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Malaquias real e fantástico


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

18/07/2010 | 07:03


Um raio atinge uma casa no meio de um vale. Cinco pessoas dormem. Pai e mãe, em um quarto, são fulminados, enquanto os três filhos pequenos, em outro cômodo, sofrem apenas pequenas queimaduras. Poderia ser apenas uma história repetida, às vezes com certo exagero, em qualquer parte do interior do País. Mas a fatalidade ocorreu mesmo e, por aquelas coincidências que todo interiorano gosta de frisar, na família de um escritor. É a história desses três irmãos o ponto de partida para Os Malaquias (Editora Língua Geral, 272 págs., R$ 39), o primeiro romance de Andréa Del Fuego, escritora de São Bernardo. O lançamento é na terça-feira, às 18h30, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915. Tel.: 3814-5811).

Nico, Antônio e Júlia, os protagonistas da saga, são, respectivamente, avô e tios-avós da autora, que conservou os nomes originais em seus personagens, que segue até a idade adulta. Além da morte prematura dos pais do trio, provocada por um fenômeno da natureza, são fatos verdadeiros o nanismo de Antônio e o vilarejo inundado para dar lugar a uma represa.

A partir daí, a saga abre caminho à pena criativa da neta de Nico. Apesar de dar novos destinos aos personagens, as escolhas da escritora refletem também a convivência com esses personagens e o ambiente em que eles cresceram, no sul de Minas, fértil em contos sobrenaturais que Andréa ouviu desde menina, quando visitava o lugar nas férias.

"Sempre se falava como coisas muito importantes. Não tinha diferença dizer que havia senhoras que moravam atrás da cachoeira ou sobre o pagamento de uma conta de luz", explica.

Embora admire a literatura realista, a parte de ficção de Os Malaquias acabou adquirindo elementos fantásticos, incluindo fantasmas. Mais do que recurso estilístico, inserir magia foi também uma maneira de se afastar e conseguir lidar com personagens tão próximos dela mesma. "É uma belíssima fuga. As pessoas existiram, a descrição do lugar me transportava para lá", explica.

O livro levou sete anos para ser completado. "O primeiro copião ficou pronto em meses. Mas aí é um exercício de abandono. De ir e voltar, reescrever, de achar que está tudo um lixo", revela.

Versátil - começou escrevendo em uma coluna sobre sexo, lançou três coletâneas de contos, dois livros infantojuvenis e uma novela para neoleitores, muitos dos quais durante o processo de Os Malaquias -, Andréa sentiu o peso do primeiro romance. "Dá a impressão de que eu comecei agora. Tudo existiu para que eu terminasse esse romance. Assim como ele existiu para que eu começasse um novo, agora urbano", compara.

Mesmo com a sensação de estar no início, Andréa tem, aos 35 anos, status de contadora de histórias deliciosas. Em capítulos curtos e ágeis, mas construídos com esmero, a escritora dá conta de narrar a própria história e ainda espelhar a de tantas famílias. De se enxergar e se emocionar.



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