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Pelada no domingo


Rodolfo de Souza

06/07/2017 | 07:00


 Dizem que faz bem caminhar. Acredito que sim, tendo em vista o par de pernas e pés de que somos dotados, eu e você. Mas hoje, em especial, eu caminho para prestar homenagem à inigualável manhã de domingo. Esta que vem carregada de luminosidade, benéfica radiação que nutre o espírito com uma paz poucas vezes experimentada no dia a dia. Certamente que o pouco movimento de carros contribui para o benfazejo silêncio das ruas, que parece revigorar as energias.

E este sol tépido que realça ainda mais as cores e convida para o passeio a pé no dia consagrado ao descanso, é o inverno tropical que nos oferece, assim, de graça. Clima bom de quem não vive a chateação de ter a temperatura negativa e a neve até os joelhos, quando a estação fria chega. É, sem dúvida, privilégio viver um domingo como este que, por meio da palavra, procuro exaltar aqui neste espaço.

Caminho observando bobagens. Casas, anúncios, terrenos baldios, gente que, assim como eu, anda. Encanto-me com besteiras que me passam velozes quando estou dentro de um carro. A atmosfera é de calma como todo domingo deve ser. A temperatura é agradável e estimula a buscar, quem sabe, o inusitado... Ou somente a conversa fiada, o sorriso das pessoas, a pelada que acontece logo ali...

Diacho! Nem de futebol eu gosto! Mesmo assim interesso-me pelo movimento que presencio no campo sem grama em que homens de uniforme correm atrás da pelota, levantando a poeira. Paro e assisto.

O gordo na calçada tem um carrinho repleto de bebidas, que vende. É o seu ganha-pão, afinal. Mas aproveita para torcer e comentar e se estressar também, nervoso que fica com a equipe A ou B, não sei bem. Parece que o ponta não lançou a bola, deixou o centro avante falando sozinho e ainda perdeu a jogada. Fominha!

Observo-o e aos demais que correm e suam e gritam e se estranham, porque o jogo é sério e “nós não estamos aqui para brincar”.

Para mim, que assisto da calçada, não passa de uma pelada de fim de semana. Mas a coisa é séria!

Percebo também que para aqueles sujeitos pouco importa a atmosfera de paz e aconchego que respiro nesta manhã de domingo.

Subitamente um jogador parte em disparada do meio do campo, ganha a área adversária, dribla, meio sem jeito, a zaga desesperada e chuta com força, fazendo a bola estufar a rede e o peito da plateia que assiste à peleja. Grita e faz batucada, a assistência. Sim, porque num evento como este pode até faltar a bola, mas surdo, tamborim e demais apetrechos de percussão, isto não falta.

Do outro lado do campo estão as pessoas com o coração apertado, passando a mão na cabeça, olhar incrédulo, exibindo, umas para as outras, o semblante angustiado, como se parte de suas vidas se fora com aquele gol tomado. “Isso não podia acontecer, não agora.”

De súbito, o árbitro apita uma falta. Como em toda partida de futebol, então, a reclamação é geral. E partem logo para cima do homem, ser humano mortal que tenta argumentar, sem sucesso. E isso me aborrece. De fato, aquela partida rapidamente começa a me aborrecer.

E eu, fora da cerca, sem compromisso algum com tudo aquilo, repentinamente me pego bocejando. O futebol, por fim, me causou um tédio danado e eu acabei por me lembrar de que o tempo passou e que eu preciso correr à padaria para garantir o frango assado, iguaria que não pode faltar na mesa do domingo.



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Pelada no domingo

Rodolfo de Souza

06/07/2017 | 07:00


 Dizem que faz bem caminhar. Acredito que sim, tendo em vista o par de pernas e pés de que somos dotados, eu e você. Mas hoje, em especial, eu caminho para prestar homenagem à inigualável manhã de domingo. Esta que vem carregada de luminosidade, benéfica radiação que nutre o espírito com uma paz poucas vezes experimentada no dia a dia. Certamente que o pouco movimento de carros contribui para o benfazejo silêncio das ruas, que parece revigorar as energias.

E este sol tépido que realça ainda mais as cores e convida para o passeio a pé no dia consagrado ao descanso, é o inverno tropical que nos oferece, assim, de graça. Clima bom de quem não vive a chateação de ter a temperatura negativa e a neve até os joelhos, quando a estação fria chega. É, sem dúvida, privilégio viver um domingo como este que, por meio da palavra, procuro exaltar aqui neste espaço.

Caminho observando bobagens. Casas, anúncios, terrenos baldios, gente que, assim como eu, anda. Encanto-me com besteiras que me passam velozes quando estou dentro de um carro. A atmosfera é de calma como todo domingo deve ser. A temperatura é agradável e estimula a buscar, quem sabe, o inusitado... Ou somente a conversa fiada, o sorriso das pessoas, a pelada que acontece logo ali...

Diacho! Nem de futebol eu gosto! Mesmo assim interesso-me pelo movimento que presencio no campo sem grama em que homens de uniforme correm atrás da pelota, levantando a poeira. Paro e assisto.

O gordo na calçada tem um carrinho repleto de bebidas, que vende. É o seu ganha-pão, afinal. Mas aproveita para torcer e comentar e se estressar também, nervoso que fica com a equipe A ou B, não sei bem. Parece que o ponta não lançou a bola, deixou o centro avante falando sozinho e ainda perdeu a jogada. Fominha!

Observo-o e aos demais que correm e suam e gritam e se estranham, porque o jogo é sério e “nós não estamos aqui para brincar”.

Para mim, que assisto da calçada, não passa de uma pelada de fim de semana. Mas a coisa é séria!

Percebo também que para aqueles sujeitos pouco importa a atmosfera de paz e aconchego que respiro nesta manhã de domingo.

Subitamente um jogador parte em disparada do meio do campo, ganha a área adversária, dribla, meio sem jeito, a zaga desesperada e chuta com força, fazendo a bola estufar a rede e o peito da plateia que assiste à peleja. Grita e faz batucada, a assistência. Sim, porque num evento como este pode até faltar a bola, mas surdo, tamborim e demais apetrechos de percussão, isto não falta.

Do outro lado do campo estão as pessoas com o coração apertado, passando a mão na cabeça, olhar incrédulo, exibindo, umas para as outras, o semblante angustiado, como se parte de suas vidas se fora com aquele gol tomado. “Isso não podia acontecer, não agora.”

De súbito, o árbitro apita uma falta. Como em toda partida de futebol, então, a reclamação é geral. E partem logo para cima do homem, ser humano mortal que tenta argumentar, sem sucesso. E isso me aborrece. De fato, aquela partida rapidamente começa a me aborrecer.

E eu, fora da cerca, sem compromisso algum com tudo aquilo, repentinamente me pego bocejando. O futebol, por fim, me causou um tédio danado e eu acabei por me lembrar de que o tempo passou e que eu preciso correr à padaria para garantir o frango assado, iguaria que não pode faltar na mesa do domingo.

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