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Caso Elián mantém os EUA em suspense


Do Diário do Grande ABC

15/04/2000 | 13:35


Lágrimas, indignaçao popular, velhos reflexos da guerra fria: todos os ingredientes estao reunidos para fazer do drama do menino náufrago cubano Elián González a última grande telenovela que está apaixonando os Estados Unidos.

De manha até a noite, há semanas, o menor, cuja mae tentava chegar com ele aos Estados Unidos em uma lancha motorizada, morrendo na tentativa, vem ganhando todos os destaques de primeira página, ao ponto de o New York Times estimar que a mediatizaçao desta tragédia familiar literalmente caiu no "frenesi".

Todas as emissoras de televisao cobrem o caso de forma permanente, ao vivo, com helicópteros de apoio e com um acompanhamento minucioso, que mantém os telespectadores em estado de alerta.

O drama tem seus atores principais: Elián, 6 anos, resgatado do naufrágio; seu tio-avô Lázaro, que está mantendo distância tanto de Fidel Castro como de Bill Clinton; Maryslesis, 21 anos, filha de Lázaro, que tem desenvolvido sentimentos maternais em relaçao ao menino e chora ao vivo diante das câmaras. E finalmente o pai de Elián, Juan Miguel González.

A trama se desenrola dia após dia há cerca de cinco meses, mas agora com uma intensidade muito maior, desde a chegada a Washington, uma semana antes, do pai, Juan Miguel, com sua nova esposa e seu bebê de seis meses.

"A palavra-chave neste assunto é manipulaçao", considera o sociólogo e jurista Emilio Vianno. Os limites, estima, foram superados com a difusao na quinta-feira de um vídeo, gravado por Lázaro González, onde se vê Elián dizer que nao quer voltar para Cuba.

Segundo o analista, "um núcleo duro" da comunidade americano-cubana chegou - graças à televisao - a fazer quase esquecer o laço natural entre o pai e o filho. "Se a mae de Elián estivesse viva e seu pai houvesse morrido no naufrágio, ninguém teria podido justificar uma separaçao prolongada", lembra. "É a conseqüência desta ultramediatizaçao: as redes de televisao cedem às pressoes de certos extremistas para conseguir melhores imagens. A dinâmica do discurso muda e o sentido comum se perde", lamenta o sociólogo.

Outra conseqüência: a opiniao pública norte-americana parece ter desenvolvido uma grande dependência ante estas sagas da mídia.

Basta lembrar a paixao suscitada entre a populaçao pelo caso de Mônica Lewinsky, a estagiária da Casa Branca que ganhou fama graças a uma obscura história sexual com o presidente Clinton.

Ou também o jogador de futebol americano O.J. Simpson, declarado inocente em outubro de 1995 do assassinato de sua esposa e de um de seus amigos. Cerca de 150 milhoes de norte-americanos acompanharam o veredicto deste julgamento, que durou 16 meses. "A opiniao pública tem necessidade destas sagas, em particular aquelas que, como é o caso de Elián, os conforta em seu sentimento de superioridade em relaçao a outros países", assegura Vianno.

Ainda mais porque no caso Elián o ingrediente político - a briga de 41 anos entre os Estados Unidos e o comunismo cubano - desempenha um papel central.

Para muitos norte-americanos, é até difícil dissimular o prazer que lhes provoca ouvir que os cubanos estao se jogando na água para fugir do "inferno castrista" e se concentram em suas fronteiras para viver a doçura do "sonho americano".

Isto nao impede, contudo, que a maioria deles esteja de acordo com seu Governo, pronunciando-se desde o início do caso em favor da volta a Cuba do pequeno Elián.



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Caso Elián mantém os EUA em suspense

Do Diário do Grande ABC

15/04/2000 | 13:35


Lágrimas, indignaçao popular, velhos reflexos da guerra fria: todos os ingredientes estao reunidos para fazer do drama do menino náufrago cubano Elián González a última grande telenovela que está apaixonando os Estados Unidos.

De manha até a noite, há semanas, o menor, cuja mae tentava chegar com ele aos Estados Unidos em uma lancha motorizada, morrendo na tentativa, vem ganhando todos os destaques de primeira página, ao ponto de o New York Times estimar que a mediatizaçao desta tragédia familiar literalmente caiu no "frenesi".

Todas as emissoras de televisao cobrem o caso de forma permanente, ao vivo, com helicópteros de apoio e com um acompanhamento minucioso, que mantém os telespectadores em estado de alerta.

O drama tem seus atores principais: Elián, 6 anos, resgatado do naufrágio; seu tio-avô Lázaro, que está mantendo distância tanto de Fidel Castro como de Bill Clinton; Maryslesis, 21 anos, filha de Lázaro, que tem desenvolvido sentimentos maternais em relaçao ao menino e chora ao vivo diante das câmaras. E finalmente o pai de Elián, Juan Miguel González.

A trama se desenrola dia após dia há cerca de cinco meses, mas agora com uma intensidade muito maior, desde a chegada a Washington, uma semana antes, do pai, Juan Miguel, com sua nova esposa e seu bebê de seis meses.

"A palavra-chave neste assunto é manipulaçao", considera o sociólogo e jurista Emilio Vianno. Os limites, estima, foram superados com a difusao na quinta-feira de um vídeo, gravado por Lázaro González, onde se vê Elián dizer que nao quer voltar para Cuba.

Segundo o analista, "um núcleo duro" da comunidade americano-cubana chegou - graças à televisao - a fazer quase esquecer o laço natural entre o pai e o filho. "Se a mae de Elián estivesse viva e seu pai houvesse morrido no naufrágio, ninguém teria podido justificar uma separaçao prolongada", lembra. "É a conseqüência desta ultramediatizaçao: as redes de televisao cedem às pressoes de certos extremistas para conseguir melhores imagens. A dinâmica do discurso muda e o sentido comum se perde", lamenta o sociólogo.

Outra conseqüência: a opiniao pública norte-americana parece ter desenvolvido uma grande dependência ante estas sagas da mídia.

Basta lembrar a paixao suscitada entre a populaçao pelo caso de Mônica Lewinsky, a estagiária da Casa Branca que ganhou fama graças a uma obscura história sexual com o presidente Clinton.

Ou também o jogador de futebol americano O.J. Simpson, declarado inocente em outubro de 1995 do assassinato de sua esposa e de um de seus amigos. Cerca de 150 milhoes de norte-americanos acompanharam o veredicto deste julgamento, que durou 16 meses. "A opiniao pública tem necessidade destas sagas, em particular aquelas que, como é o caso de Elián, os conforta em seu sentimento de superioridade em relaçao a outros países", assegura Vianno.

Ainda mais porque no caso Elián o ingrediente político - a briga de 41 anos entre os Estados Unidos e o comunismo cubano - desempenha um papel central.

Para muitos norte-americanos, é até difícil dissimular o prazer que lhes provoca ouvir que os cubanos estao se jogando na água para fugir do "inferno castrista" e se concentram em suas fronteiras para viver a doçura do "sonho americano".

Isto nao impede, contudo, que a maioria deles esteja de acordo com seu Governo, pronunciando-se desde o início do caso em favor da volta a Cuba do pequeno Elián.

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