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Adriana Stephan: ‘Faculdade e Fundação têm de estar integradas’

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Adriana Stephan, presidente da Fundação do ABC


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

03/02/2020 | 07:00


Recém-empossada presidente da FUABC (Fundação do ABC), a médica Adriana Berringer Stephan, indicada do prefeito José Auricchio Júnior (PSDB), de São Caetano, admite que houve distanciamento entre a Fundação e a Faculdade de Medicina do ABC. Ela estipulou como uma das metas da gestão reintegrar as duas instituições, como forma de agregar valor aos serviços prestados pela FUABC. Em entrevista exclusiva ao Diário, Adriana projeta novo momento do organismo com o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com o Ministério Público e com o processo de informatização dos passos internos.

Quais desafios a senhora espera enfrentar à frente da FUABC? Como partiu o convite do prefeito José Auricchio Júnior para essa função?
O convite do prefeito foi algo construído. Sou ex-aluna da Faculdade de Medicina, ele também. Durante todo período em que trabalhei com ele, intermediei o que dizia respeito na relação da saúde de São Caetano e Fundação do ABC. Talvez essa tríade, ter sido aluna, ter utilizado a Fundação como prestadora de serviço e estar na Fundação, desde 2017, como secretária geral, participando do lado de quem presta serviço, acabou direcionando para esse convite do prefeito. A Fundação hoje é algo muito diferente do que encontramos em 2017. Naquele ano era de panorama ruim, de situação interna muito ruim. Algumas medidas muito radicais foram necessárias, como demissão de (funcionários com) salários mais altos, a redução de cargo de diretores, contratos atrasados, parados. A Fundação mantenedora, embora seja uma estrutura pequena, tinha situação muito instável. Nesses primeiros dois anos, 2017 e 2018, os presidentes que por lá passaram tiveram essa missão mais difícil. Tivemos, por outro lado, facilidade do entendimento dos prefeitos do quanto a Fundação é importante para a região, para o gerenciamento do serviço de saúde da região. Esse investimento no sentido da ajuda e subvenção que deram deu força às decisões, para estancar (a crise) e começar a respirar. Hoje a Fundação tem situação econômica um pouco mais estável, digo a Fundação mantenedora, o que permite que agora novos projetos possam começar a acontecer. Há série de coisas que precisam acontecer agora. O doutor Luiz Mario (Pereira Gomes, ex-presidente da FUABC) começou a uniformizar condutas e protocolos, com assinatura do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que vai balizar toda e qualquer conduta daqui para frente, com aproximação com o Ministério Público para deixar a casa aberta e aceitar intervenção construtiva. E integração com a Faculdade (de Medicina do ABC), que é algo que queremos muito fazer.

Quais passos estão sendo dados para modernizar a estrutura da FUABC? Uma crítica recorrente à instituição recai na dificuldade de se obter algumas informações...
A Fundação é estrutura grande, que cresceu muito e muito rápido. Hoje são 22 mil funcionários, 13 mantidas, 15 hospitais. Temos gerenciamento de serviços de saúde de municípios inteiros. O orçamento é de R$ 2,4 bilhões para 2020. A necessidade de enxergar a estrutura de forma macro, com centralização de informação para conduzir tomada de decisão e permitir a previsão de problemas é algo que vem sendo construído. Não é construção rápida, até porque você tem as dificuldades de integrar todas as pontas, mas algumas coisas começaram a ser feitas. Existe processo de uniformização de RH (Recursos Humanos) com condutas, modelos de contratação, plano de cargos, até porque esses pontos estão no compromisso do TAC. Outra coisa que existe é o programa de compliance, demanda e compromisso assumidos com o TAC, e o programa está sendo elaborado. Existe pré-programa elaborado, aliás. Tivemos reuniões para definir eixos-base do programa de compliance. É algo fundamental em uma estrutura desse tamanho. As diretorias das mantidas foram comunicadas, operadores financeiros de compras das mantidas foram treinados. Haverá sistema de controle, mas não para amarrar, para prever. Teremos valor empenhado para despesa, com comprovação de recurso para despesa antes de emitir pagamento no fim. O sistema criará alertas para avisar à mantida de que ela está gastando mais do que tem para determinada linha. O orçamento é variável, mutável, cada mantida poderá mudar o destino do orçamento, mas haverá limites. Não podemos chegar com surpresas no sentido de gastar mais do que podia. Também contratamos um BI (Business Intelligence, inteligência de negócios em livre tradução, sistema de gestão informatizada com interpretação de dados e análises futuras), com licitação em andamento para que possamos uniformizar as informações e centralizá-las para termos acesso a todas as pontas. Essa plataforma de controle orçamentário, junto com BI, vão trazer diferença monstruosa no acesso à informação da Fundação.

