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Transferência da Casa Amarela gera insatisfação em Santo André

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Serviço destinado à população em situação de rua migrará do Centro para a Vila Scarpelli


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

12/04/2017 | 07:00


A transferência dos serviços de assistência social ofertados atualmente no Centro POP Casa Amarela, no Centro de Santo André, para espaço localizado na Rua Ibirá, na Vila Scarpelli, despertou a insatisfação dos moradores do entorno. Com o intuito de barrar a instalação do equipamento, que pretende ofertar atividades voltadas à população em situação de rua em bairro de caráter residencial, a comunidade produz abaixo-assinado para entregar ao poder público.

“Estamos preocupados, primeiro porque a decisão foi tomada sem ouvir os moradores, e, segundo, que se trata de pessoas com dificuldades psicológicas, com problemas de alcoolismo e até mesmo drogas em local com diversas escolas. Não estamos discriminando”, observa o comerciante e morador da Vila Scarpelli desde 1960 Edson Boriero, 63 anos.

Vizinho e também morador antigo do bairro, o microempresário Rogério Privitera, 57, considera que se trata de política higienista com o objetivo de retirar moradores de rua e dependentes químicos da área central da cidade. “O bairro não tem estrutura para receber toda essa população, sem falar que o acesso ao Centro é mais fácil”, diz.

A comunidade participou, na tarde de ontem, de reunião realizada entre a Secretaria de Inclusão e Assistência Social e representantes do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) Centro para conhecer o projeto da administração municipal. Conforme a Prefeitura, o equipamento público integra programa denominado Vida Nova, cujo objetivo é ofertar desde espaço de convivência para moradores de rua até oficinas e atividades voltadas à reinserção dos indivíduos na sociedade, inclusive com a retomada do vínculo familiar.

“Estávamos acostumados com o lar para crianças e, agora, fica o receio de conviver com pessoas que, infelizmente, sabemos que ficam pela rua, pedem dinheiro e até mesmo mexem com o pessoal”, considera Boriero. O morador se refere ao fato de que o endereço que vai acolher o projeto da assistência social era sede antiga do Lar São Francisco.

A respeito da reclamação e também sobre a preocupação em relação à segurança da comunidade, a Prefeitura destacou, por meio de nota, que “não se trata de punição para eles (comunidade)” e que a administração está “disponível para conversar com a população para resolver problemas pontuais à medida em que forem aparecendo”.

A Pasta ressaltou ainda que “não pode deixar seres humanos em situação de vulnerabilidade, tratando-os como ‘problema’ e não como pessoas”. Por isso, considera que está sendo realizado trabalho de integrar essa parcela da população, hoje em situação de rua, ao invés de afastá-la. “Resolver a situação não é ignorá-la, maquiá-la ou direcioná-la para regiões onde não há moradores”, completa o Executivo.

Após a transferência dos serviços, prevista inicialmente para ocorrer dentro de 90 dias, o espaço onde funciona hoje o Centro POP Casa Amarela, no Centro, será desativado. A Prefeitura não informou, entretanto, qual destinação será dada ao local. Levantamento municipal indica a existência de pelo menos 220 moradores de rua na cidade, sendo que cerca de 80% dessa população faz uso de álcool ou outras drogas.

Nova apresentação do projeto à comunidade ocorrerá no dia 24, às 19h, na subsede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), no Centro.



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Transferência da Casa Amarela gera insatisfação em Santo André

Serviço destinado à população em situação de rua migrará do Centro para a Vila Scarpelli

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

12/04/2017 | 07:00


A transferência dos serviços de assistência social ofertados atualmente no Centro POP Casa Amarela, no Centro de Santo André, para espaço localizado na Rua Ibirá, na Vila Scarpelli, despertou a insatisfação dos moradores do entorno. Com o intuito de barrar a instalação do equipamento, que pretende ofertar atividades voltadas à população em situação de rua em bairro de caráter residencial, a comunidade produz abaixo-assinado para entregar ao poder público.

“Estamos preocupados, primeiro porque a decisão foi tomada sem ouvir os moradores, e, segundo, que se trata de pessoas com dificuldades psicológicas, com problemas de alcoolismo e até mesmo drogas em local com diversas escolas. Não estamos discriminando”, observa o comerciante e morador da Vila Scarpelli desde 1960 Edson Boriero, 63 anos.

Vizinho e também morador antigo do bairro, o microempresário Rogério Privitera, 57, considera que se trata de política higienista com o objetivo de retirar moradores de rua e dependentes químicos da área central da cidade. “O bairro não tem estrutura para receber toda essa população, sem falar que o acesso ao Centro é mais fácil”, diz.

A comunidade participou, na tarde de ontem, de reunião realizada entre a Secretaria de Inclusão e Assistência Social e representantes do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) Centro para conhecer o projeto da administração municipal. Conforme a Prefeitura, o equipamento público integra programa denominado Vida Nova, cujo objetivo é ofertar desde espaço de convivência para moradores de rua até oficinas e atividades voltadas à reinserção dos indivíduos na sociedade, inclusive com a retomada do vínculo familiar.

“Estávamos acostumados com o lar para crianças e, agora, fica o receio de conviver com pessoas que, infelizmente, sabemos que ficam pela rua, pedem dinheiro e até mesmo mexem com o pessoal”, considera Boriero. O morador se refere ao fato de que o endereço que vai acolher o projeto da assistência social era sede antiga do Lar São Francisco.

A respeito da reclamação e também sobre a preocupação em relação à segurança da comunidade, a Prefeitura destacou, por meio de nota, que “não se trata de punição para eles (comunidade)” e que a administração está “disponível para conversar com a população para resolver problemas pontuais à medida em que forem aparecendo”.

A Pasta ressaltou ainda que “não pode deixar seres humanos em situação de vulnerabilidade, tratando-os como ‘problema’ e não como pessoas”. Por isso, considera que está sendo realizado trabalho de integrar essa parcela da população, hoje em situação de rua, ao invés de afastá-la. “Resolver a situação não é ignorá-la, maquiá-la ou direcioná-la para regiões onde não há moradores”, completa o Executivo.

Após a transferência dos serviços, prevista inicialmente para ocorrer dentro de 90 dias, o espaço onde funciona hoje o Centro POP Casa Amarela, no Centro, será desativado. A Prefeitura não informou, entretanto, qual destinação será dada ao local. Levantamento municipal indica a existência de pelo menos 220 moradores de rua na cidade, sendo que cerca de 80% dessa população faz uso de álcool ou outras drogas.

Nova apresentação do projeto à comunidade ocorrerá no dia 24, às 19h, na subsede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), no Centro.

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