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Siga o cheiro do dinheiro


Carlos Brickmann

29/09/2013 | 07:00


Há algo em comum entre os 32 partidos políticos do País. Não, não é o nome Partido: o Solidariedade, de Paulinho, não se chama “partido”. E a Rede, de Marina Silva, se vier a ser registrada, também não terá este nome. O que têm em comum é que todos podem aliar-se em eleições estaduais, combater-se em eleições federais, ou vice-versa, unir-se em torno de um candidato, opor-se a ele. E ninguém vai estranhar o ziguezague: aqui, acredita-se, partido é assim mesmo.

Se um partido pode tudo, sem qualquer preocupação com programas de governo ou com alguma ideologia, por que tantos políticos se preocupam em criar outros partidos? Para que formar 32 partidos? Para que servem? Que é que são?

São minas de ouro – com a vantagem de não exigir investimento para extraí-lo. Há montanhas de dinheiro público à disposição de seus dirigentes. O fundo partidário distribuiu no ano passado R$ 286,2 milhões. A propaganda política chamada de gratuita custa ao Tesouro perto de R$ 900 milhões em ano eleitoral (só é gratuita para o partido, porque a conta vem para nós). Os dois partidos novos, Pros e Solidariedade, mal se formaram e já levam R$ 30 milhões anuais do fundo partidário. No Brasil, partido não é um instrumento para chegar ao poder. No Brasil, partido normalmente é um instrumento para chegar ao dinheiro.

Sigam o caminho do dinheiro, dizia aos repórteres que desvendavam o escândalo Watergate sua principal fonte, apelidado de Garganta Profunda. Quer saber por que surgem tantos partidos? Siga o dinheiro. Há gente com bolsos profundos.

Além da imaginação

Mas é pura ingenuidade acreditar que com esse dinheiro os partidos ficam saciados. Há ainda os cargos públicos com nomeações sem concurso, prêmio extra pelo apoio eleitoral; há o aluguel do horário gratuito, nem sempre oferecido gratuitamente pelos partidos menores aos aliados maiores. E há certas transferências da organização para os organizadores que, quando descobertas, se transformam em escândalo. Mas como querer que os beneméritos organizadores, que dedicam a vida ao partido e à democracia, paguem suas contas pessoais no fim do mês?

Os insaciáveis

Com tudo isso, ainda há quem queira que as campanhas sejam financiadas por dinheiro público. Como vimos, já são. O que querem é mais dinheiro público.

Voa, dinheiro

Quando ouvir falar que não há dinheiro para melhorar a Segurança Pública ou para pagar melhor os policiais, pode acreditar: é verdade. O dinheiro segue outros caminhos. Em São Paulo, esta coluna comprovou, com documentos, que 19 coronéis da Polícia Militar ganham mais que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) – cujo salário de R$ 28.059,29, por lei, é o máximo que pode ser pago a qualquer servidor público. O menor salário da lista é de R$ 30.154,00; o maior, de R$ 52.883,66. E o governador? Geraldo Alckmin vai bem, obrigado.

É Dilma de novo

Pesquisa Ibope, encomendada pelo jornal O Estado de S.Paulo, mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) subiu oito pontos percentuais em dois meses: alcançou 38% das intenções de voto para a eleição de 2014, mais que todos os candidatos da oposição somados. Marina Silva continua em segundo, mas caiu de 22 para 16%. Aécio (PSDB) caiu um pouco, de 13 para 11% (se o candidato fosse Serra, seriam 12%, e Dilma teria 37, em vez de 38%). Eduardo Campos também caiu um pouco, de 5 para 4%. Há, conforme o cenário, entre 30 e 31% sem candidato. Destes, metade diz que votará branco ou nulo. Como explicar a recuperação de Dilma, depois de ter caído de 58% (antes das manifestações) para 30%? Dois parecem ser os motivos principais: primeiro, a economia vai-se sustentando, sem avançar mas também sem recuar; segundo, ninguém sabe quais as propostas da oposição. A oposição é contra o governo – como, aliás, é sua obrigação. Mas que é que pretende mudar, se vencer? Tirando o avô de Aécio e os olhos verdes de Campos, qual a diferença entre eles e o tucano derrotado em 2006, Geraldo Alckmin, tão insosso que foi apelidado de ‘picolé de chuchu’?

Os votos e a economia

Nada entusiasmante; mas os sinais econômicos são levemente favoráveis, abrindo espaço para o favoritismo da candidatura de Dilma. A taxa de desemprego está em 5,3%, a menor do ano; a renda média dos assalariados subiu 1,3% em agosto, comparada à de agosto de 2012. A inflação continua contida – artificialmente, sem dúvida, apenas represada, mas por enquanto sem que o bolso do eleitor sofra a ponto de levá-lo a votar numa oposição que pede desculpas por existir.

É brincadeira

O governo do Distrito Federal sancionou a lei que proíbe armas de brinquedo em Brasília. Pistola d’água, espada de He-Man, revólver de espoleta, essas coisas perigosas quando empunhadas por bandidos, não mais ameaçarão a segurança da população brasiliense. Mas ainda falta proibir as crianças de apontar o dedo indicador para alguém, gritando “pam! pam!”. Pois é: sempre se soube disso, mas com o julgamento do Mensalão ficou mais claro que os maiores gatunos que operam na cidade não precisam de armas para assaltar os cidadãos de bem.