A senhora é ex-aluna da Faculdade de Medicina e, atualmente, a Faculdade de Medicina também é gerida por um ex-aluno, o ex-secretário estadual de Saúde David Uip. O que esse tipo de relação pode trazer de ganho na execução do trabalho?
É o maior possível. Esses anos turbulentos pelos quais a Fundação passou no sentido de limpar e começar de novo, o David passa também agora. É ano de diagnóstico para ele. Acredito que 2020 possa ser ano muito bom para a Faculdade e a Fundação construírem serviços juntos. A Fundação foi criada para manter uma faculdade de medicina. A Faculdade precisa voltar a ter papel de protagonista na Fundação. Queremos voltar a ter uma marca para que, quem vier procurar a Fundação do ABC, possa saber que haverá a expertise da Faculdade de Medicina do ABC. Queremos vender a expertise do nome também. É centro de excelência acadêmico, assistencial, de pesquisa. Trazer esse nome junto ao contrato de gestão com o município ou o Estado só agrega valor. Isso (integração) é fundamental. Precisamos trazer as pessoas e a Faculdade de Medicina do ABC como referência da qualidade do serviço que prestamos.

Houve distanciamento das duas instituições?
Acho que houve sim. Pelo crescimento da Fundação, que foi muito e muito rápido. Isso provocou distanciamento das instituições e precisamos resgatar a parceria. A missão principal é essa. Trazer a Faculdade de volta ao papel que ela precisa ter dentro de um sistema desse tamanho. Não penso nas duas separadas de jeito nenhum. Isso não vai acontecer.

Em que pé está a discussão com Mauá?
Acho que a discussão com Mauá tende a ir para um caminho harmonioso. Estivemos com o prefeito (Atila Jacomussi, PSB), com o secretário de Saúde (Luis Carlos Casarin). A conversa foi em um tom muito diferente do que vem sendo todos esses anos. Estamos bem esperançosos com a proposta de haver necessidade de solução, tanto para o município, que precisa de gestão da saúde pública, quanto para a Fundação, que tem seus problemas financeiros relacionados ao contrato. Existe a intenção de se voltar à assinatura do TAC junto a Mauá e temos um prazo. Sei que começaram os trabalhos de elencar plano que a Prefeitura montou junto com a nossa equipe para saber se é factível, para ter certeza do valor a se pagar. Vamos construir assistência e passar a discutir o passivo (em um segundo momento), no sentido de amortização. Nem que seja de longo prazo. Acredito que as coisas vão caminhar melhor.

Os demais presidentes da FUABC, até 2016, nutriam planos de expansão. Qual sua visão a esse respeito?
Temos vantagem hoje que é muito clara: nosso conselho curador é muito atuante, participativo, informado. Isso (expansão) foi objeto de discussão várias vezes. O crescimento não pode ser a qualquer custo. Chegamos aonde chegamos porque optou-se, no passado, por um crescimento a qualquer custo. Isso não acontece mais. Toda e qualquer proposta é extremamente discutida antes de ser levada para a frente. Contratos do Estado são muito bons, são claros, objetivos, pagos pelo que está tratado. É algo muito tranquilo. O que vem do Estado a gente participa sem muita discussão. Nos demais entes, municípios em especial, paramos para ver. Não adianta pegar serviço longe sem ter estrutura. Tem de caber dentro da estrutura que temos, dentro de um contrato que nos dê garantia que vamos receber. O crescimento não é a moeda da vez. Queremos administrar o que temos, queremos crescer com passos menores e segurança. Um crescimento sustentável. Não dá para crescer apenas por crescer.

