente, assim que os cemitérios abrem (no caso de corpos liberados durante a noite, o enterro é feito às 7h do dia seguinte)”, explicou Maltoni.

Diniz reforçou ainda que os corpos são lacrados no hospital e quando a funerária recolhe, são colocados dentro de um saco higienizado. Além disso, as urnas passam por higienização antes de serem lacradas, tanto por dentro quanto por fora. “Infelizmente outras funerárias, que estão abrindo espaço para velórios rápidos, acabam manchando o nome do setor, já que não é o correto para o momento”, lamentou o diretor geral.

A Ossel pediu aos municípios para que as GCMs (Guardas Civis Municipais) auxiliem no atendimento funerário, já que há casos em que as famílias não respeitam as novas medidas de precaução adotadas.

Empresas reforçam estoque para suprir demanda crescente

Com receio de que a flexibilização da quarentena faça saltar os índices de morte por Covid-19 no Grande ABC, funerárias se preparam para que o atendimento não seja prejudicado, sobretudo quanto ao número de caixões disponíveis, realizando espécie de estoque de garantia.

Presidente da Afub (Associação dos Fabricantes de Urnas do Brasil) e dono da Godoy Santos – empresa que produz e fornece caixões para várias partes do País –, Antonio Marinho garante que não há a possibilidade de que funerárias fiquem sem atendimento. “Houve dificuldade no abastecimento de capitais mais afastadas, como foi o caso de Manaus e Belém, por exemplo, em abril. Mas, de modo geral, o abastecimento, sobretudo de urnas, é garantido”, afirmou.

Segundo Marinho, o mercado atende cerca de 105 mil óbitos por mês no País. Em maio, o número chegou a 120 mil. “Mesmo assim, as empresas têm uma garantia de estoque. O mercado está até saturado. Só existiria uma falta, caso houvesse uma tragédia muito maior, batendo a casa dos 180 mil óbitos por mês”, explicou. Além disso, Marinho destacou que as produtoras de caixões, junto da Afub, fizeram acordo de aumentar o estoque, assim como estabeleceram um padrão de urnas, caso a demanda aumentasse, já que seria mais produtivo, diante da gama de modelos ofertada normalmente. Com isso, as fábricas deram conta de produzir cerca de 30% a mais. 

No Grande ABC, a Godoy Santos é a principal fornecedora da Ossel, assim como da Prefeitura de Santo André. “No País todo o aumento no fornecimento de urnas foi de 10%”, disse Marinho, pontuando que torce para que a curva de mortes, assim como o de contaminados, diminua daqui para frente.

Diretor da Abredif (Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário), Lourival Panhozzi, destacou que a entidade apresentará ao governo federal projeto para criar sistema digital para registros de óbitos em todo o País, já que, segundo ele, “em plena pandemia as falhas são constantes no controle de dados dos cartórios, afetando a transparência e a exatidão dos números”. “Em todo Brasil o número absoluto de óbitos no mês de maio deste ano cresceu 9,12%, acima da média. No Estado de São Paulo, foi 3,83%”, reforçou Panhozzi.

O diretor disse ainda que as empresas do setor funerário estão tomando todas as precauções diante da pandemia. “As empresas adotaram protocolo estabelecido pela categoria, salvo quando o serviço não é público, e isso tem garantido a segurança dos familiares e colaboradores, bem como a manutenção dos ritos”, finalizou Panhozzi.



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Covid muda rotina nas funerárias

Além de mais sepultamentos diários e caixões lacrados, medo da infecção trouxe mais rigor no uso dos EPIs pelos funcionários

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

17/06/2020 | 00:01


Do dia 15 de março – quando foram registrados os três primeiros casos de Covid-19 no Grande ABC – até ontem, morreram 5.143 pessoas na região das mais variadas causas. O número é 22,16% maior do que o registrado no mesmo período de 2019, quando foram 4.210 perdas. A pandemia está diretamente relacionada ao acréscimo, que trouxe demanda atípica para funerárias, que destacam mudança na rotina, sobretudo nos números de atendimentos, que saltaram de 1.300 para 1.700 somente no mês de maio, quando houve pelo menos 500 sepultamentos de pessoas infectadas ou com suspeitas de terem contraído o novo coronavírus, conforme explicou a Ossel, principal empresa privada que atende a região, com sede em Santo André e São Caetano.

Diretor-geral da funerária, Geraldo Diniz explicou que o primeiro caso de óbito por suspeita do novo coronavírus foi atendido pela Ossel no dia 23 de março, entretanto, até abril o aumento na demanda não chamou atenção. “Em maio, o cenário foi bem diferente. Passamos a fazer cerca de 15 atendimentos funerários por dia, quase dez a mais do que antes da pandemia”, garantiu.

