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Partos por cesariana caem lentamente no Grande ABC

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Taxa na região chegou a 58,9% do total de bebês nascidos vivos; em todo o País, índice é de 55,96%


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

02/03/2020 | 07:00


 A auxiliar jurídica Thamires Talarico, 26 anos, moradora de Santo André, é mãe de duas meninas: Mirela, nascida em 2016, e Clara, em 2018. As duas vieram ao mundo por cesáreas, embora Thamires tenha tentado e desejado partos normais. A jovem pretende engravidar de novo, mas, desta vez, quer passar pela experiência do parto normal. “Tenho consciência de que é melhor para todo mundo.”

O número de nascimentos ocorridos por meio de cesarianas no Grande ABC tem caído lentamente nos últimos três anos. Segundo dados do Sinasc (Sistema de Informações sobre os Nascidos Vivos), do Ministério da Saúde, a proporção passou de 60,27% do total de bebês nascidos vivos em 2016 para 58,9% em 2018, último ano disponível.

Em todo o País, 55,96% dos 2,943 milhões de nascimentos que ocorreram há dois anos foram por via cirúrgica. Os dados de 2018 ainda são preliminares.

Embora em queda, a taxa de cesariana nas redes pública e privada da região ainda é considerada alta. Por vários anos, a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) foi a de que 15% dos partos fossem por cesarianas. Atualmente, recomenda-se série de avaliações para determinar um percentual, mas especialistas indicam que acima de 30% não são notados quaisquer benefícios para o binômio mãe-bebê.

Professor titular da disciplina de obstetrícia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Mauro Sancovski afirmou que culturalmente as mulheres brasileiras não se agradam com a ideia de um trabalho de parto longo, de dez ou 12 horas. De acordo com o médico, as altas taxas de nascimento por via cirúrgica na região se mantêm por conta da preferência das gestantes. “Para ter a comodidade de ser atendida pelo médico do pré-natal, a maioria agenda a cirurgia.”

O especialista destacou, no entanto, que as evidências científicas mostram que o parto normal é mais benéfico para mãe e criança. “É preciso que se estabeleça, ainda no pré-natal, um diálogo com a gestante, com a sua família, sobre como pode se dar o parto. Que pode levar várias horas, para que não haja a ansiedade que muitas vezes acaba atrapalhando o processo”, pontuou.

Em janeiro deste ano, um bebê morreu logo após o nascimento em Ribeirão Pires e uma adolescente de 15 anos e seu filho morreram depois do parto, em Diadema. Nos dois casos, as famílias atribuíram as mortes à insistências das equipes dos hospitais públicos no parto normal. O médico observou que não poderia comentar os casos por não saber os detalhes, mas que é preciso avaliação criteriosa de todo o atendimento. “O risco de morte materna e fetal é menor em partos vaginais”, explicou. As administrações lamentaram as mortes e alegaram que toda assistência foi prestada.

Lei de São Paulo obriga o SUS a realizar cirurgia a pedido da gestante
Desde agosto, vigora no Estado de São Paulo lei de autoria da deputada estadual Janaína Paschoal (PSL) que garante à gestante atendida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) pedir pela cesariana, mesmo que sem indicação do médico, a partir da 39ª semana de gestação. Para o professor titular da disciplina de Obstetrícia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Mauro Sancovski, a medida é um erro. “A lei permite que a gestante faça essa opção durante o trabalho de parto, o que aumenta as chances de perda uterina”, apontou o especialista.

Para o médico, o que uma gestante deseja durante o trabalho de parto é se sentir confortável e não ter dor, o que pode ser resolvido com o uso de anestesia peridural. “Ela não quer sofrer e tem toda a razão, mas existem formas de prestar uma assistência de parto normal e essa mulher não estar em sofrimento”, pontuou.

Na região, as maternidades municipais não têm registro sobre números de cesarianas a pedido da gestante e, segundo as administrações municipais de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá, os cuidados ofertados sempre valorizam a importância do parto normal e as gestantes têm acesso a métodos farmacológicos e não farmacológicos para alívio da dor. São Caetano e Rio Grande não responderam



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