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Paulo Skaf diz que falta gestão no Estado

Arquivo DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pré-candidato a governador pelo PMDB, presidente da Fiesp usará modelo do Sesi como vitrine da Educação e afirma que seu eleitor não é apenas do meio empresarial


Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

29/09/2013 | 07:00


Estilo empresarial, focado na eficiência e nos resultados, mas com ampla visão social. Paulo Skaf, do PMDB, não esconde que usará este mote na campanha ao governo do Estado, em 2014. Presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e com grande aceitação dos industriais, Skaf não acredita que sua boa posição nas recentes pesquisas – tem cerca de 20%, na segunda posição – esteja associada só à classe mais alta. “Esse índice representa 6,5 milhões de eleitores e não temos esse número de empresários”. Em entrevista exclusiva ao Diário, o empresário – que já disputou o governo em 2010 – afirma que o eleitor não buscará cor partidária, mas sim quem possa apresentar mudanças. Sua principal vitrine será a excelência do sistema Sesi e Senai na Educação. Critica as ações na Segurança Pública e Saúde e garante que o problema não é falta de dinheiro. A seguir, os principais trechos da entrevista.

DIÁRIO – Que avaliação o senhor faz do ensino público estadual?

PAULO SKAF – O ensino público não é eficiente como o oferecido pelo Sesi e Senai de São Paulo pela mesma razão que a Segurança Pública e serviços de Saúde não são eficientes. Faltam gestão e compromisso com os resultados. E isso acontece na indústria, no Sesi e no Senai. Compromisso com resultado se traduz em respeito com as pessoas. E é justamente isso que falta na gestão pública. O governo inaugura hoje uma escola como se tivesse inaugurando qualquer construção. A preocupação se lá vão ter professores estimulados, se os alunos vão aprender, se a alimentação vai ser boa, essa não faz parte. Essa é a grande diferença.

DIÁRIO – É possível, então, que o ensino público seja como do Sesi e Senai?

SKAF – Tem de ser. Esse é meu sonho, que um dia todos os jovens do Estado tenham a mesma oportunidade que os do Sesi e Senai. E São Paulo pode dar esse exemplo para o resto do Brasil. Nós temos a obrigação de sair na frente, já que o Orçamento de São Paulo é maior do que o da Argentina. Um Estado que é rico não pode não ser exemplo na Educação, na Segurança, na infraestrutura, na Saúde. Fala-se muito que falta dinheiro. Não concordo. O problema é gestão.

DIÁRIO – O Orçamento da Educação, na avaliação do senhor, é suficiente?

SKAF – Há R$ 20 bilhões, além de mais R$ 10 bilhões para o Ensino Superior. É bastante dinheiro. A Segurança Pública tem R$ 15 bilhões. Isso significa 1,3% do PIB paulista. A Alemanha gasta 1,2% do PIB em Segurança. Proporcionalmente, gasta-se mais que na Alemanha. E há segurança aqui? Então por qual razão isso não acontece? Aí entra a forma de fazer. São necessárias mudanças para poder ter resultados diferentes. Eu não digo que não haja coisas boas no governo do Estado. Todo mundo quer acertar. Mas quando você tem o mesmo grupo por muitos anos o estilo de se fazer as coisas já fica esgotado. Os problemas que não resolvem, é porque não sabem resolver. Tem de mudar.

DIÁRIO – Mas o PMDB não ajudou a implementar este estilo, já que também governou o Estado neste período a que o senhor se refere e representou uma espécie de continuidade ao PSDB?

SKAF – Esse é um grupo que deixou de ser PMDB há mais de 20 anos. É diferente. Se pensassem igual, não teriam deixado o partido. E faz 20 anos que estão no poder. Muita coisa boa deve ter sido feita. Mas muitos problemas persistem. Pega um jornal de 15 anos atrás e você vai perceber que muitos problemas são os mesmos. Não pode ser assim. Os problemas precisam ser resolvidos. Uma criança de sete anos não saber ler e escrever é lamentável. Compromete-se toda uma geração. Quando se renova, há mais chance de se resolver problemas.

DIÁRIO – Qual é o grande problema de gestão, então, na avaliação do senhor?

SKAF – Há muitos problemas. Não dá para resolvê-los a longo prazo. A questão da Saúde é emergencial. Quem precisa fazer uma ressonância magnética não pode esperar seis meses. É necessário que haja soluções urgentes. Precisa de um choque de gestão. Na Segurança, é preciso ter medidas. Na Educação, é preciso agir. Se você pegar o projeto do Sesi, com nove anos de Ensino Fundamental, tempo integral, boa alimentação, prática de esportes, atividades, vamos ter um cidadão com uma educação mais completa. Aí é possível ter um novo Estado de São Paulo. Daí serão necessários menos hospitais e presídios.

DIÁRIO – Que análise o senhor faz e a que o senhor atribui os resultados das recentes pesquisas, que o colocam em segundo lugar?

