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Chilenos relatam ter visto militares brasileiros em Santiago após golpe

Orlando Filho/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Militantes afirmam que Brasil ajudou a manutenção da ditadura chilena; seminário é hoje


Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

24/09/2013 | 07:00


Lutadores contra a ditadura chilena relataram a presença de militares brasileiros pelas ruas da capital Santiago, após o golpe liderado pelo general Augusto Pinochet, em 1973. Os militantes chegaram ontem em Santo André para participar do seminário internacional que vai debater a parceria entre os países nos anos de chumbo, numa atividade organizada pelo projeto Acorda ABC e financiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá. O evento será hoje, às 15h, na Universidade Anhanguera, em Santo André.

Os quatro chilenos foram recepcionados pelo coordenador técnico da iniciativa, Cido Faria. Desde que chegaram ao Brasil, estão com agenda cheia. Além do café da manhã com sindicalistas ontem, eles visitaram o prefeito de Santo André, Carlos Grana (PT), à tarde e foram jantar num restaurante de comida típica brasileira.

Habituados com o clima nas terras tupiniquins, os militantes recordaram os momentos de prisões e torturas no Chile, com a recorrente presença de militares enviados pelo Brasil.

Decano da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade do Chile e antropólogo, Osvaldo Torres Gutierrez contou que presenciou conversa entre um policial chileno com outro brasileiro. “Estava preso em Santiago. Um dia me colocaram num carro e saímos pelas avenidas da capital. Passamos por uma esquina e eu assisti a um dos militares que estavam comigo cumprimentar um brasileiro”, relatou.

A influência brasileira era tanta que até os instrumentos de tortura no Chile tinham os mesmo nomes usados aqui no Brasil. O pau de arara era o mais comum – a ferramenta é uma barra de ferro, em que o preso é amarrado nu pelos punhos e as dobras do joelho para tomar choques elétricos, palmatórias ou afogamentos.

O fundador da CUT chilena, Moises Labraña, contou que os instrumentos e as práticas de tortura eram os mesmos, apesar de a ditadura do Chile ser considerada a mais sanguinária da América Latina. “Toda tortura tinha influência brasileira. Até mesmo o nome. Era comum a convivência entre chilenos e brasileiros”, declarou.

RESGATE

Jose Figueroa foi perseguido pelo regime Pinochet por sua ligação com o sindicalismo. “Muitas pessoas estão desaparecidas até hoje. Ainda sofremos com o que foi feito há 40 anos”, ressaltou.

Prova viva das feridas abertas e deixadas pelo regime militar é a educadora Camila Donato Pizarro. Ela ainda busca informações de seus avós, que desapareceram durante a ditadura, e recordou o exílio com seus pais na Austrália. “Meu pai foi torturado quando minha mãe estava grávida. Hoje luto pelos direitos humanos”, recordou.

Durante o evento de ontem, o prefeito Carlos Grana destacou que a iniciativa pretende resgatar a memória de brasileiros e chilenos. “Não é um movimento para fomentar o ódio, mas reconhecimento da nossa história”, considerou o petista.



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Chilenos relatam ter visto militares brasileiros em Santiago após golpe

Militantes afirmam que Brasil ajudou a manutenção da ditadura chilena; seminário é hoje

Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

24/09/2013 | 07:00


Lutadores contra a ditadura chilena relataram a presença de militares brasileiros pelas ruas da capital Santiago, após o golpe liderado pelo general Augusto Pinochet, em 1973. Os militantes chegaram ontem em Santo André para participar do seminário internacional que vai debater a parceria entre os países nos anos de chumbo, numa atividade organizada pelo projeto Acorda ABC e financiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá. O evento será hoje, às 15h, na Universidade Anhanguera, em Santo André.

Os quatro chilenos foram recepcionados pelo coordenador técnico da iniciativa, Cido Faria. Desde que chegaram ao Brasil, estão com agenda cheia. Além do café da manhã com sindicalistas ontem, eles visitaram o prefeito de Santo André, Carlos Grana (PT), à tarde e foram jantar num restaurante de comida típica brasileira.

Habituados com o clima nas terras tupiniquins, os militantes recordaram os momentos de prisões e torturas no Chile, com a recorrente presença de militares enviados pelo Brasil.

Decano da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade do Chile e antropólogo, Osvaldo Torres Gutierrez contou que presenciou conversa entre um policial chileno com outro brasileiro. “Estava preso em Santiago. Um dia me colocaram num carro e saímos pelas avenidas da capital. Passamos por uma esquina e eu assisti a um dos militares que estavam comigo cumprimentar um brasileiro”, relatou.

A influência brasileira era tanta que até os instrumentos de tortura no Chile tinham os mesmo nomes usados aqui no Brasil. O pau de arara era o mais comum – a ferramenta é uma barra de ferro, em que o preso é amarrado nu pelos punhos e as dobras do joelho para tomar choques elétricos, palmatórias ou afogamentos.

O fundador da CUT chilena, Moises Labraña, contou que os instrumentos e as práticas de tortura eram os mesmos, apesar de a ditadura do Chile ser considerada a mais sanguinária da América Latina. “Toda tortura tinha influência brasileira. Até mesmo o nome. Era comum a convivência entre chilenos e brasileiros”, declarou.

RESGATE

Jose Figueroa foi perseguido pelo regime Pinochet por sua ligação com o sindicalismo. “Muitas pessoas estão desaparecidas até hoje. Ainda sofremos com o que foi feito há 40 anos”, ressaltou.

Prova viva das feridas abertas e deixadas pelo regime militar é a educadora Camila Donato Pizarro. Ela ainda busca informações de seus avós, que desapareceram durante a ditadura, e recordou o exílio com seus pais na Austrália. “Meu pai foi torturado quando minha mãe estava grávida. Hoje luto pelos direitos humanos”, recordou.

Durante o evento de ontem, o prefeito Carlos Grana destacou que a iniciativa pretende resgatar a memória de brasileiros e chilenos. “Não é um movimento para fomentar o ódio, mas reconhecimento da nossa história”, considerou o petista.

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