Diniz destacou que até o dia 15 deste mês a Ossel realizou 56 atendimentos, entre todos os enterros. No entanto, ressalta que 50% das mortes são com atestado de óbito por suspeita ou confirmação da Covid-19. “O que nos preocupa é que agora, com a flexibilização do isolamento físico, tenhamos um boom na perda de vidas. Não receio que não consigamos atender, tampouco que não tenhamos urnas suficientes, mas lamento pelas vidas”, afirmou Diniz, pontuando que acredita que somente após o período da flexibilização será possível comparar dados.

Coordenador geral administrativo da funerária, Guilherme Maltoni destaca que em maio chamou atenção o fato de as declarações de óbito que chegam a eles vindas do hospital passarem a contar com a confirmação da doença, o que antes não acontecia com frequência. “Era mais comum chegar para nós morte por suspeita de Covid-19. Agora não, já vem confirmado mesmo”, comentou. 

Os profissionais destacaram que os cuidados com os funcionários também tiveram de ser redobrados. A exigência dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) é mais rigorosa. A empresa, até o momento, registrou um caso suspeito do novo coronavírus e acredita que as ações internas, como é o caso de um mural informativo que reforça diariamente os cuidados que os trabalhadores devem tomar, têm auxiliado na prevenção. “Também não estamos fazendo nenhum tipo de velório com casos de morte por Covid-19. As urnas são lacradas e sepultadas, se não imediatamente, assim que os cemitérios abrem (no caso de corpos liberados durante a noite, o enterro é feito às 7h do dia seguinte)”, explicou Maltoni.

Diniz reforçou ainda que os corpos são lacrados no hospital e quando a funerária recolhe, são colocados dentro de um saco higienizado. Além disso, as urnas passam por higienização antes de serem lacradas, tanto por dentro quanto por fora. “Infelizmente outras funerárias, que estão abrindo espaço para velórios rápidos, acabam manchando o nome do setor, já que não é o correto para o momento”, lamentou o diretor geral.

A Ossel pediu aos municípios para que as GCMs (Guardas Civis Municipais) auxiliem no atendimento funerário, já que há casos em que as famílias não respeitam as novas medidas de precaução adotadas.

Empresas reforçam estoque para suprir demanda crescente

Com receio de que a flexibilização da quarentena faça saltar os índices de morte por Covid-19 no Grande ABC, funerárias se preparam para que o atendimento não seja prejudicado, sobretudo quanto ao número de caixões disponíveis, realizando espécie de estoque de garantia.

Presidente da Afub (Associação dos Fabricantes de Urnas do Brasil) e dono da Godoy Santos – empresa que produz e fornece caixões para várias partes do País –, Antonio Marinho garante que não há a possibilidade de que funerárias fiquem sem atendimento. “Houve dificuldade no abastecimento de capitais mais afastadas, como foi o caso de Manaus e Belém, por exemplo, em abril. Mas, de modo geral, o abastecimento, sobretudo de urnas, é garantido”, afirmou.

Segundo Marinho, o mercado atende cerca de 105 mil óbitos por mês no País. Em maio, o número chegou a 120 mil. “Mesmo assim, as empresas têm uma garantia de estoque. O mercado está até saturado. Só existiria uma falta, caso houvesse uma tragédia muito maior, batendo a casa dos 180 mil óbitos por mês”, explicou. Além disso, Marinho destacou que as produtoras de caixões, junto da Afub, fizeram acordo de aumentar o estoque, assim como estabeleceram um padrão de urnas, caso a demanda aumentasse, já que seria mais produtivo, diante da gama de modelos ofertada normalmente. Com isso, as fábricas deram conta de produzir cerca de 30% a mais. 

No Grande ABC, a Godoy Santos é a principal fornecedora da Ossel, assim como da Prefeitura de Santo André. “No País todo o aumento no fornecimento de urnas foi de 10%”, disse Marinho, pontuando que torce para que a curva de mortes, assim como o de contaminados, diminua daqui para frente.

Diretor da Abredif (Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário), Lourival Panhozzi, destacou que a entidade apresentará ao governo federal projeto para criar sistema digital para registros de óbitos em todo o País, já que, segundo ele, “em plena pandemia as falhas são constantes no controle de dados dos cartórios, afetando a transparência e a exatidão dos números”. “Em todo Brasil o número absoluto de óbitos no mês de maio deste ano cresceu 9,12%, acima da média. No Estado de São Paulo, foi 3,83%”, reforçou Panhozzi.

O diretor disse ainda que as empresas do setor funerário estão tomando todas as precauções diante da pandemia. “As empresas adotaram protocolo estabelecido pela categoria, salvo quando o serviço não é público, e isso tem garantido a segurança dos familiares e colaboradores, bem como a manutenção dos ritos”, finalizou Panhozzi.

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