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‘A próxima vítima’

Um presidente pode ser melhor ou pior, um governo pode ser mais ou menos eficiente, há políticos com maior ou menor vocação autoritária


Carlos Brickmann

22/09/2010 | 00:00


Um presidente pode ser melhor ou pior, um governo pode ser mais ou menos eficiente, há políticos com maior ou menor vocação autoritária, mas é rara a eleição que muda mesmo a vida de cada um de nós (exceto, claro, daqueles que passam a mamar nas fartas tetas oficiais). Já as violações da lei e da Constituição, quando toleradas, mudam muito nossa vida. De repente, o inocente é punido sem ser condenado, é preso sem processo formado, é vítima sem ser julgado.

E sua vida, caro leitor, já está exposta ao público. Noticia-se que a Petrobras obteve a quebra do sigilo de 400 mil pessoas, em nove anos (para ter informações sobre candidatos a emprego). Mas é injusto culpar a Petrobras: ela segue uma regra disseminada entre as empresas brasileiras, que adoram vasculhar a vida dos candidatos a emprego. As autoridades costumam aceitar a quebra do sigilo dos outros, mesmo sabendo que é crime punível com até seis anos de prisão.

As empresas alegam que têm de conhecer direito quem é que estão contratando. Talvez até tenham razão; mas, então, que lutem para mudar a lei. E como explicar violações de sigilo que nada têm com emprego? Esta coluna já citou o caso de João Alckmin, combativo radialista de São José dos Campos, que enfrenta a máfia dos caça-níqueis. Os sigilos dele foram violados mais de 20 vezes em dois anos, e por entidades como a Polícia cearense, por exemplo, ou a Polícia Rodoviária. Tudo ilegal - e ele não está procurando emprego em lugar nenhum.

Isso acontece, caro leitor. E ninguém está seguro.

SEGREDOS À VENDA
O caro leitor nunca fez nada de errado e não teme quebras de sigilo? Perfeito: se se sente bem assim, que tome a iniciativa de divulgar seus dados. Nunca mais terá paz em seu endereço, em seu telefone. Mas, de qualquer forma, não precisa se preocupar em divulgar sua vida: já tem boas chances de que sua vida financeira esteja nos CDs vendidos no centro de grandes cidades (em São Paulo, na Rua Santa Ifigênia), por R$ 10 ou R$ 15.

A PALAVRA DO LEITOR
Humberto Domingos Pastore, de São Caetano, assíduo leitor desta coluna, envia sua colaboração sobre sigilos, baseada no poeta russo Maiakovski: Um dia violaram o sigilo fiscal dos políticos adversários. E se achou normal.

Um dia violaram o sigilo dos filhos dos políticos adversários. E se achou normal. Quando violaram o sigilo de um caseiro para beneficiar um ministro, já haviam achado normal. Quando vão reconhecer a gravidade desta situação?

CHATO, MAS ENGRAÇADO
Da avalanche de denúncias sobraram algumas frases engraçadas, de diversos autores:

1 - Meu problema com Serra, Marina e Dilma não é apenas moral. É sobretudo estético.

2 - Está havendo reincidência de um crime já cometido antes por autoridades: a formação de família.

3 - Erenice é mais que uma pessoa física. É uma holding.



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‘A próxima vítima’

Um presidente pode ser melhor ou pior, um governo pode ser mais ou menos eficiente, há políticos com maior ou menor vocação autoritária

Carlos Brickmann

22/09/2010 | 00:00


Um presidente pode ser melhor ou pior, um governo pode ser mais ou menos eficiente, há políticos com maior ou menor vocação autoritária, mas é rara a eleição que muda mesmo a vida de cada um de nós (exceto, claro, daqueles que passam a mamar nas fartas tetas oficiais). Já as violações da lei e da Constituição, quando toleradas, mudam muito nossa vida. De repente, o inocente é punido sem ser condenado, é preso sem processo formado, é vítima sem ser julgado.

E sua vida, caro leitor, já está exposta ao público. Noticia-se que a Petrobras obteve a quebra do sigilo de 400 mil pessoas, em nove anos (para ter informações sobre candidatos a emprego). Mas é injusto culpar a Petrobras: ela segue uma regra disseminada entre as empresas brasileiras, que adoram vasculhar a vida dos candidatos a emprego. As autoridades costumam aceitar a quebra do sigilo dos outros, mesmo sabendo que é crime punível com até seis anos de prisão.

As empresas alegam que têm de conhecer direito quem é que estão contratando. Talvez até tenham razão; mas, então, que lutem para mudar a lei. E como explicar violações de sigilo que nada têm com emprego? Esta coluna já citou o caso de João Alckmin, combativo radialista de São José dos Campos, que enfrenta a máfia dos caça-níqueis. Os sigilos dele foram violados mais de 20 vezes em dois anos, e por entidades como a Polícia cearense, por exemplo, ou a Polícia Rodoviária. Tudo ilegal - e ele não está procurando emprego em lugar nenhum.

Isso acontece, caro leitor. E ninguém está seguro.

SEGREDOS À VENDA
O caro leitor nunca fez nada de errado e não teme quebras de sigilo? Perfeito: se se sente bem assim, que tome a iniciativa de divulgar seus dados. Nunca mais terá paz em seu endereço, em seu telefone. Mas, de qualquer forma, não precisa se preocupar em divulgar sua vida: já tem boas chances de que sua vida financeira esteja nos CDs vendidos no centro de grandes cidades (em São Paulo, na Rua Santa Ifigênia), por R$ 10 ou R$ 15.

A PALAVRA DO LEITOR
Humberto Domingos Pastore, de São Caetano, assíduo leitor desta coluna, envia sua colaboração sobre sigilos, baseada no poeta russo Maiakovski: Um dia violaram o sigilo fiscal dos políticos adversários. E se achou normal.

Um dia violaram o sigilo dos filhos dos políticos adversários. E se achou normal. Quando violaram o sigilo de um caseiro para beneficiar um ministro, já haviam achado normal. Quando vão reconhecer a gravidade desta situação?

CHATO, MAS ENGRAÇADO
Da avalanche de denúncias sobraram algumas frases engraçadas, de diversos autores:

1 - Meu problema com Serra, Marina e Dilma não é apenas moral. É sobretudo estético.

2 - Está havendo reincidência de um crime já cometido antes por autoridades: a formação de família.

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