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Postos são afetados pela Petrobras

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Movimentos de retaliação à bandeira BR nas redes
sociais prejudicam apenas a sociedade e a economia


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

18/02/2015 | 07:03


Os escândalos noticiados recentemente sobre a Petrobras têm deixado muitos brasileiros indignados ao pensar até onde a corrupção pode chegar. Isso tem gerado vários grupos de discussões e correntes nas redes sociais que têm incentivado consumidores a deixarem de abastecer nos postos de bandeira BR como forma de protesto contra a estatal. No entanto, este tipo de atitude, conhecido pelos acadêmicos da área de Administração como consumerismo, prejudicará em grande parte a sociedade, mas não a gigante de capital aberto.

“Eu entendo que esse movimento tem um nome. É um movimento consumerista, quando o consumidor começa adquirir alguns produtos por critérios que ele estabelece. É como o consumo consciente ou o sustentável”, explicou o especialista em Administração José Turíbio de Oliveira, que ministra aulas na FIA (Fundação Instituto de Administração), FSA (Fundação Santo André) e USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

O especialista explica que o objetivo principal desse tipo de campanha, que seria protestar contra a Petrobras deixando de gerar vendas nos postos de bandeira BR, não será atingido. Isso porque os postos que atuam como revendedores do produto são empresas ímpares, que utilizam apenas a bandeira com uma forma de atrair consumidores.

“Os prejudicados no fim das contas serão os trabalhadores, os funcionários, os empresários, as empresas que vendem outros produtos para os postos. A cadeia inteira daquele estabelecimento será afetada. Isso porque um movimento desse pode desequilibrar a empresa econômica e financeiramente, e quem sofrerá serão a sociedade e a economia local”, avalia Turíbio.

“Nós somos postos de gasolina. Compramos da BR distribuidora. Mas tanto essa empresa como a Ipiranga e a Shell (Raízen) também adquirem os combustíveis das refinarias da Petrobras”, esclarece o dono de posto BR de Santo André Toninho Gonzalez, fundador do Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Grande ABC).

Gonzalez revela que suas vendas no estabelecimento, desde que os movimentos foram identificados nas redes sociais, tiveram queda de 20%. Por outro lado, em seus outros dois postos, da bandeira Shell, não houve recuo na comercialização, mesmo recebendo produto distribuído por companhia que adquire das refinarias da Petrobras.

Além de CNPJs (Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica) diferentes, observa o presidente do Regran, Wagner de Souza, essas empresas estão totalmente desvinculadas à gestão da Petrobras, na qual o problema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, da PF (Polícia Federal) está localizado.

“Os postos têm uma gestão, a distribuidora tem outra e, a Petrobras, outra. Pelo fato de os postos pertencerem à rede BR, eles seguem a política da bandeira na venda de combustível. Mas são também prestadores de serviço, com lavagem de carro, troca de óleo, comercialização de outros produtos na loja de conveniência, além da comercialização dos produtos (combustíveis) da BR”, detalha Turíbio.

O proprietário de dois postos de combustível localizados na região que preferiu não se identificar, opina que as ações nas redes sociais ainda não têm prejudicado suas vendas, mas os recentes encarecimentos, vindos das distribuidoras, devido à entressafra da cana-de-açúcar (que encareceu o etanol em média em R$ 0,14 na região) e ao aumento da carga tributária federal (que deixou a gasolina R$ 0,22 mais cara), sim. “No geral, o movimento caiu 10%”, afirma.

Reajuste da carga tributária leva preço da gasolina a até R$ 3,39 na região

No dia 1º, a Petrobras aumentou o litro da gasolina em R$ 0,22 nas refinarias, empresas que revendem às distribuidoras. Segundo a estatal, sua margem de preços não subiu; a companhia garantiu que apenas repassou a alta na carga tributária do governo federal (PIS/Cofins). Isso fez com que a gasolina chegasse ao consumidor por até R$ 3,39.

Segundo o levantamento semanal da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), dos 100 postos de bandeira pesquisados na região entre os dias 1º e 7, um estabelecimento em Diadema cobrava R$ 3,39 pelo produto.

Dois postos em Santo André também já com o repasse da elevação da Petrobras para as distribuidoras, que não revelaram a estratégia de comercialização, cobravam R$ 3,29 pelo combustível, além de outros dois em São Bernardo e três em São Caetano.

ETANOL - No caso do etanol, que ficou cerca de R$ 0,14 mais caro nas distribuidoras, atingiu até R$ 2,39, por litro, na bomba, segundo o levantamento da ANP. 



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