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Delator confirma doação via caixa dois a Donisete e Vanessa Damo

Montagem/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Verbas visavam vantagem da Odebrecht em PPP;
ex-executivo cita R$ 1,9 milhão doado em 2012


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

25/04/2017 | 07:00


Ex-executivo da Odebrecht Ambiental, Guilherme Pamplona Paschoal confirmou, em delação ao MPF (Ministério Público Federal), que a empreiteira fez doações por meio de caixa dois às campanhas de Donisete Braga (PT) e de Vanessa Damo (PMDB) à Prefeitura de Mauá, na eleição de 2012. O delator afirmou ainda que, nas planilhas de contribuições ilegais da empreiteira foram atrelados os codinomes ‘Chegado’ e ‘Guloso’ ao petista e ‘Pistoleira’ à peemedebista. O processo eleitoral foi vencido por Donisete no segundo turno.

De acordo com o delator, ao todo foi R$ 1,9 milhão em contribuições, que tinham como objetivo manter os contratos da Odebrecht Ambiental (braço da empreiteira para o setor de saneamento) com o município – a firma tem a concessão do saneamento municipal – e dar vantagem ao grupo na PPP (Parceria Público-Privada) que privatizaria a distribuição de água na cidade, atualmente sob gestão local, por meio da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá).

Paschoal relatou que as doações, feitas de forma ilegal, a Donisete foram combinadas com o próprio petista e com Edílson de Paula (PT), então secretário do governo Oswaldo Dias (PT, 2009-2012) e coordenador da campanha. “Estive com eles num almoço, eu tinha o contato direto com o Edílson através do celular dele (...) Foi marcado o almoço, na terceira semana de julho no (restaurante) Baby Beef, lá em Santo André. Tive com os dois. Eu já os conhecia. A conversa com eles foi muito cordial. Expliquei que a gente tinha uma grande meta de universalizar o serviço de esgoto na cidade (...) Informei a eles que a quantia (da doação) seria de R$ 1 milhão e que o repasse ia ser realizado por meio de caixa dois”, detalhou Paschoal, ao emendar que ficou acertado que as informações de endereço, senha e horários para recebimento dos valores seriam repassadas a Edílson. “Mas o candidato tinha ciência dos valores e que seria por meio de caixa dois”, garantiu o delator.

Já o valor da doação a Vanessa Damo foi de R$ 900 mil, acertados entre o delator e o então marido da peemedebista, José Carlos Orosco Júnior (PMDB). “Orosco quem me procurou. Eu não conhecia os dois. Nós já tínhamos definido a doação (a Vanessa), mas nem precisei ir atrás da candidata. Isso foi em julho de 2012. Estive com o Orosco na (cafeteria) Starbucks do shopping Eldorado (na Capital). Eu já sabia neste momento o valor, já passei para ele (a quantia), expliquei e apresentei para ele (sobre interesses da Odebrecht), apesar que ele não estava tão interessado (…) O Orosco me procurou e já pediu... a conversa foi curta. Ele queria uma contribuição, foi informado que seria caixa dois e ele disse que não tinha problema algum.”

As doações levavam em conta o tamanho da cidade e chance de vitória do candidato. Em praticamente 40 minutos de denúncias, o delator detalha também pedidos feitos para as eleições de 2014 pelo próprio Donisete, já prefeito, para financiamentos de campanhas de candidatos a deputado estadual “da base” do governo – foram repassados R$ 300 mil – e outra ajuda financeira, de R$ 150 mil, solicitada por Edílson para a candidatura de “Carlos Chagas”.

De acordo com o delator, após a vitória, Donisete “cumpriu” o acordo. Paschoal explicou que a empresa foi responsável pelo estudo da PPP. A Odebrecht Ambiental foi a vencedora do certame e chegou a assinar contrato com a administração. A ordem de serviço só não foi emitida porque o prefeito Atila Jacomussi (PSB) paralisou o processo.

Procurado, Edílson não quis comentar o assunto. “Não posso me pronunciar enquanto não for citado judicialmente”, alegou o petista, que não negou nem confirmou o encontro com o ex-executivo. Já Donisete, Vanessa e Orosco não retornaram aos contatos do Diário.

O caso foi remetido pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, na Capital.

Não constam doações oficiais da Odebrecht às duas candidaturas na prestação de contas, apenas auxílio de R$ 100 mil da Braskem, controlada pela empreiteira, a Vanessa. 



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