No ano passado, a Assembleia Legislativa abriu CPI para investigar a atuação de organizações de saúde pelo Estado. Cresceram números de denúncias sobre OSs. Por que isso acontece e de que forma esse tipo de investigação impacta na Fundação?
Guardadas as devidas proporções, o que aconteceu com o crescimento desordenado de faculdades de medicina aconteceu nas OSs também. Há OSs que brotam e tudo vira o mesmo balaio. Você generaliza conduta de OSs pequenas, recém-formadas, mal gerenciadas para um contexto de mecanismo que é muito legal. O mecanismo de gestão que a OS permite é algo bárbaro, se bem administrado e benfeito. O surgimento de OS de última hora e de fundo de quintal, que colocam todo mundo na mesma categoria, acaba criando CPIs e outros desmembramentos disso. A seleção natural começa a acontecer. Não dá para permanecer assim. Tivemos municípios que saíram da Fundação, foram em busca de OSs menores e mais novas, e voltaram pedindo o contrato de novo. Há estrutura, tradição e mecanismo que não podem ser substituídos. A empresa pode ser jovem e bem formada, bem administrada, mas há empresa de aventureiro também. O aparecimento de muitas OSs criou cenário de demonização sim, mas há o processo natural de seleção em curso.

Como a senhora pretende trabalhar com o aparelhamento político da Fundação visto em anos anteriores?
Tivemos carta branca (dos prefeitos para tocar esse assunto). O compliance, uniformização do RH, BI, tudo vai incluir (esse tema). Esperamos que isso não seja mais um problema. Os prefeitos foram claros: a estrutura precisa ser mantida para que a Fundação funcione. Acho que também não será problema porque há mecanismos de controle e fundamentamos, apoiados pelos três prefeitos que nos gerenciam. Nada de retroceder.



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Adriana Stephan: ‘Faculdade e Fundação têm de estar integradas’

Adriana Stephan, presidente da Fundação do ABC

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

03/02/2020 | 07:00


Recém-empossada presidente da FUABC (Fundação do ABC), a médica Adriana Berringer Stephan, indicada do prefeito José Auricchio Júnior (PSDB), de São Caetano, admite que houve distanciamento entre a Fundação e a Faculdade de Medicina do ABC. Ela estipulou como uma das metas da gestão reintegrar as duas instituições, como forma de agregar valor aos serviços prestados pela FUABC. Em entrevista exclusiva ao Diário, Adriana projeta novo momento do organismo com o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com o Ministério Público e com o processo de informatização dos passos internos.

Quais desafios a senhora espera enfrentar à frente da FUABC? Como partiu o convite do prefeito José Auricchio Júnior para essa função?
O convite do prefeito foi algo construído. Sou ex-aluna da Faculdade de Medicina, ele também. Durante todo período em que trabalhei com ele, intermediei o que dizia respeito na relação da saúde de São Caetano e Fundação do ABC. Talvez essa tríade, ter sido aluna, ter utilizado a Fundação como prestadora de serviço e estar na Fundação, desde 2017, como secretária geral, participando do lado de quem presta serviço, acabou direcionando para esse convite do prefeito. A Fundação hoje é algo muito diferente do que encontramos em 2017. Naquele ano era de panorama ruim, de situação interna muito ruim. Algumas medidas muito radicais foram necessárias, como demissão de (funcionários com) salários mais altos, a redução de cargo de diretores, contratos atrasados, parados. A Fundação mantenedora, embora seja uma estrutura pequena, tinha situação muito instável. Nesses primeiros dois anos, 2017 e 2018, os presidentes que por lá passaram tiveram essa missão mais difícil. Tivemos, por outro lado, facilidade do entendimento dos prefeitos do quanto a Fundação é importante para a região, para o gerenciamento do serviço de saúde da região. Esse investimento no sentido da ajuda e subvenção que deram deu força às decisões, para estancar (a crise) e começar a respirar. Hoje a Fundação tem situação econômica um pouco mais estável, digo a Fundação mantenedora, o que permite que agora novos projetos possam começar a acontecer. Há série de coisas que precisam acontecer agora. O doutor Luiz Mario (Pereira Gomes, ex-presidente da FUABC) começou a uniformizar condutas e protocolos, com assinatura do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que vai balizar toda e qualquer conduta daqui para frente, com aproximação com o Ministério Público para deixar a casa aberta e aceitar intervenção construtiva. E integração com a Faculdade (de Medicina do ABC), que é algo que queremos muito fazer.

