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Galindo agenda sua estréia na filarmônica de S.Bernardo


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

14/05/2005 | 15:14


O maestro João Maurício Galindo estréia como novo regente titular e diretor artístico da Orquestra Filarmônica de São Bernardo na próxima sexta-feira (dia 20), com um concerto aberto ao público no Teatro Lauro Gomes. Com o novo cargo, ele terá mais motivos para visitar São Bernardo, além de almoçar aos domingos com sua mãe, no bairro Nova Petrópolis. Natural da cidade, Galindo dividirá a função com a Orquestra Jazz Sinfônica, em São Paulo, onde também acumula as funções de diretor artístico e regente.

Apresentado aos músicos em São Bernardo no dia 4, Galindo reitera desde então que "nada mudará". Ele tranqüilizou os músicos com relação a boatos de que a Filarmônica poderia se tornar uma orquestra jovem - composta de músicos em formação -, de que haveriam cortes, ou uma possível fusão com a Jazz Sinfônica. "São duas orquestras diferentes. Não quero fazer o repertório da Jazz Sinfônica em São Bernardo. E já atuei durante 15 anos em orquestra jovem. Está na hora de parar. Quero reger a Filarmônica. É a terceira vez que me encontro com eles e desde o início venho acalmando os músicos", diz. Muitos dos músicos ele já conhece de outras orquestras: "Já cruzei na vida profissional com pelo menos 90% deles." Sobre o conjunto, Galindo gostou do que ouviu. "Fiz dois ensaios e me pareceu uma boa orquestra".

O maestro foi entrevistado sexta-feira à tarde, durante ensaio da orquestra para o concerto didático da próxima segunda-feira (16), com temas de filmes e desenhos animados, a ser realizado para escolas, às 14h e às 16h, no próprio Lauro Gomes. Seu assistente, Fábio Prado, também da Jazz Sinfônica, comandou o ensaio. Galindo falou na condição de titular da Filarmônica, mesmo sem ter oficialmente assinado contrato com a Prefeitura ou com a mantenedora da orquestra, a Sociedade dos Amigos das Artes. "Tenho plena confiança de que receberei meu salário", diz.

Em representação ao promotor Fernando Alvarez Belaz, o vereador Wagner Lino (PT) pede à Prefeitura que a Sociedade - entidade que receberá subvenção de R$ 6 milhões no período de 48 meses, ou R$ 1,5 milhão por ano, para manter a orquestra - preste contas de seu trabalho de 2000, ano da criação da Filarmônica, até 2004. Segundo o vereador, isso nunca foi feito, e ele não conseguiu obter informações do Executivo. "Isso me preocupa", afirma Galindo. No entanto, o maestro desconhece essa situação. "Não posso falar sobre isso. Conheço pouco essa burocracia toda. Sou músico".

Galindo assumiu a Filarmônica no lugar do antigo regente titular, Paulo Rydlewski, cuja demissão ainda não foi justificada pela administração pública. "Aceitei o cargo, mas não sei porque o maestro anterior saiu", afirmou o novo regente. Uma das condições para aceitar foi poder contar com um maestro assistente: "Ter um assistente de confiança é fundamental para qualquer maestro. A primeira vez que eu vi uma orquestra sem regente assistente foi aqui."

Carreira - Galindo tem 45 anos, 25 dos quais viveu em São Bernardo. Aos 16 anos já atuava no Centro Experimental de Música do Sesc São Paulo. Tocou na Orquestra Jovem Municipal de São Paulo (atual Experimental de Repertório), Jovem do Estado, Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), de 1986 a 1992, e na Sinfônica de Santo André, onde foi violonista. Bacharel pela Unesp em composição e regência, em 1985, e começou a reger em 1983. Profissionalmente, é regente da Orquestra Jovem do Estado há 15 anos, cinco deles à frente também da Jazz Sinfônica. É assessor técnico do Projeto Guri.

O cronograma atual - oito concertos mensais e quatro ensaios - não será alterado, e serão mantidos os concertos populares e didáticos, além dos eruditos. "Não vejo mudanças a fazer. Vamos continuar com o mesmo cronograma. Acredito em concertos populares e em concertos didáticos. Mas o repertório eu escolho, e não vamos fazer o repertório da Jazz Sinfônica".

Nos concertos populares, a Filarmônica terá peças eruditas "para público iniciante". "Será um repertório leve, não uma sinfonia de 40 minutos, para quem está começando a conhecer música erudita. A audição hoje é diferente do que era há dois séculos, quando as pessoas tinham de conhecer previamente música para acompanhar concertos. Hoje a audição regrediu (Galindo cita A Regressão Acústica no Século XX, texto de Theodor Adorno)".

O maestro não diferencia música erudita. "Para mim, existe música européia e música brasileira, pois temos música erudita no país também". Isso é o que ele pretende mostrar no primeiro concerto erudito, no Lauro Gomes. "Será temático, com música das Américas".

Uma das características do maestro é falar durante os concertos. Esse perfil será posto à prova logo na estréia. Em Sinfonieta Seconda, o compositor propõe uma melodia para o público cantar com a orquestra no fim da apresentação. "Será uma brincadeira. Vamos ver se o público vai aceitar e participar".



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