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Fidel: 'nao admitiria agressao da Otan em Cuba'


Do Diário do Grande ABC

12/06/1999 | 15:26


O presidente cubano, Fidel Castro, garantiu na noite desta sexta-feira que no caso de uma agressao a seu país semelhante à da Iugoslávia, os cidadaos revolucionários prefeririam as bombas a abrir mao da soberania de seu país.

``Seríamos capazes de ficar sob bombas, antes de renunciar a um único átomo de nossa soberania'', disse Fidel aos 800 delegados de 43 países que participaram do I Congresso Internacional de Cultura e Desenvolvimento, que encerrou em Havana quatro dias de trabalho.

Fidel esclareceu que nao pretende julgar a aceitaçao do plano de paz por parte de Belgrado e embora nao exista pretexto para agredir Cuba, o presidente enfatizou: ``conosco nao há trégua''. ``Pretexto nao terao jamais, apesar de seus esforços para criar conflitos internos para poderem intervir'', disse.

Em um discurso de seis horas, Fidel opinou que os Estados Unidos e a Aliança Atlântica deveriam estar ``envergonhados'' pela vitória ``moralmente pífia'' obtida na Iugoslávia. ``Esta guerra, da qual ninguém pode se orgulhar, é uma guerra covarde'', disse, acrescentando que o acordo com Belgrado é ``uma vitória da qual deveriam estar envergonhados'', pois se obteve apenas a esmagadora desigualdade entre os combatentes.

Castro acusou os Estados Unidos de quererem erradicar as soberanias nacionais para se apoderarem dos países, alegando razoes humanitárias. ``Os Estados Unidos querem varrer a totalidade das soberanias nacionais para exercer seu papel de novo império romano'', afirmou. ''(Washington) se prepara para o exercício do império e para isso faz valer razoes humanitárias'', continuou. ``É toda uma filosofia para devastar'', continuou.

O presidente cubano se referiu à nova doutrina defendida no 50º aniversário da Otan, segundo a qual a Aliança se dá o direito de intervir em qualquer país diante de conflitos étnicos, fronteiriços, de direitos humanos e quaisquer outros problemas.

Como exemplo, disse que segundo esta nova doutrina, os Estados Unidos e a Otan poderiam tentar intervir na Colômbia, consumida em uma guerra civil que envolve guerrilheiros, narcotraficantes e paramilitares, e pediu aos povos latino-americanos que apóiem os esforços do governo colombiano para chegar a uma paz justa que beneficie a todos, conquistada por vias pacíficas e diplomáticas. ``Mas, como (os americanos) sao loucos, ninguém está seguro; se a segurança nao está no direito, nos princípios de respeito à soberania, se nao está nas Naçoes Unidas, a aplicaçao desta doutrina na Colômbia causaria milhoes de mortes'', disse.

Castro centrou seu longo discurso em reflexoes sobre a relaçao entre a cultura e a soberania, dois temas que considerou intimamente ligados. ''(Estamos contemplando como) os Estados Unidos tentam apagar tudo o que lhes incomoda e a cultura é uma dessas coisas'', afirmou.

Fidel lembrou que o espanhol Javier Solana, que comandou o início dos bombardeios como secretário-geral da Otan, foi ministro da Cultura em Cuba. Na semana passada, a chancelaria cubana se declarou favorável ao indiciamento de Solana por genocídio em nome de todos os culpados pelos bombardeios na Iugoslávia. Neste ponto, Fidel ironizou e chamou a Solana de ``grande marechal e secretário-geral''. ``Conheço poucas pessoas tao aferrados à violência, de linguagem tao dura'', disse ele sobre o ex-ministro socialista espanhol.

Para terminar, Fidel destacou os grandes gastos militares americanos e da Otan na guerra contra a Iugoslávia e os comparou com os da Revoluçao Cubana, que ele próprio liderou entre 1956 a 1958 contra o governo de Fulgencio Batista. ''(Esta foi) a revoluçao mais barata das história'', disse Fidel, que calculou os gastos desta guerra em US$ 300 mil.



