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Escritor Cony lança coletânea de crônicas

Carlos Heitor Cony não gosta de falar de si, tanto que
relutou muito a escrever sua autobiografia, recém-lançada


Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

21/06/2010 | 07:01


Carlos Heitor Cony gosta de conversar. Quando o assunto é política, não fica em cima do muro. Quando é futebol, solta o verbo com empolgação. Mas falar de si não está entre seus temas preferidos. Tanto que relutou muito a escrever uma autobiografia - tão solicitada por editores.

Para resolver de vez a questão, reuniu textos de sua autoria produzidos ao longo de mais de 50 anos de profissão como jornalista e escritor. "Juntei essas crônicas mais personalizadas que, de certa forma, montam um perfil meu. É um retrato das minhas possibilidades e fraquezas. Não deixa de ser uma confissão", explica Cony.

A coletânea está no livro Eu, aos Pedaços (Leya, 256 págs., R$ 39,90), que acaba de chegar às livrarias. "Satisfiz os editores e me satisfiz também", conclui.

A obra não traz dados biográficos, como data e local de nascimento. Ele mesmo escreve na apresentação que acha isso desnecessário. Mas, só para não deixar lacunas, Cony nasceu em 1926, no Rio de Janeiro, onde vive ainda hoje.

Na crônica intitulada Autorretrato, o autor diz que "o gosto da infância que nunca foi embora" o persegue e o ameaça. Na entrevista, Cony explica que é até os 7 anos que o ser humano se forma. "Depois tudo é circunstância. A gente acaba tomando atitudes e, inconscientemente, está vingando ou bajulando o menino que foi", diz.

O livro é dividido em nove temas: infância, família, jornalismo, cotidiano, viagens, reflexões, relações, personagens e política. Vários textos lembram a época em que ele foi seminarista, na tentativa frustrada de ser padre. Quatorze páginas são dedicadas a fotografias pessoais, em vários tipos de situação - como plantando sementes em Havana, em 1968, ou durante entrevista com o papa João Paulo II, em 1980.

BATE-PAPO
Quando a conversa segue outros rumos, Cony parece deslanchar. Serra, Dilma e Marina; nosso próximo presidente está entre esses três nomes? Ele acredita que sim, com mais possibilidades para os dois primeiros. "Mas eu não voto. Estou isento por idade e, mesmo que não estivesse, não votaria em nenhum desses".

Copa do Mundo também mexe com o escritor, que está concentrando suas forças para secar a Itália. "Eles são tetracampeões, com mais um título alcançam a gente". Além disso, se diz muito favorável à realização do Mundial no Brasil: "Sou sobrevivente da Copa de 50 e ela está entalada na garganta até hoje".

Trechos

"Daí a pouca importância que dou ao adulto que me sucedeu. É um farsante. Finge levar a vida com a seriedade possível, mas está louco para que a missão acabe e ele possa voltar a ser o menino que cresceu contra a vontade. Por isso, foi mudo até os cinco anos, não conseguia pronunciar nenhuma palavra, nenhum som articulado. E, quando falou, falou errado. Trocava as letras, até os quinze anos tropeçava nas palavras. (...) No fundo, ele até que se distraía: falar errado ou nada falar era um recurso para não assumir a vida que não quis nem pediu."

"No século passado, quando nasci e me iniciei no ofício que até hoje exerço, um dos meus espantos foi descobrir que, nas redações de antigamente, todos, do redator-chefe ao contínuo que levava os originais para a composição, todos, sem exceção, faziam poesias."



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Escritor Cony lança coletânea de crônicas

Carlos Heitor Cony não gosta de falar de si, tanto que
relutou muito a escrever sua autobiografia, recém-lançada

Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

21/06/2010 | 07:01


Carlos Heitor Cony gosta de conversar. Quando o assunto é política, não fica em cima do muro. Quando é futebol, solta o verbo com empolgação. Mas falar de si não está entre seus temas preferidos. Tanto que relutou muito a escrever uma autobiografia - tão solicitada por editores.

Para resolver de vez a questão, reuniu textos de sua autoria produzidos ao longo de mais de 50 anos de profissão como jornalista e escritor. "Juntei essas crônicas mais personalizadas que, de certa forma, montam um perfil meu. É um retrato das minhas possibilidades e fraquezas. Não deixa de ser uma confissão", explica Cony.

A coletânea está no livro Eu, aos Pedaços (Leya, 256 págs., R$ 39,90), que acaba de chegar às livrarias. "Satisfiz os editores e me satisfiz também", conclui.

A obra não traz dados biográficos, como data e local de nascimento. Ele mesmo escreve na apresentação que acha isso desnecessário. Mas, só para não deixar lacunas, Cony nasceu em 1926, no Rio de Janeiro, onde vive ainda hoje.

Na crônica intitulada Autorretrato, o autor diz que "o gosto da infância que nunca foi embora" o persegue e o ameaça. Na entrevista, Cony explica que é até os 7 anos que o ser humano se forma. "Depois tudo é circunstância. A gente acaba tomando atitudes e, inconscientemente, está vingando ou bajulando o menino que foi", diz.

O livro é dividido em nove temas: infância, família, jornalismo, cotidiano, viagens, reflexões, relações, personagens e política. Vários textos lembram a época em que ele foi seminarista, na tentativa frustrada de ser padre. Quatorze páginas são dedicadas a fotografias pessoais, em vários tipos de situação - como plantando sementes em Havana, em 1968, ou durante entrevista com o papa João Paulo II, em 1980.

BATE-PAPO
Quando a conversa segue outros rumos, Cony parece deslanchar. Serra, Dilma e Marina; nosso próximo presidente está entre esses três nomes? Ele acredita que sim, com mais possibilidades para os dois primeiros. "Mas eu não voto. Estou isento por idade e, mesmo que não estivesse, não votaria em nenhum desses".

Copa do Mundo também mexe com o escritor, que está concentrando suas forças para secar a Itália. "Eles são tetracampeões, com mais um título alcançam a gente". Além disso, se diz muito favorável à realização do Mundial no Brasil: "Sou sobrevivente da Copa de 50 e ela está entalada na garganta até hoje".

Trechos

"Daí a pouca importância que dou ao adulto que me sucedeu. É um farsante. Finge levar a vida com a seriedade possível, mas está louco para que a missão acabe e ele possa voltar a ser o menino que cresceu contra a vontade. Por isso, foi mudo até os cinco anos, não conseguia pronunciar nenhuma palavra, nenhum som articulado. E, quando falou, falou errado. Trocava as letras, até os quinze anos tropeçava nas palavras. (...) No fundo, ele até que se distraía: falar errado ou nada falar era um recurso para não assumir a vida que não quis nem pediu."

"No século passado, quando nasci e me iniciei no ofício que até hoje exerço, um dos meus espantos foi descobrir que, nas redações de antigamente, todos, do redator-chefe ao contínuo que levava os originais para a composição, todos, sem exceção, faziam poesias."

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