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Garoto de 13 anos concorre ao Nobel da Paz


Renata Gonçalez
Do Diário do Grande ABC

28/06/2003 | 20:20


O norte-americano Gregory Robert Smith só tem 13 anos, mas no último mês terminou a faculdade de Matemática. Ele também pretende estudar Engenharia Espacial, Ciência Política e Biomedicina. Greg, como prefere ser chamado, é exemplo do que a ciência chama de criança superdotada. Mas o melhor exemplo é que o garoto também usa sua inteligência para defender os direitos das crianças, proeza que lhe rendeu duas indicações ao Prêmio Nobel da Paz, no ano passado e neste.

Ainda bebê, Greg deu sinais de sua extraordinária inteligência. Com 1 ano e 2 meses já sabia ler e resolvia problemas de álgebra, além de memorizar e recitar livros. Meses depois, corrigia os erros gramaticais dos adultos.

Aos 5 anos, ensinava botânica aos colegas do jardim-de-infância. Antes dos 10, já havia concluído o ensino fundamental e médio, num período de cinco anos (nos Estados Unidos, essas duas etapas são feitas em 13 anos de ensino). Em seguida, fez a faculdade de Matemática.

Desde cedo ele também se preocupa em defender os direitos da infância, fato que o fez fundar a IYA (International Youth Advocate, Defesa da Juventude Internacional). Seu objetivo é conhecer e ajudar crianças e adolescentes que vivem em condições precárias.

Em 2000, esteve no Brasil, ocasião em que visitou crianças de uma favela em Diadema. A IYA é mantida com o dinheiro que Greg ganha fazendo palestras para empresários (ele cobra US$ 10 mil cada uma, cerca de R$ 30 mil).

Confira entrevista exclusiva ao Diário.

DIÁRIO – Quais conquistas você obteve com seus projetos sociais?
GREGORY – Como embaixador da paz, viajei para Amaya, no Kenya (África), para testemunhar o acordo de paz entre as tribos Samburu, Turkana e Pokot, que proclamaram o fim de seus conflitos e construíram uma escola para as crianças das três tribos. Acreditamos que, ao compartilhar a escola, essas crianças cresçam em paz, num ambiente onde entendam e apreciem as culturas das outras tribos. Nunca me esquecerei das promessas que foram feitas nesse dia que selamos o pacto com uma estátua da paz. Tinha 7 anos quando assisti a um vídeo sobre crianças que sofriam de desnutrição, separadas das famílias e vítimas de violência, e senti que precisava fazer algo por elas. Aos 9, comecei o IEM (Inspiração, Educação e Motivação), contra a violência. Motivei grupos de jovens a fazer parte do meu pedido de paz e que a educação se tornasse prioridade. Acredito que a educação é o primeiro passo para a paz, porque educação gera entendimento, e entendimento gera soluções alternativas. O fato de entrar na faculdade com 10 anos chamou a atenção da imprensa internacional e ajudou o meu projeto de proteger a vida das crianças do mundo todo. Foi então que o IEM virou IYA (International Youth Advocate). Comecei apresentando minhas idéias aos líderes religiosos, políticos, educadores e empresários. Fiz encontros com grupos juvenis para envolvê-los no IYA. Escrevemos cartas aos políticos, trabalhamos para uma nova legislação e proteção aos direitos das crianças e estimulamos voluntários nas comunidades.

DIÁRIO – Como é possível criar a paz?
GREGORY – É preciso acabar com ciclos de ódio passados de geração para geração. É preciso que as crianças cresçam num ambiente favorável para garantir um futuro de paz. Precisamos ensiná-las a valorizar o sentido da vida. Num tempo em que as pessoas estão inseguras sobre o futuro, as crianças podem ajudar a restabelecer a paz, quebrando barreiras culturais, políticas e religiosas, falando com uma única voz, pedindo liberdade e justiça.

DIÁRIO – Quais suas impressões sobre o Brasil?
GREGORY – Vim conhecer as crianças brasileiras e vi que elas querem o mesmo que eu: viver sem medo, com amor, respeito e saúde. Elas querem uma melhor educação para ter melhores condições de vida. Conheci muitas crianças cujos pais foram assassinados, crianças viciadas em crack, crianças que vivem nas ruas e outras que dividem um quarto com dez pessoas. Prometi nunca esquecê-las.

DIÁRIO – Como se sente ao ser nomeado para o Prêmio Nobel da Paz?
GREGORY – Estou lisonjeado por esta honra. É uma indicação para as crianças do mundo todo. Com isso, o comitê do Prêmio Nobel quer afirmar que não podemos esquecer das crianças. Trinta e cinco mil crianças morrem todos os dias de fome, vítimas de violência e de doenças que poderiam ser evitadas.

DIÁRIO – Você tem algum hobby?
GREGORY – Pratico basquete, futebol, tênis e gosto de fazer passeio de bicicleta pelo campo. Viajo pelo mundo e aprendo em primeira mão com os líderes internacionais. Estou experimentando a vida que sempre sonhei. Minha infância não é normal, mas é perfeita para mim.



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