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Emprego tem risco
de queda em 2012

Redução na previsão de alta da produção industrial e do PIB
atinge trabalho e deve gerar ressaca de desemprego no País


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

03/04/2012 | 07:00


Uma ressaca de desemprego está por vir e promete agitar o mar do mercado de trabalho brasileiro. As ondas do desemprego devem aumentar, neste ano, com a produção industrial em queda. Com isso, a geração de riquezas no País, apontada pelo PIB (Produto Interno Bruto), também será menor.

Este é um dos cenários desenhados pelo mercado financeiro, segundo análise do professor de Economia da PUC-SP José Nicolau Pompeo, com base no boletim Focus publicado pelo Banco Central ontem.

O documento reúne as projeções dos especialistas das instituições financeiras e não financeiras. Nesta edição, apresenta várias reduções nos indicadores econômicos, ante a semana passada.

Para a expansão da produção industrial, a perspectiva recuou de 2,03% para 2%. Apenas neste decréscimo, grosseiramente, o País terá cerca de R$ 300 milhões a menos. Sem contar o incremento potencial que o valor teria no PIB, considerando o restante da cadeia até o consumidor.

Quanto ao PIB, a desaceleração na projeção foi de 3,23% para 3,20%, na alta de 2012. Essa diferença parece pequena, de apenas 0,03 ponto percentual. Mas, em dinheiro, chega próximo aos orçamentos dos municípios da região. Sobre o PIB de 2011, R$ 4,14 trilhões, a redução de 0,03 ponto representa R$ 1,24 bilhão.

São Bernardo, com R$ 3,768 bilhões, e Santo André, com R$ 2,672 bilhões, superam a diferença. As demais cidades têm orçamento menor do que R$ 1 bilhão.

PROBLEMAS - "Quando a indústria tem problemas com a produção, as primeiras medidas são cortes de funcionários e atraso de impostos", analisou o professor de Economia.

Apesar de o Focus mostrar as expectativas, o cenário atual aponta para as incertezas e riscos, disse Pompeo. "O desemprego na indústria já começou. E não é só o setor que está indo mal no País."

O professor citou alguns casos críticos. Um é o setor sucroalcooleiro, no qual algumas empresas se encontram com as receitas em situação delicada, muitas não saem do vermelho. Outro caso é o da construção civil. Apesar da demanda por imóveis elevada, algumas gigantes do setor passam por maus bocados. Elas estão reformulando estratégias para cobrir resultados de 2011.

Pompeo citou o possível anúncio do governo federal, que deve ocorrer hoje, de estímulo à produção. Será uma injeção entre R$ 15 bilhões e R$ 30 bilhões. O montante será disponibilizado, por crédito, pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"Isso é bom porque mostra que o governo está monitorando. Mas acho que é pouco dinheiro para segurar a desaceleração no País", disse o acadêmico. Ele espera mais medidas do Executivo para reverter o cenário atual.

NEGATIVO - A tendência atual aponta para o desemprego, que é um dos fatores que mudam a curva da inflação. Menos empregados no País refletem em menor demanda, que estabiliza ou derruba os preços.

Mas Pompeo foi além e lembrou sobre os imprevistos, como os efeitos climáticos que afetam de modo negativo a oferta e podem elevar os preços. "Dessa maneira entraríamos em um momento de estagflação", disse. Esse fenômeno representa a soma da estagnação da atividade econômica com a inflação e, segundo o economista, é bem mais prejudicial à economia do que a alta pressão inflacionária.

Pompeo destacou outro problema que está por explodir na economia mundial. "Temos o caso da petroleira Total, que pode influenciar pela oferta." A empresa francesa constatou vazamento de gases explosivos em uma de suas plataformas no Mar do Norte. Mais de 200 funcionários da unidade foram evacuados.

"Esse problema, o qual não é possível prever o desfecho, provavelmente afetará o preço mundial do barril do petróleo, e terá reflexo nos preços dos derivados", analisou Pompeu.

 

Inflação da FGV fica superior à projeção do Focus ao IPCA

 

O boletim Focus mostra redução na previsão para a inflação oficial de março, para 0,43%. Mas o índice da FGV (Fundação Getulio Vargas) do mesmo mês fechou em 0,60%.

Segundo o documento publicado pelo BC (Banco Central), a expectativa é que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) suba 0,43%, contra 0,45% previsto na semana passada.

Esse indicador é apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

O Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia) publicou ontem o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor) de março, que subiu 0,60%, com sete grupos, de oito, apresentando acréscimos. Os produtos alimentícios ficaram 0,63% mais caros. E as despesas com habitação pesaram 1,03% a mais no bolso das famílias.

O grupo vestuário inflacionou 0,61%. E o saúde e cuidados pessoais seguiu o movimento com alta de 0,71%.

Produtos do grupo educação, leitura e recreação ficaram 0,46% mais caros. E os preços dos transportes (0,26%) e das despesas diversas (0,14%) seguiram o movimento. Os preços dos produtos e serviços de comunicação, segundo o Ibre-FGV, diminuíram 0,21%.

As metodologias dos dois indicadores são diferentes, mas ambos mostram a inflação para as famílias brasileiras.



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