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Cidade amigável

Ações que tornaram cidades europeias amigáveis ao transporte não-motorizado


Cristina Baddini

02/12/2011 | 00:00


Entre as ações que tornaram as cidades europeias ‘amigáveis' estão: a meta de eliminar o consumo de combustíveis fósseis e reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050; a boa qualidade do ar; grande quantidade de áreas verdes e recreativas; planos de preservação da água e a excelência em transporte público, além das boas calçadas, ciclovias e ciclofaixas por todas as cidades. 

O estímulo ao transporte não motorizado ajuda a proteger ao meio ambiente e ainda melhora do condicionamento físico da população. A bicicleta é um ‘veiculo de bairro', pode percorrer território de seis quilômetros de raio. Nestes curtos trajetos a segurança de circulação é fundamental. O importante nas nossas cidades é ter ruas ‘amigáveis' e não necessariamente dotadas de ciclovias, mas de infraestrutura que permita a disposição de espaços que são cada vez mais escassos e estão disponíveis ao viário, mas quase nunca dotados de condições para abrigar ciclofaixas onde a baixa velocidade das bicicletas (15 a 20 km/h) não deveria ser ameaçada pela velocidade do tráfego, nos limites permitidos pelo CTB, de 30 km/h em vias locais.

PEDALAR É PRECISO

A segurança no trânsito se baseia fundamentalmente no ‘ver e ser visto'. Três pontos devam ser considerados como prioritários na discussão da segurança:

1 - fazer valer a proibição do uso de insufilme nos carros. Ciclistas e pedestres devem ter certeza de os motoristas os estão vendo, o que pressupõe que pedestres e ciclistas estejam vendo que os motoristas os estão vendo;

2 - a eliminação da ‘direita livre' nos cruzamentos (direita livre é a permissão de que os carros possam virar à direita com o sinal fechado para o trânsito ‘à frente'; nestas condições, os carros mantêm o direito de passar pelas faixas de pedestres, tanto as que cruzam a via ‘direta' como as que existem na via lateral). Nos países ‘civilizados' virar à direita, nestas condições, é condicionado à imposição de que o motorista respeite a passagem de pedestres e ciclistas por estas duas faixas, só passando quando as duas travessias estiverem desempedidas. No Brasil, infelizmente não é assim;

3 - é inaceitável o argumento de que o ciclista não foi visto ‘por estar no ponto cego' do carro. Na época do Big Brother, com câmeras instaladas em todos os locais, que a indústria automobilística ainda se valha de espelhos para dar aos motoristas a visão do que existe no entorno dos carros é absurdo. Pior, instalaram nos espelhos da lateral direita dos carros, um espelho côncavo que dá ao motorista uma imagem distorcida da distância ‘real' que o separa de outros veículos (bicicletas e motos, principalmente).

TREINAMENTO

Não se exige dos ciclistas que tenham conhecimento prévio das regras de trânsito. Por isso, é importante a montagem de programas educativos e campanhas permanentes sobre técnicas do que é chamado de ‘pedal defensivo'. Os ciclistas em geral aprendem, ‘na prática', regras de convivência no trânsito. O problema é que motoristas também não têm nenhum treinamento para o ‘trafego compartilhado'.

Finalmente, pedalar é bom para todos. Se tivermos menos carros nas ruas, teremos mais espaço, mais qualidade de vida, ar mais respirável e menos barulho, menos acidentes, menos estresse no trânsito. É preciso desenvolver senso de cidadania, no qual cada um tenha consciência de seu papel no futuro do planeta. É preciso ter a ousadia e tentar outras formas de se deslocar. Vamos ousar!



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Cidade amigável

Ações que tornaram cidades europeias amigáveis ao transporte não-motorizado

Cristina Baddini

02/12/2011 | 00:00


Entre as ações que tornaram as cidades europeias ‘amigáveis' estão: a meta de eliminar o consumo de combustíveis fósseis e reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050; a boa qualidade do ar; grande quantidade de áreas verdes e recreativas; planos de preservação da água e a excelência em transporte público, além das boas calçadas, ciclovias e ciclofaixas por todas as cidades. 

O estímulo ao transporte não motorizado ajuda a proteger ao meio ambiente e ainda melhora do condicionamento físico da população. A bicicleta é um ‘veiculo de bairro', pode percorrer território de seis quilômetros de raio. Nestes curtos trajetos a segurança de circulação é fundamental. O importante nas nossas cidades é ter ruas ‘amigáveis' e não necessariamente dotadas de ciclovias, mas de infraestrutura que permita a disposição de espaços que são cada vez mais escassos e estão disponíveis ao viário, mas quase nunca dotados de condições para abrigar ciclofaixas onde a baixa velocidade das bicicletas (15 a 20 km/h) não deveria ser ameaçada pela velocidade do tráfego, nos limites permitidos pelo CTB, de 30 km/h em vias locais.

PEDALAR É PRECISO

A segurança no trânsito se baseia fundamentalmente no ‘ver e ser visto'. Três pontos devam ser considerados como prioritários na discussão da segurança:

1 - fazer valer a proibição do uso de insufilme nos carros. Ciclistas e pedestres devem ter certeza de os motoristas os estão vendo, o que pressupõe que pedestres e ciclistas estejam vendo que os motoristas os estão vendo;

2 - a eliminação da ‘direita livre' nos cruzamentos (direita livre é a permissão de que os carros possam virar à direita com o sinal fechado para o trânsito ‘à frente'; nestas condições, os carros mantêm o direito de passar pelas faixas de pedestres, tanto as que cruzam a via ‘direta' como as que existem na via lateral). Nos países ‘civilizados' virar à direita, nestas condições, é condicionado à imposição de que o motorista respeite a passagem de pedestres e ciclistas por estas duas faixas, só passando quando as duas travessias estiverem desempedidas. No Brasil, infelizmente não é assim;

3 - é inaceitável o argumento de que o ciclista não foi visto ‘por estar no ponto cego' do carro. Na época do Big Brother, com câmeras instaladas em todos os locais, que a indústria automobilística ainda se valha de espelhos para dar aos motoristas a visão do que existe no entorno dos carros é absurdo. Pior, instalaram nos espelhos da lateral direita dos carros, um espelho côncavo que dá ao motorista uma imagem distorcida da distância ‘real' que o separa de outros veículos (bicicletas e motos, principalmente).

TREINAMENTO

Não se exige dos ciclistas que tenham conhecimento prévio das regras de trânsito. Por isso, é importante a montagem de programas educativos e campanhas permanentes sobre técnicas do que é chamado de ‘pedal defensivo'. Os ciclistas em geral aprendem, ‘na prática', regras de convivência no trânsito. O problema é que motoristas também não têm nenhum treinamento para o ‘trafego compartilhado'.

Finalmente, pedalar é bom para todos. Se tivermos menos carros nas ruas, teremos mais espaço, mais qualidade de vida, ar mais respirável e menos barulho, menos acidentes, menos estresse no trânsito. É preciso desenvolver senso de cidadania, no qual cada um tenha consciência de seu papel no futuro do planeta. É preciso ter a ousadia e tentar outras formas de se deslocar. Vamos ousar!

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