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CPI vai pedir cassaçao de suplente de Hildebrando


Do Diário do Grande ABC

29/09/1999 | 22:31


A CPI do Narcotráfico vai pedir a cassaçaodo deputado José Aleksandro (PFL-AC), que assumiu a vaga do deputado cassado Hildebrando Pascoal. Ele depôs hoje na Comissao Parlamentar de Inquérito e, segundo o deputado Moroni Torgan (PFL-CE), relator da CPI, teria mentido em seu depoimento ao negar ser dono de uma chácara no município de Senador Guiomard, no Acre. Moroni garantiu que a CPI tem provas de que a chácara pertence ao deputado e que ele estaria tentando esconder seu patrimônio. O relator disse que a prestaçao de informaçoes falsas à CPI caracteriza quebra de decoro parlamentar, permitindo a abertura do processo de cassaçao de mandato.  

Em seu depoimento, José Aleksandro negou que tenhaenvolvimento com o narcotráfico, mas enfrentou dificuldades para explicar seu enriquecimento ao longo desta década. O deputado, que já foi denunciado por estelionato e formaçao de quadrilha, também deixou sem respostas algumas perguntas sobre sua ficha policial.  

Denúncias - Na primeira fase do depoimento, em que teve liberdade para falar livremente por mais de 30 minutos, José Aleksandro evitou responder às denúncias formuladas pela CPI e pelo Ministério Público do Acre contra ele. A exemplo do que fez o ex-deputado Hildebrando Pascoal, ele alegou que estava sendo alvo de ''uma perseguiçao`` política de ''promotores petistas``.  

O deputado também passou boa parte do tempo fazendoacusaçoes ao governador do Acre, Jorge Viana (PT), tomando por base declaraçoes de parentes de Hildebrando. ''Meu nome foi colocado como o de uma pessoa ligada ao narcotráfico, com grupos de extermínio. Nao tive oportunidade de me defender``, disse José Aleksandro.  

A formaçao de patrimônio nao foi explicada pelo deputado.Funcionário público até 1992, e filho de um açougueiro, Aleksandro é considerado um dos homens mais ricos de Rio Branco. ''Seu patrimônio contradiz com o que o senhor está afirmando``, disse o deputado Magno Malta (PTB-ES) ao ler uma lista de bens atribuídos a Aleksandro.  

O deputado se complicou mais ainda ao justificar sua fichapolicial. Antes de assumir a vaga de Hildebrando, Aleksandro enviou à CPI um dossiê, numa tentativa de provar que nao tem nenhum problema com a Justiça ou a polícia. Mas, segundo Magno Malta, Aleksandro excluiu da documentaçao o trecho de um inquérito, realizado em Fortaleza, em que é acusado de peculato e formaçao de quadrilha. O dossiê foi encaminhado também à presidência e à corregedoria da Câmara. ''Está claro aí uma tentativa de enganar a CPI``, disse Malta.  

Crime eleitoral - José Aleksandro deixou escapar que''quatro ou cinco táxis`` trabalharam para ele ''no dia`` das eleiçoes passadas, numa cidade do interior do Acre. O deputado nao esclareceu se os táxis foram utilizados para transportar eleitores. ''Ele está admitindo um crime eleitoral``, afirmou a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ).   José Aleksandro responde a processo na 2ªVara Criminal deRio Branco por desvio de R$ 1,2 milhao da Câmara de Vereadores. O deputado é acusado ainda de envolvimento com o grupo de traficantes e matadores supostamente liderado por Hildebrando Pascoal.   Entre os supostos crimes de José Aleksandro estaria oatentado ao ex-secretário da Fazenda do Acre, Walterlúcio Bessa Campelo. Em depoimento à CPI, Walterlúcio disse que Aleksandro havia encomendado sua morte.  

José Aleksandro é irmao de Alexandre Alves, o Nim, um dos27 presos transportados do Acre para Brasília sábado passado, sob a acusaçao de pertencerem a um grupo de extermínio que seria comandado por Hildebrando Pascoal.



