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Falta atendimento psicológico à polícia


Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

23/03/2008 | 07:00


Policiais civis e militares em atividade no Grande ABC não recebem atendimento psicológico na região. O efetivo, que conta com mais de 5.000 policiais, deve buscar apoio em unidades da Capital. A distância e a falta de exigência de análises mentais por parte do comando podem levar soldados a situações de estresse elevado, cujo resultado, muitas vezes, é trágico.

 Há uma semana, o policial militar Guilherme Vieira Correia, 26 anos, invadiu a casa da ex-namorada e, segundo testemunhas, atirou em cinco pessoas da família. Duas morreram na hora e outras três ficaram feridas. O soldado estava afastado das ruas por transgressões disciplinares e agressão. Apesar dos indícios de comportamento violento, Correia não fazia acompanhamento psicológico constante. Nenhum policial faz. Somente quem procura atendimento de forma espontânea ou é encaminhado após situação de estresse traumático.

 O capitão e psicólogo do Casjota (Centro de Assistência Social e Jurídica da Polícia Militar do Estado de São Paulo) Leandro Gomes Santana explica que o suporte psicológico, quando realizado, inclui uma série de exames mentais. “A partir dos resultados obtidos, direcionamos o tratamento. Dependendo do caso, oferecemos um estágio de desenvolvimento psicoemocional.”

 O sistema ainda conta com acompanhamento ambulatorial, com terapias individuais ou em grupo. “O policial pode nos procurar de maneira voluntária. Ele terá sua identidade preservada. Temos cerca de 40 psicólogos para ambas as modalidades – a média é de um profissional para cada 1.175 policiais militares na Grande São Paulo”, afirma.

 Soldados do Grande ABC devem se deslocar em busca de tratamento. O mesmo serve para policiais civis da região. A secretaria do Estado de Segurança Pública conta com outros 17 psicólogos para todo o efetivo, que chega a 34 mil no Estado, numa média de um profissional para cada 2.000 policiais. Mas, segundo a secretaria, entidades como a Santa Casa de São Paulo e o Hospital do Servidor Público Estadual podem receber integrantes.

 Na terapia voluntária, não apenas temas cotidianos do serviço são trabalhados, segundo a psicóloga da USP Henriette Morato. “Levamos em conta toda a vida do policial. O caráter não é punitivo. Para atendimento específicos, há a Corregedoria”, diz.

 A legislação determina que policiais militares passem por avaliações médicas todos os anos para continuarem exercendo a função. Os exames, porém, só consideram a parte física do soldado. O aspecto psicológico é deixado de lado.

 Para o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo, cabo Wilson Oliveira Morais, a obrigatoriedade da avaliação mental poderia ajudar na prevenção de problemas entre os policiais.

 “O governo poderia incluir este tipo de exame todos os anos, para acompanhamento constante. O problema é que para isso teríamos de, pelo menos, triplicar o número de psicólogos em atividade”, afirma.

 À frente de 30 mil associados, Morais revela que atualmente não existem dados sobre tratamento psicológico entre os policiais. “Antigamente, a secretaria de Segurança Pública informava a quantidade de PMs que passavam pelo tratamento. Hoje não há estatísticas”, afirma. O Diário solicitou a informação à assessoria da Pasta e a resposta foi a mesma.

 Para o deputado estadual Olímpio Gomes (PV), o sistema de acompanhamento psicológico oferecido pelo Estado é vergonhoso. “Deveríamos ter um psicólogo em cada quartel. Ano passado, 35 policiais se suicidaram, sem contar as centenas de tentativas”, relata.

 O tenente Dirceu Cardoso Gonçalves explica que o segundo emprego estressa ainda mais o soldado. “O bico é muito mais perigoso que o trabalho feito na polícia, pois não há proteção nem respaldo da equipe. Isso deixa o profissional ainda mais vulnerável e com necessidade de acompanhamento”, explica.



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