SKAF – Fico só agradecido. Isso é o reconhecimento de um trabalho, que é feito com muita seriedade, com busca de resultados concretos. Isso se expressa nessas pesquisas que me dão esse patamar a um ano da eleição. Vamos discutir candidatura no ano que vem, mas se um ano antes as pessoas lembram do meu nome como possível candidato a governador de São Paulo, só tenho a agradecer esse reconhecimento. Isso só faz com que nossa responsabilidade aumente.

DIÁRIO – Isso consolida a candidatura própria do PMDB ao governo?

SKAF – Não há dúvida. O PMDB já tomou essa decisão, que é irreversível. Há até uma certa euforia dentro do partido no sentido de poder propor a São Paulo uma opção nova. Uma proposta nova ao eleitor de São Paulo, no momento em que vai bem ao encontro do que as pessoas querem, que é dar uma oxigenada na política.

DIÁRIO – Como será dizer ao eleitorado que sua imagem não está ligada somente à classe empresarial?

SKAF – Existe um número grande de empresários, mas não existem 6,5 milhões de empresários. E 20% (índice registrado por Skaf, em média, nas pesquisas) de um colégio eleitoral de 32 milhões são 6,5 milhões. Certamente esse índice não é só de empresários. O que a pesquisa mostra é um reconhecimento em todas as classes. Não é correto pensar que isso acontece. Até porque temos feito um trabalho que envolve toda a população. Por exemplo, nós travamos uma batalha para a redução da tarifa de energia elétrica, que atingiu todo mundo, não só a indústria. O fim da CPMF beneficiou todos os brasileiros. A redução dos impostos federais na cesta básica beneficiou todos os brasileiros, principalmente os mais pobres. Creio que haja um reconhecimento desse trabalho. Nossa luta é pela justiça social, respeito às pessoas e a busca pela eficiência. Todos nós estamos cansados da falta de eficiência. Ninguém quer mais que as coisas sejam feitas a qualquer custo. Tenho, e agradeço, muito, o apoio dos empresários. Senão não teria sido reeleito presidente da Fiesp com 99,5% dos votos, nem do Ciesp. Então há uma relação com o empresariado, mas quando a pesquisa te coloca com 20%, isso são 6,5 milhões de pessoas. E não existe nem um milhão de empresários. Então 90% disso não tem nada a ver com a classe empresarial.

DIÁRIO – O senhor acha, então, que poderia tirar votos tanto do PT quanto do PSDB?

SKAF – Estamos discutindo ainda uma possível candidatura. As pessoas vão avaliar o perfil do candidato. Mais do que a cor partidária, o que vale é o resultado, a eficiência no trabalho. Isso é o que vai pesar.



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Paulo Skaf diz que falta gestão no Estado

Pré-candidato a governador pelo PMDB, presidente da Fiesp usará modelo do Sesi como vitrine da Educação e afirma que seu eleitor não é apenas do meio empresarial

Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

29/09/2013 | 07:00


Estilo empresarial, focado na eficiência e nos resultados, mas com ampla visão social. Paulo Skaf, do PMDB, não esconde que usará este mote na campanha ao governo do Estado, em 2014. Presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e com grande aceitação dos industriais, Skaf não acredita que sua boa posição nas recentes pesquisas – tem cerca de 20%, na segunda posição – esteja associada só à classe mais alta. “Esse índice representa 6,5 milhões de eleitores e não temos esse número de empresários”. Em entrevista exclusiva ao Diário, o empresário – que já disputou o governo em 2010 – afirma que o eleitor não buscará cor partidária, mas sim quem possa apresentar mudanças. Sua principal vitrine será a excelência do sistema Sesi e Senai na Educação. Critica as ações na Segurança Pública e Saúde e garante que o problema não é falta de dinheiro. A seguir, os principais trechos da entrevista.

DIÁRIO – Que avaliação o senhor faz do ensino público estadual?

PAULO SKAF – O ensino público não é eficiente como o oferecido pelo Sesi e Senai de São Paulo pela mesma razão que a Segurança Pública e serviços de Saúde não são eficientes. Faltam gestão e compromisso com os resultados. E isso acontece na indústria, no Sesi e no Senai. Compromisso com resultado se traduz em respeito com as pessoas. E é justamente isso que falta na gestão pública. O governo inaugura hoje uma escola como se tivesse inaugurando qualquer construção. A preocupação se lá vão ter professores estimulados, se os alunos vão aprender, se a alimentação vai ser boa, essa não faz parte. Essa é a grande diferença.

DIÁRIO – É possível, então, que o ensino público seja como do Sesi e Senai?

SKAF – Tem de ser. Esse é meu sonho, que um dia todos os jovens do Estado tenham a mesma oportunidade que os do Sesi e Senai. E São Paulo pode dar esse exemplo para o resto do Brasil. Nós temos a obrigação de sair na frente, já que o Orçamento de São Paulo é maior do que o da Argentina. Um Estado que é rico não pode não ser exemplo na Educação, na Segurança, na infraestrutura, na Saúde. Fala-se muito que falta dinheiro. Não concordo. O problema é gestão.

DIÁRIO – O Orçamento da Educação, na avaliação do senhor, é suficiente?