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CPI vai pedir cassaçao de suplente de Hildebrando

Do Diário do Grande ABC

29/09/1999 | 22:31


A CPI do Narcotráfico vai pedir a cassaçaodo deputado José Aleksandro (PFL-AC), que assumiu a vaga do deputado cassado Hildebrando Pascoal. Ele depôs hoje na Comissao Parlamentar de Inquérito e, segundo o deputado Moroni Torgan (PFL-CE), relator da CPI, teria mentido em seu depoimento ao negar ser dono de uma chácara no município de Senador Guiomard, no Acre. Moroni garantiu que a CPI tem provas de que a chácara pertence ao deputado e que ele estaria tentando esconder seu patrimônio. O relator disse que a prestaçao de informaçoes falsas à CPI caracteriza quebra de decoro parlamentar, permitindo a abertura do processo de cassaçao de mandato.  

Em seu depoimento, José Aleksandro negou que tenhaenvolvimento com o narcotráfico, mas enfrentou dificuldades para explicar seu enriquecimento ao longo desta década. O deputado, que já foi denunciado por estelionato e formaçao de quadrilha, também deixou sem respostas algumas perguntas sobre sua ficha policial.  

Denúncias - Na primeira fase do depoimento, em que teve liberdade para falar livremente por mais de 30 minutos, José Aleksandro evitou responder às denúncias formuladas pela CPI e pelo Ministério Público do Acre contra ele. A exemplo do que fez o ex-deputado Hildebrando Pascoal, ele alegou que estava sendo alvo de ''uma perseguiçao`` política de ''promotores petistas``.  

O deputado também passou boa parte do tempo fazendoacusaçoes ao governador do Acre, Jorge Viana (PT), tomando por base declaraçoes de parentes de Hildebrando. ''Meu nome foi colocado como o de uma pessoa ligada ao narcotráfico, com grupos de extermínio. Nao tive oportunidade de me defender``, disse José Aleksandro.  

A formaçao de patrimônio nao foi explicada pelo deputado.Funcionário público até 1992, e filho de um açougueiro, Aleksandro é considerado um dos homens mais ricos de Rio Branco. ''Seu patrimônio contradiz com o que o senhor está afirmando``, disse o deputado Magno Malta (PTB-ES) ao ler uma lista de bens atribuídos a Aleksandro.  

O deputado se complicou mais ainda ao justificar sua fichapolicial. Antes de assumir a vaga de Hildebrando, Aleksandro enviou à CPI um dossiê, numa tentativa de provar que nao tem nenhum problema com a Justiça ou a polícia. Mas, segundo Magno Malta, Aleksandro excluiu da documentaçao o trecho de um inquérito, realizado em Fortaleza, em que é acusado de peculato e formaçao de quadrilha. O dossiê foi encaminhado também à presidência e à corregedoria da Câmara. ''Está claro aí uma tentativa de enganar a CPI``, disse Malta.  

Crime eleitoral - José Aleksandro deixou escapar que''quatro ou cinco táxis`` trabalharam para ele ''no dia`` das eleiçoes passadas, numa cidade do interior do Acre. O deputado nao esclareceu se os táxis foram utilizados para transportar eleitores. ''Ele está admitindo um crime eleitoral``, afirmou a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ).   José Aleksandro responde a processo na 2ªVara Criminal deRio Branco por desvio de R$ 1,2 milhao da Câmara de Vereadores. O deputado é acusado ainda de envolvimento com o grupo de traficantes e matadores supostamente liderado por Hildebrando Pascoal.   Entre os supostos crimes de José Aleksandro estaria oatentado ao ex-secretário da Fazenda do Acre, Walterlúcio Bessa Campelo. Em depoimento à CPI, Walterlúcio disse que Aleksandro havia encomendado sua morte.  

José Aleksandro é irmao de Alexandre Alves, o Nim, um dos27 presos transportados do Acre para Brasília sábado passado, sob a acusaçao de pertencerem a um grupo de extermínio que seria comandado por Hildebrando Pascoal.

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