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Incêndio mata jovem
e destrói oito barracos

Uma pessoa ficou ferida em acampamento
de sem-teto da Rua Adriático, em Santo André

Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC
01/08/2013 | 07:00
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Denis Maciel/DGABC


Atualizada às 16h

Um incêndio de médias proporções matou uma pessoa, deixou um ferido e destruiu oito barracos em terreno ocupado pelos sem-teto ontem na Rua Adriático, no Jardim do Estádio, em Santo André.

O acidente ocorreu por volta das 22h e as causas do incêndio são desconhecidas. Um jovem de 20 anos morreu. A informação inicial, segundo moradores do acampamento do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), era de que um fogão ligado teria começado o fogo, mas, de acordo a família, não havia o eletrodoméstico no local. O rapaz vivia com dois irmãos, mas estava sozinho na noite de ontem.

Um dos líderes do movimento, o porteiro Jorge Santos Rodrigues, 34 anos, contou que, ao ver o barraco em chamas, os moradores tentaram, em vão, controlá-las com baldes de água. Com medo e para evitar que outras moradias – feitas de madeira e lona, materiais altamente inflamáveis – fossem atingidas, adotaram uma medida drástica. Eles destruíram os próprios barracos para formar uma espécie de grande fogueira e isolar o incêndio. “No desespero, acabou dando certo. Mas o bem material não é nada perto de uma vida que perdemos”, lamentou Rodrigues.

Em um dos barracos desmontados havia uma senhora ferida, que foi levada ao CHM (Centro Hospitalar Municipal).

Os moradores contaram que esse é o terceiro incêndio desde que a área foi ocupada, há cerca de um ano e meio.

Nos episódios anteriores, não houve feridos.

O caso será registrado no 4º DP (Jardim) e o IC (Instituto de Criminalística) realizaria perícia no local ainda durante a madrugada.

HISTÓRICO

Quando foi ocupado, na noite de 2 de março de 2012, cerca de 1.300 famílias integravam a ação organizada pelo MTST com pessoas que viviam em situações precárias em bairros de periferia da cidade. O objetivo era forçar a negociação com o poder público e garantir a construção de moradias populares.

Os sem-teto conseguiram impedir na Justiça o cumprimento de inúmeros pedidos de reintegração de posse e, após negociações, obtiveram da Prefeitura de Santo André o compromisso de encaminhar a questão.

O município pretende desapropriar o terreno e construir, em parceria com o Estado e governo federal, 1.000 unidades habitacionais na área.




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