SKAF – Há R$ 20 bilhões, além de mais R$ 10 bilhões para o Ensino Superior. É bastante dinheiro. A Segurança Pública tem R$ 15 bilhões. Isso significa 1,3% do PIB paulista. A Alemanha gasta 1,2% do PIB em Segurança. Proporcionalmente, gasta-se mais que na Alemanha. E há segurança aqui? Então por qual razão isso não acontece? Aí entra a forma de fazer. São necessárias mudanças para poder ter resultados diferentes. Eu não digo que não haja coisas boas no governo do Estado. Todo mundo quer acertar. Mas quando você tem o mesmo grupo por muitos anos o estilo de se fazer as coisas já fica esgotado. Os problemas que não resolvem, é porque não sabem resolver. Tem de mudar.

DIÁRIO – Mas o PMDB não ajudou a implementar este estilo, já que também governou o Estado neste período a que o senhor se refere e representou uma espécie de continuidade ao PSDB?

SKAF – Esse é um grupo que deixou de ser PMDB há mais de 20 anos. É diferente. Se pensassem igual, não teriam deixado o partido. E faz 20 anos que estão no poder. Muita coisa boa deve ter sido feita. Mas muitos problemas persistem. Pega um jornal de 15 anos atrás e você vai perceber que muitos problemas são os mesmos. Não pode ser assim. Os problemas precisam ser resolvidos. Uma criança de sete anos não saber ler e escrever é lamentável. Compromete-se toda uma geração. Quando se renova, há mais chance de se resolver problemas.

DIÁRIO – Qual é o grande problema de gestão, então, na avaliação do senhor?

SKAF – Há muitos problemas. Não dá para resolvê-los a longo prazo. A questão da Saúde é emergencial. Quem precisa fazer uma ressonância magnética não pode esperar seis meses. É necessário que haja soluções urgentes. Precisa de um choque de gestão. Na Segurança, é preciso ter medidas. Na Educação, é preciso agir. Se você pegar o projeto do Sesi, com nove anos de Ensino Fundamental, tempo integral, boa alimentação, prática de esportes, atividades, vamos ter um cidadão com uma educação mais completa. Aí é possível ter um novo Estado de São Paulo. Daí serão necessários menos hospitais e presídios.

DIÁRIO – Que análise o senhor faz e a que o senhor atribui os resultados das recentes pesquisas, que o colocam em segundo lugar?

SKAF – Fico só agradecido. Isso é o reconhecimento de um trabalho, que é feito com muita seriedade, com busca de resultados concretos. Isso se expressa nessas pesquisas que me dão esse patamar a um ano da eleição. Vamos discutir candidatura no ano que vem, mas se um ano antes as pessoas lembram do meu nome como possível candidato a governador de São Paulo, só tenho a agradecer esse reconhecimento. Isso só faz com que nossa responsabilidade aumente.

DIÁRIO – Isso consolida a candidatura própria do PMDB ao governo?

SKAF – Não há dúvida. O PMDB já tomou essa decisão, que é irreversível. Há até uma certa euforia dentro do partido no sentido de poder propor a São Paulo uma opção nova. Uma proposta nova ao eleitor de São Paulo, no momento em que vai bem ao encontro do que as pessoas querem, que é dar uma oxigenada na política.

DIÁRIO – Como será dizer ao eleitorado que sua imagem não está ligada somente à classe empresarial?

SKAF – Existe um número grande de empresários, mas não existem 6,5 milhões de empresários. E 20% (índice registrado por Skaf, em média, nas pesquisas) de um colégio eleitoral de 32 milhões são 6,5 milhões. Certamente esse índice não é só de empresários. O que a pesquisa mostra é um reconhecimento em todas as classes. Não é correto pensar que isso acontece. Até porque temos feito um trabalho que envolve toda a população. Por exemplo, nós travamos uma batalha para a redução da tarifa de energia elétrica, que atingiu todo mundo, não só a indústria. O fim da CPMF beneficiou todos os brasileiros. A redução dos impostos federais na cesta básica beneficiou todos os brasileiros, principalmente os mais pobres. Creio que haja um reconhecimento desse trabalho. Nossa luta é pela justiça social, respeito às pessoas e a busca pela eficiência. Todos nós estamos cansados da falta de eficiência. Ninguém quer mais que as coisas sejam feitas a qualquer custo. Tenho, e agradeço, muito, o apoio dos empresários. Senão não teria sido reeleito presidente da Fiesp com 99,5% dos votos, nem do Ciesp. Então há uma relação com o empresariado, mas quando a pesquisa te coloca com 20%, isso são 6,5 milhões de pessoas. E não existe nem um milhão de empresários. Então 90% disso não tem nada a ver com a classe empresarial.

DIÁRIO – O senhor acha, então, que poderia tirar votos tanto do PT quanto do PSDB?

SKAF – Estamos discutindo ainda uma possível candidatura. As pessoas vão avaliar o perfil do candidato. Mais do que a cor partidária, o que vale é o resultado, a eficiência no trabalho. Isso é o que vai pesar.

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