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Siga o cheiro do dinheiro

Carlos Brickmann

29/09/2013 | 07:00


Há algo em comum entre os 32 partidos políticos do País. Não, não é o nome Partido: o Solidariedade, de Paulinho, não se chama “partido”. E a Rede, de Marina Silva, se vier a ser registrada, também não terá este nome. O que têm em comum é que todos podem aliar-se em eleições estaduais, combater-se em eleições federais, ou vice-versa, unir-se em torno de um candidato, opor-se a ele. E ninguém vai estranhar o ziguezague: aqui, acredita-se, partido é assim mesmo.

Se um partido pode tudo, sem qualquer preocupação com programas de governo ou com alguma ideologia, por que tantos políticos se preocupam em criar outros partidos? Para que formar 32 partidos? Para que servem? Que é que são?

São minas de ouro – com a vantagem de não exigir investimento para extraí-lo. Há montanhas de dinheiro público à disposição de seus dirigentes. O fundo partidário distribuiu no ano passado R$ 286,2 milhões. A propaganda política chamada de gratuita custa ao Tesouro perto de R$ 900 milhões em ano eleitoral (só é gratuita para o partido, porque a conta vem para nós). Os dois partidos novos, Pros e Solidariedade, mal se formaram e já levam R$ 30 milhões anuais do fundo partidário. No Brasil, partido não é um instrumento para chegar ao poder. No Brasil, partido normalmente é um instrumento para chegar ao dinheiro.

Sigam o caminho do dinheiro, dizia aos repórteres que desvendavam o escândalo Watergate sua principal fonte, apelidado de Garganta Profunda. Quer saber por que surgem tantos partidos? Siga o dinheiro. Há gente com bolsos profundos.

Além da imaginação

Mas é pura ingenuidade acreditar que com esse dinheiro os partidos ficam saciados. Há ainda os cargos públicos com nomeações sem concurso, prêmio extra pelo apoio eleitoral; há o aluguel do horário gratuito, nem sempre oferecido gratuitamente pelos partidos menores aos aliados maiores. E há certas transferências da organização para os organizadores que, quando descobertas, se transformam em escândalo. Mas como querer que os beneméritos organizadores, que dedicam a vida ao partido e à democracia, paguem suas contas pessoais no fim do mês?

Os insaciáveis

Com tudo isso, ainda há quem queira que as campanhas sejam financiadas por dinheiro público. Como vimos, já são. O que querem é mais dinheiro público.

Voa, dinheiro

Quando ouvir falar que não há dinheiro para melhorar a Segurança Pública ou para pagar melhor os policiais, pode acreditar: é verdade. O dinheiro segue outros caminhos. Em São Paulo, esta coluna comprovou, com documentos, que 19 coronéis da Polícia Militar ganham mais que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) – cujo salário de R$ 28.059,29, por lei, é o máximo que pode ser pago a qualquer servidor público. O menor salário da lista é de R$ 30.154,00; o maior, de R$ 52.883,66. E o governador? Geraldo Alckmin vai bem, obrigado.

É Dilma de novo

Pesquisa Ibope, encomendada pelo jornal O Estado de S.Paulo, mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) subiu oito pontos percentuais em dois meses: alcançou 38% das intenções de voto para a eleição de 2014, mais que todos os candidatos da oposição somados. Marina Silva continua em segundo, mas caiu de 22 para 16%. Aécio (PSDB) caiu um pouco, de 13 para 11% (se o candidato fosse Serra, seriam 12%, e Dilma teria 37, em vez de 38%). Eduardo Campos também caiu um pouco, de 5 para 4%. Há, conforme o cenário, entre 30 e 31% sem candidato. Destes, metade diz que votará branco ou nulo. Como explicar a recuperação de Dilma, depois de ter caído de 58% (antes das manifestações) para 30%? Dois parecem ser os motivos principais: primeiro, a economia vai-se sustentando, sem avançar mas também sem recuar; segundo, ninguém sabe quais as propostas da oposição. A oposição é contra o governo – como, aliás, é sua obrigação. Mas que é que pretende mudar, se vencer? Tirando o avô de Aécio e os olhos verdes de Campos, qual a diferença entre eles e o tucano derrotado em 2006, Geraldo Alckmin, tão insosso que foi apelidado de ‘picolé de chuchu’?

Os votos e a economia

Nada entusiasmante; mas os sinais econômicos são levemente favoráveis, abrindo espaço para o favoritismo da candidatura de Dilma. A taxa de desemprego está em 5,3%, a menor do ano; a renda média dos assalariados subiu 1,3% em agosto, comparada à de agosto de 2012. A inflação continua contida – artificialmente, sem dúvida, apenas represada, mas por enquanto sem que o bolso do eleitor sofra a ponto de levá-lo a votar numa oposição que pede desculpas por existir.

É brincadeira

O governo do Distrito Federal sancionou a lei que proíbe armas de brinquedo em Brasília. Pistola d’água, espada de He-Man, revólver de espoleta, essas coisas perigosas quando empunhadas por bandidos, não mais ameaçarão a segurança da população brasiliense. Mas ainda falta proibir as crianças de apontar o dedo indicador para alguém, gritando “pam! pam!”. Pois é: sempre se soube disso, mas com o julgamento do Mensalão ficou mais claro que os maiores gatunos que operam na cidade não precisam de armas para assaltar os cidadãos de bem.

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