Quais passos estão sendo dados para modernizar a estrutura da FUABC? Uma crítica recorrente à instituição recai na dificuldade de se obter algumas informações...
A Fundação é estrutura grande, que cresceu muito e muito rápido. Hoje são 22 mil funcionários, 13 mantidas, 15 hospitais. Temos gerenciamento de serviços de saúde de municípios inteiros. O orçamento é de R$ 2,4 bilhões para 2020. A necessidade de enxergar a estrutura de forma macro, com centralização de informação para conduzir tomada de decisão e permitir a previsão de problemas é algo que vem sendo construído. Não é construção rápida, até porque você tem as dificuldades de integrar todas as pontas, mas algumas coisas começaram a ser feitas. Existe processo de uniformização de RH (Recursos Humanos) com condutas, modelos de contratação, plano de cargos, até porque esses pontos estão no compromisso do TAC. Outra coisa que existe é o programa de compliance, demanda e compromisso assumidos com o TAC, e o programa está sendo elaborado. Existe pré-programa elaborado, aliás. Tivemos reuniões para definir eixos-base do programa de compliance. É algo fundamental em uma estrutura desse tamanho. As diretorias das mantidas foram comunicadas, operadores financeiros de compras das mantidas foram treinados. Haverá sistema de controle, mas não para amarrar, para prever. Teremos valor empenhado para despesa, com comprovação de recurso para despesa antes de emitir pagamento no fim. O sistema criará alertas para avisar à mantida de que ela está gastando mais do que tem para determinada linha. O orçamento é variável, mutável, cada mantida poderá mudar o destino do orçamento, mas haverá limites. Não podemos chegar com surpresas no sentido de gastar mais do que podia. Também contratamos um BI (Business Intelligence, inteligência de negócios em livre tradução, sistema de gestão informatizada com interpretação de dados e análises futuras), com licitação em andamento para que possamos uniformizar as informações e centralizá-las para termos acesso a todas as pontas. Essa plataforma de controle orçamentário, junto com BI, vão trazer diferença monstruosa no acesso à informação da Fundação.

A senhora é ex-aluna da Faculdade de Medicina e, atualmente, a Faculdade de Medicina também é gerida por um ex-aluno, o ex-secretário estadual de Saúde David Uip. O que esse tipo de relação pode trazer de ganho na execução do trabalho?
É o maior possível. Esses anos turbulentos pelos quais a Fundação passou no sentido de limpar e começar de novo, o David passa também agora. É ano de diagnóstico para ele. Acredito que 2020 possa ser ano muito bom para a Faculdade e a Fundação construírem serviços juntos. A Fundação foi criada para manter uma faculdade de medicina. A Faculdade precisa voltar a ter papel de protagonista na Fundação. Queremos voltar a ter uma marca para que, quem vier procurar a Fundação do ABC, possa saber que haverá a expertise da Faculdade de Medicina do ABC. Queremos vender a expertise do nome também. É centro de excelência acadêmico, assistencial, de pesquisa. Trazer esse nome junto ao contrato de gestão com o município ou o Estado só agrega valor. Isso (integração) é fundamental. Precisamos trazer as pessoas e a Faculdade de Medicina do ABC como referência da qualidade do serviço que prestamos.

