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Política de Estado

Existem coisas que parecem, por vezes, ser de compreensão exclusiva...


Carlos Ferrari

03/11/2015 | 07:00


Existem coisas que parecem, por vezes, ser de compreensão exclusiva, ou ao menos perto disso, de acadêmicos e/ou demais pessoas que acabam dialogando com esses atores. Tratam-se de conceitos ‘complexos’, seja pela carga de novos ou velhos conhecimentos que condensam, seja pelo ineditismo da ideia, ao menos para quem não está familiarizado com o que se propõe.

Um desses exemplos é, sem dúvidas, o entendimento que diferencia políticas de governo e políticas de Estado. Para nós, militantes, estudiosos, enfim, pensadores de questões afeitas, parece algo que flerta com o óbvio. Isso posto, não podemos perder de vista que tal diferenciação está longe de ser de simples compreensão para a maioria da população. Vejam a cultura daqueles que sempre que precisam de algo, vão pedir um favor para o secretario ‘A’ ou para o vereador ‘B’. Essas pessoas não enxergam o Estado, nem tampouco um governo. Aliás, não se percebem enquanto cidadãos, logo, também não reconhecem seus direitos. Resta-lhes então a alternativa de buscar a ‘ajuda’, o ‘favor’, enfim a piedade de alguém ‘quase santo’ que lhes possa socorrer.

Políticas públicas quando implementadas e percebidas pela população, ou boa parte dela, rompem com essa perspectiva. Ninguém acha que está recebendo favor de alguém quando leva o filho para vacinar ou mesmo quando acessa gratuitamente um atendimento na Saúde ou na Educação.

Notem que não entro aqui no mérito da qualidade, do alcance, ou do reconhecimento. Neste texto curto, e de caráter informativo/provocativo, o objetivo é apenas dialogar com o entendimento e a percepção natural de uma política que passa ser de Estado.

Trouxe esse tema para esta semana pois senti esse ganho de status de conhecimento para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Diferente de outros anos, nem a imprensa nem a sociedade, em suas conversas mais rebuscadas ou tradicionais, questionaram a ação.

Houve atrasos, abstenção, debates intensos sobre as questões e até um golaço dos organizadores na escolha do tema da redação, ao trazer para a centralidade dos debates a violência contra a mulher. Isso tudo colocado, e o Enem continua sendo discutido como algo já nosso, entendido e reconhecido como parte de nosso calendário de eventos públicos a ser aprimorado e vivenciado ao longo dos anos. Assim, independentemente do partido, dos erros, ou acertos que virão, a sociedade brasileira reconhece o Enem como ação efetiva e importante da política de Educação.

Como já disse, esse texto não pretende fazer uma análise qualitativa, mas sim convidar você a refletir da importância civilizatória de ações que acabam se consolidando como base ou mesmo parte de políticas de Estado.

Para um País melhor, não precisamos de candidatos que fiquem a todo tempo reinventando a roda. É necessário investirmos naquilo que possa vir de fato a ser público, independentemente da cor da bandeira ou da camiseta. É claro que todos nós temos nossas convicções ideológicas, mas ao fim das contas é também responsabilidade de todos nós construirmos um País que de fato seja nosso.

* Carlos Ferrari é presidente da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência), faz parte da diretoria executiva da ONCB (Organização Nacional de Cegos do Brasil) e é atual integrante do CNS (Conselho Nacional de Saúde). 



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Existem coisas que parecem, por vezes, ser de compreensão exclusiva...

Carlos Ferrari

03/11/2015 | 07:00


Existem coisas que parecem, por vezes, ser de compreensão exclusiva, ou ao menos perto disso, de acadêmicos e/ou demais pessoas que acabam dialogando com esses atores. Tratam-se de conceitos ‘complexos’, seja pela carga de novos ou velhos conhecimentos que condensam, seja pelo ineditismo da ideia, ao menos para quem não está familiarizado com o que se propõe.

Um desses exemplos é, sem dúvidas, o entendimento que diferencia políticas de governo e políticas de Estado. Para nós, militantes, estudiosos, enfim, pensadores de questões afeitas, parece algo que flerta com o óbvio. Isso posto, não podemos perder de vista que tal diferenciação está longe de ser de simples compreensão para a maioria da população. Vejam a cultura daqueles que sempre que precisam de algo, vão pedir um favor para o secretario ‘A’ ou para o vereador ‘B’. Essas pessoas não enxergam o Estado, nem tampouco um governo. Aliás, não se percebem enquanto cidadãos, logo, também não reconhecem seus direitos. Resta-lhes então a alternativa de buscar a ‘ajuda’, o ‘favor’, enfim a piedade de alguém ‘quase santo’ que lhes possa socorrer.

Políticas públicas quando implementadas e percebidas pela população, ou boa parte dela, rompem com essa perspectiva. Ninguém acha que está recebendo favor de alguém quando leva o filho para vacinar ou mesmo quando acessa gratuitamente um atendimento na Saúde ou na Educação.

Notem que não entro aqui no mérito da qualidade, do alcance, ou do reconhecimento. Neste texto curto, e de caráter informativo/provocativo, o objetivo é apenas dialogar com o entendimento e a percepção natural de uma política que passa ser de Estado.

Trouxe esse tema para esta semana pois senti esse ganho de status de conhecimento para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Diferente de outros anos, nem a imprensa nem a sociedade, em suas conversas mais rebuscadas ou tradicionais, questionaram a ação.

Houve atrasos, abstenção, debates intensos sobre as questões e até um golaço dos organizadores na escolha do tema da redação, ao trazer para a centralidade dos debates a violência contra a mulher. Isso tudo colocado, e o Enem continua sendo discutido como algo já nosso, entendido e reconhecido como parte de nosso calendário de eventos públicos a ser aprimorado e vivenciado ao longo dos anos. Assim, independentemente do partido, dos erros, ou acertos que virão, a sociedade brasileira reconhece o Enem como ação efetiva e importante da política de Educação.

Como já disse, esse texto não pretende fazer uma análise qualitativa, mas sim convidar você a refletir da importância civilizatória de ações que acabam se consolidando como base ou mesmo parte de políticas de Estado.

Para um País melhor, não precisamos de candidatos que fiquem a todo tempo reinventando a roda. É necessário investirmos naquilo que possa vir de fato a ser público, independentemente da cor da bandeira ou da camiseta. É claro que todos nós temos nossas convicções ideológicas, mas ao fim das contas é também responsabilidade de todos nós construirmos um País que de fato seja nosso.

* Carlos Ferrari é presidente da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência), faz parte da diretoria executiva da ONCB (Organização Nacional de Cegos do Brasil) e é atual integrante do CNS (Conselho Nacional de Saúde). 

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