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Fidel: 'nao admitiria agressao da Otan em Cuba'

Do Diário do Grande ABC

12/06/1999 | 15:26


O presidente cubano, Fidel Castro, garantiu na noite desta sexta-feira que no caso de uma agressao a seu país semelhante à da Iugoslávia, os cidadaos revolucionários prefeririam as bombas a abrir mao da soberania de seu país.

``Seríamos capazes de ficar sob bombas, antes de renunciar a um único átomo de nossa soberania'', disse Fidel aos 800 delegados de 43 países que participaram do I Congresso Internacional de Cultura e Desenvolvimento, que encerrou em Havana quatro dias de trabalho.

Fidel esclareceu que nao pretende julgar a aceitaçao do plano de paz por parte de Belgrado e embora nao exista pretexto para agredir Cuba, o presidente enfatizou: ``conosco nao há trégua''. ``Pretexto nao terao jamais, apesar de seus esforços para criar conflitos internos para poderem intervir'', disse.

Em um discurso de seis horas, Fidel opinou que os Estados Unidos e a Aliança Atlântica deveriam estar ``envergonhados'' pela vitória ``moralmente pífia'' obtida na Iugoslávia. ``Esta guerra, da qual ninguém pode se orgulhar, é uma guerra covarde'', disse, acrescentando que o acordo com Belgrado é ``uma vitória da qual deveriam estar envergonhados'', pois se obteve apenas a esmagadora desigualdade entre os combatentes.

Castro acusou os Estados Unidos de quererem erradicar as soberanias nacionais para se apoderarem dos países, alegando razoes humanitárias. ``Os Estados Unidos querem varrer a totalidade das soberanias nacionais para exercer seu papel de novo império romano'', afirmou. ''(Washington) se prepara para o exercício do império e para isso faz valer razoes humanitárias'', continuou. ``É toda uma filosofia para devastar'', continuou.

O presidente cubano se referiu à nova doutrina defendida no 50º aniversário da Otan, segundo a qual a Aliança se dá o direito de intervir em qualquer país diante de conflitos étnicos, fronteiriços, de direitos humanos e quaisquer outros problemas.

Como exemplo, disse que segundo esta nova doutrina, os Estados Unidos e a Otan poderiam tentar intervir na Colômbia, consumida em uma guerra civil que envolve guerrilheiros, narcotraficantes e paramilitares, e pediu aos povos latino-americanos que apóiem os esforços do governo colombiano para chegar a uma paz justa que beneficie a todos, conquistada por vias pacíficas e diplomáticas. ``Mas, como (os americanos) sao loucos, ninguém está seguro; se a segurança nao está no direito, nos princípios de respeito à soberania, se nao está nas Naçoes Unidas, a aplicaçao desta doutrina na Colômbia causaria milhoes de mortes'', disse.

Castro centrou seu longo discurso em reflexoes sobre a relaçao entre a cultura e a soberania, dois temas que considerou intimamente ligados. ''(Estamos contemplando como) os Estados Unidos tentam apagar tudo o que lhes incomoda e a cultura é uma dessas coisas'', afirmou.

Fidel lembrou que o espanhol Javier Solana, que comandou o início dos bombardeios como secretário-geral da Otan, foi ministro da Cultura em Cuba. Na semana passada, a chancelaria cubana se declarou favorável ao indiciamento de Solana por genocídio em nome de todos os culpados pelos bombardeios na Iugoslávia. Neste ponto, Fidel ironizou e chamou a Solana de ``grande marechal e secretário-geral''. ``Conheço poucas pessoas tao aferrados à violência, de linguagem tao dura'', disse ele sobre o ex-ministro socialista espanhol.

Para terminar, Fidel destacou os grandes gastos militares americanos e da Otan na guerra contra a Iugoslávia e os comparou com os da Revoluçao Cubana, que ele próprio liderou entre 1956 a 1958 contra o governo de Fulgencio Batista. ''(Esta foi) a revoluçao mais barata das história'', disse Fidel, que calculou os gastos desta guerra em US$ 300 mil.

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