Houve distanciamento das duas instituições?
Acho que houve sim. Pelo crescimento da Fundação, que foi muito e muito rápido. Isso provocou distanciamento das instituições e precisamos resgatar a parceria. A missão principal é essa. Trazer a Faculdade de volta ao papel que ela precisa ter dentro de um sistema desse tamanho. Não penso nas duas separadas de jeito nenhum. Isso não vai acontecer.

Em que pé está a discussão com Mauá?
Acho que a discussão com Mauá tende a ir para um caminho harmonioso. Estivemos com o prefeito (Atila Jacomussi, PSB), com o secretário de Saúde (Luis Carlos Casarin). A conversa foi em um tom muito diferente do que vem sendo todos esses anos. Estamos bem esperançosos com a proposta de haver necessidade de solução, tanto para o município, que precisa de gestão da saúde pública, quanto para a Fundação, que tem seus problemas financeiros relacionados ao contrato. Existe a intenção de se voltar à assinatura do TAC junto a Mauá e temos um prazo. Sei que começaram os trabalhos de elencar plano que a Prefeitura montou junto com a nossa equipe para saber se é factível, para ter certeza do valor a se pagar. Vamos construir assistência e passar a discutir o passivo (em um segundo momento), no sentido de amortização. Nem que seja de longo prazo. Acredito que as coisas vão caminhar melhor.

Os demais presidentes da FUABC, até 2016, nutriam planos de expansão. Qual sua visão a esse respeito?
Temos vantagem hoje que é muito clara: nosso conselho curador é muito atuante, participativo, informado. Isso (expansão) foi objeto de discussão várias vezes. O crescimento não pode ser a qualquer custo. Chegamos aonde chegamos porque optou-se, no passado, por um crescimento a qualquer custo. Isso não acontece mais. Toda e qualquer proposta é extremamente discutida antes de ser levada para a frente. Contratos do Estado são muito bons, são claros, objetivos, pagos pelo que está tratado. É algo muito tranquilo. O que vem do Estado a gente participa sem muita discussão. Nos demais entes, municípios em especial, paramos para ver. Não adianta pegar serviço longe sem ter estrutura. Tem de caber dentro da estrutura que temos, dentro de um contrato que nos dê garantia que vamos receber. O crescimento não é a moeda da vez. Queremos administrar o que temos, queremos crescer com passos menores e segurança. Um crescimento sustentável. Não dá para crescer apenas por crescer.

No ano passado, a Assembleia Legislativa abriu CPI para investigar a atuação de organizações de saúde pelo Estado. Cresceram números de denúncias sobre OSs. Por que isso acontece e de que forma esse tipo de investigação impacta na Fundação?
Guardadas as devidas proporções, o que aconteceu com o crescimento desordenado de faculdades de medicina aconteceu nas OSs também. Há OSs que brotam e tudo vira o mesmo balaio. Você generaliza conduta de OSs pequenas, recém-formadas, mal gerenciadas para um contexto de mecanismo que é muito legal. O mecanismo de gestão que a OS permite é algo bárbaro, se bem administrado e benfeito. O surgimento de OS de última hora e de fundo de quintal, que colocam todo mundo na mesma categoria, acaba criando CPIs e outros desmembramentos disso. A seleção natural começa a acontecer. Não dá para permanecer assim. Tivemos municípios que saíram da Fundação, foram em busca de OSs menores e mais novas, e voltaram pedindo o contrato de novo. Há estrutura, tradição e mecanismo que não podem ser substituídos. A empresa pode ser jovem e bem formada, bem administrada, mas há empresa de aventureiro também. O aparecimento de muitas OSs criou cenário de demonização sim, mas há o processo natural de seleção em curso.

Como a senhora pretende trabalhar com o aparelhamento político da Fundação visto em anos anteriores?
Tivemos carta branca (dos prefeitos para tocar esse assunto). O compliance, uniformização do RH, BI, tudo vai incluir (esse tema). Esperamos que isso não seja mais um problema. Os prefeitos foram claros: a estrutura precisa ser mantida para que a Fundação funcione. Acho que também não será problema porque há mecanismos de controle e fundamentamos, apoiados pelos três prefeitos que nos gerenciam. Nada de retroceder.

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